
Meu celular apitava sem parar, enquanto eu tomava banho. Já passara das 2 PM. Eu morava em Los Angeles, meu apartamento era localizado bem no centro daquela esplêndida cidade. Hoje, posso dizer, que a rua estava calma. Eu só escutava buzinas, nada de gritos. Voltando ao celular, ele continuava apitando, o que fez com que eu acelerasse o banho. Saí do banheiro correndo, enrolada numa toalha verde. Qual não foi minha grande surpresa ao ler a mensagem que havia recebido.
"Passarei aí em 1 hora. Esteja pronta, gata. Beijos do seu J.T. ;)"
Mais do que depressa comecei a me arrumar. Terminei de fazer as malas. Detalhe: estou indo viajar. Para onde? Mais tarde você saberá. Esperei ansiosa até o interfone tocar - o que me custou 20 minutos de tédio. Atendi e dei permissão para ele entrar no prédio. Logo, ele já estava batendo na minha porta. Abri-a e ele estava ali, parado na minha frente, lindo como nunca. Uma das maiores cobiças femininas. Ele, o próprio, Justin Timberlake.Me fitava com seus lindos olhos azuis e antes que eu pudesse pronunciar algo, abraçou-me fortemente e disse em meu ouvido:
- Boa tarde. Como vai você, linda?
Lembrei de não derreter em sua frente. Então, respondi no mesmo tom:
- Muito melhor agora e você?
- Ótimo! - nos soltamos do abraço. - Pronta para agitar um pouco? Quero passar os últimos minutos com você.
- Eu nasci pronta - pisquei para ele. - Vou pegar minha bolsa. Senta aí.
Justin sentou no sofá de veludo que tinha ali e eu fui ao quarto pegar a bolsa. Assustei-me ao virar e dar de cara com aquele ser extraordinário parado em minha frente.
- Nossa! Você me assustou, hein? - disse, levando uma das mãos ao peito.
- Sou tão feio assim? - ele falou afetado.
- Nem do avesso.
- Ufa! - posicionou as mãos na cintura.
"Oh, não! Aí vem mais um dos ataques gay-enrustido dele", eu pensei.
- Porque, amiga - bingo! -, se eu estiver com a pele enrugada, vou precisar fazer um peeling. E você sabe, melhor que do que ninguém - ele deu uma reboladinha -, que eu O-D-E-I-O sentir dor! - para finalizar, ele colocou um dedo na boca.
Eu revirei os olhos e ri.
- Estou começando a desconfiar de você - Justin arqueou uma sobrancelha. - E é sério - conti o riso para manter a expressão.
- Vou mostrar quem é o gay aqui! - ele disse, com uma voz incrivelmente grossa e sexy.
- Opa! Agora eu gostei - falei depois dele colar nossos corpos e começarmos uma maratona de mordidas e beijos. E, finalmente, acabamos na cama.
Não, ele não era meu namorado. Estávamos apenas nos conhecendo. E posso dizer que estava amando o conhecer! Com o resultado, tive que tomar outro banho, enquanto ele me esperava - dessa vez, sentado e comportado - na sala. Quando terminei de me vestir, olhei no relógio: 4 PM. Meu voo sairia às 4 e 15.
- Vamos? - eu peguei em sua mão e o guiei para fora do apartamento.
Tranquei a porta e fomos em direção ao seu carro. A cor prata chegava a reluzir, de tanto brilho. Não havia nenhuma sujeira, quanto menos um arranhão. Ele contornou o carro e abriu a porta do lado do passageiro para mim. Sorri em agradecimento e ele beijou carinhosamente meus lábios. Não deixei de reparar em suas coxas quando ele virou às costas para mim. Sacudi a cabeça a fim de afastar tais pensamentos maliciosos.
"Última chamada para o voo 076, destino LA-NY"
- Eu preciso ir - disse, alisando seu rosto.
- Vê se não esquece de mim, enquanto estiver fora - ele disse, rindo.
- Nunca! Você é a melhor coisa que aconteceu em minha vida - meus olhos já lacrimejavam, assim como os dele.
- Você é tão frágil e ao mesmo tempo parece ser tão forte. Preciso garantir uma coisa antes de você ir.
- O que? - perguntei, curiosa.
Vi seus lábios se aproximarem lentamente do meu. Talvez fosse nosso primeiro beijo apaixonado. O qual eu esperava a tanto tempo. Será que ele me pediria em namoro? Estávamos tão perto um do outro, eu já podia sentir sua ofegante respiração. Então, colamos nossas bocas e...
Puff!
(...)
- Ai, minha cabeça! - eu disse, apertando meus olhos, para eles se acostumarem com a claridade.
- Você está bem? - alguém me perguntou. Será que é o Justin?
Eu ainda não conseguia abrir meus olhos. Então, assim mesmo, arrisquei:
- Justin?
- Quem é Justin? - a voz masculina questionou.
Com esforço, resolvi abrir os olhos e checar a figura que estava parada em minha frente.
"Wow! Se soubesse que iria ver isso, teria aberto antes :9", pensei.
Babei mais um pouco antes de voltar ao planeta Terra. Apesar de estar no ar, literalmente. Olhei pela janela e constatei que realmente estava em um avião.
Tornei a olhar para aquele irresistível ser, que me fitava confuso e não acreditei no que meus olhos viam. Como eu não percebi antes? Apesar de que, eu ainda não lembrava o seu nome!
- , você está bem?
"Como é que é? Ele sabe o meu nome? Eu o conheço de onde?", pensei.
Não que eu não soubesse QUEM ele era, mas eu como eu chegara em um avião?
- Acho que sim... - suspirei. - Você é...
- Amor, sou eu, Jesse.
"McCartney", completei em pensamento.
Tá aí. Quem me explicará a maneira em que fui parar ao lado de Jesse McCartney? Por que, exatamente, ele me chamou de amor?
- Você não reconhece seu melhor amigo?
Veio uma palpitação no peito, mas eu soube controlar qualquer tipo de reação.
- Claro, meu melhor amigo - sorri de lado.
- Achei que você tivesse batido a cabeça na janela! - ele disse e rimos. Olhei para o fundo do avião e vi que tinha somente nós dois ali. Sozinhos. Sem mais ninguém. Não vai dar certo.
- Que avião é esse?
- É meu - ele disse, orgulhoso. - Particular.
- G-5? - chutei e ele concordou com a cabeça.
"Ótimo! Sozinha num G-5 com o Jesse McCartney. O que me resta é terminar como a garota do videoclipe".
Não acredito no que acabei de imaginar. Ri sozinha, virei para o lado e comecei a contemplar as nuvens. O dia só começara.
- Está com fome? - ele perguntou de repente.
- Depende... - fiquei na dúvida. - O que tem para comer?
- Burger King - mordi o lábio inferior imaginando aquelas delícias. Apesar de que eu tinha uma muuuuito mais próxima. Para ser exata, na minha frente. - Gosta?
- Amo - respondi, sendo sincera.
- Fritas ou hambúrguer? - ele ofereceu.
- Os dois! - dissemos juntos, caindo na risada.
Ele saiu dali para buscar os lanches, me deixando absorta em imaginações. As mais inusitadas, posso dizer. Eu acabara de reparar melhor em seus olhos. Tão azuis e brilhantes! Pareciam "sorrir" a todo instante.
Me inclinei no banco e tive uma visão mais detalhada. A algum tempo eu já queria tê-lo visto de costas, se é que me entende. Ele vestia uma calça social, um pouco colada. Nada mal. Nada mal MESMO. Por debaixo da camiseta de manga comprida, podia-se notar seu bíceps, tríceps e tórax. Não pensei duas vezes em aprovar.
"Será que pode rolar algo?", pensei comigo.
Olhei novamente e pressenti que se não voltasse à posição normal, teria um ataque cardíaco. E isso não é favorável. Jesse estava inclinado em direção ao frigobar, o que fazia com que a calça destacasse ainda mais sua bela comissão traseira.
Meu coração disparou quando nossos olhares se encontraram. Ele sorriu para mim. Um sorriso com pouca malícia e muito encantador. Tentei respirar compassadamente e me confortei na poltrona. Comecei a pensar em coisas aleatórias, queria me distrair. Por pouco tempo. Logo pude sentir o perfume estonteante que ele usava.
Ele voltou com uma bandeja. Fritas, hambúrgueres e refrigerante. Perfeito para um estômago que não parava de roncar. Ao contrário do meu, que mais transparecia embrulho do que fome. O que será isso? Não, definitivamente não. Em menos de uma hora? Impossível! Ou nem tanto... Ah, esquece.
- Tem uma mesa lá atrás, acho que é melhor pra gente comer. O que você acha?
- Ah, perfeito - mania irritante de falar na ambiguidade.
- Então, venha comigo, madame - ele disse, imitando um sotaque francês, que cá entre nós... HORRÍVEL.
Mas fofo.
Segui ele até a mesa e sentamos um do lado do outro.
- Não está com vergonha de comer, está?
- Nã-ão... imagina - gaguejei, o que me entregou.
- Fala sério, ! Você é a pessoa menos fresca que eu conheço. A menos fresca, mas a mais linda.
Corei instantaneamente e quis mudar de assunto.
- A propósito - ele, que estava bebendo o refrigerante, parou e olhou para mim -, eu não sei se já perguntei, mas...
- Para onde estamos indo?
- Sim.
- Eu já disse 5 vezes. Londres. 6 com essa.
- Hum - murmurei e como já não aguentava mais a fome, comecei a comer. Ele já havia ingerido um pacote de fritas.
- Ai, ai.
- Comeu demais? - perguntei.
- Não, é que...
- Que?
- Nada, esquece.
- Agora fala! - insisti.
- E se eu não quiser?
- Então não fala - pisquei para ele.
- Só porque eu ia falar!
- Mas fala, criatura!
- Também não falo mais.
- Não queria saber mesmo.
Ele bufou.
- Estressadinho... - comecei a provocar, sem olhá-lo.
- Irritante - ele retrucou.
"Ah, é guerra!"
- Anormal - manti o semblante sério.
- E.T
Olhei diretamente em seus olhos. Ele apontou para meu cabelo.
Aquilo me ofendeu! Qual é? N-I-N-G-U-É-M desdenha o meu lindo e sedoso cabelo *-*
- Velho - mostrei seus pé-de-galinha (n.a: pior é que ele tem mesmo, pelo menos em umas fotos O_O)
Estávamos sentados um de frente para o outro. Somente faltava o avião dar uma inclinada e... Ô BOCA SANTA!
- Outch - reclamei com o baque.
- Você se machucou? - ele perguntou rindo, ao pé de meu ouvido.
- Esqueceu quem é o velho? Você deveria reclamar do ciático.
Gargalhamos em sintonia.
- Você é perfeita! - ele disse, analisando meus traços faciais.
- Chato - falei, num meio-sorriso.
- Ei! Para de cortar o clima!
A cada segundo nos aproximávamos e o perfume dele me invadia. Fiquei tonta e deixei que o momento me guiasse. Fechamos os olhos quase no mesmo instante. Eu podia sentir seus lábios encostando-se aos meus...
Puff!
- Ai, minha cabeçaa! - reclamei, quando senti atingir o chão duro.
Abri os olhos e dei de cara com aquela gente estranha. Por que elas vestiam roupas esquisitas? Pior ainda, por que falavam em uma gíria ultrapassada? Levantei dali, atraindo muitos olhares. Afinal, o que tinha de errado comigo?
- Que lugar é esse? - perguntei para uma moça que passava por ali.
- O que você está fazendo? Pagando um sapo? Vem comigo.
"WTF? O_O", foi só o que eu pensei.
A mulher revirou os olhos e disse.
- Vem! Vamos zoar.
- Aonde?
- Pelo jeito, não está nada antenada. Vai perder o show da década?
"Boa pergunta. Não, não sobre a banda --'. EM QUE DÉCADA EU VIM PARAR?", gritei mentalmente.
- Show? Década? - perguntei.
- Guns N' Roses! - nessa hora meus olhos brilharam e meu sorriso ficou maior. - Anos 90 - e ele desapareceu.
"Ok, como eu cheguei nos anos 90? Agora entendo porque toda essa esquisitice e gírias praticamente mofadas! O que vou fazer? Ir no show? Claro! O Axl no anos 90 era comível lindo. Tem o Slash também, mas não... o Slash é virado em boca e cabelo. Até hoje não sei se ele é alguma espécie de alienígena que veio para dominar o mundo das guitarras ou se ele é apenas um simples e humilde marionete. Ui, ui, ui *0* já posso imaginar o Axl com suas roupas hipercoladas :9".
Depois de ter voltado ao século XXI alguns segundos pensando, falei com a moça, que já tinha morrido que me aguardara decidir, entediada.
- Claro - disse a ela. Ah, eu ainda não sei em que maldita cidade estou correndo agora. E não sei o nome dela. E se ela for uma agente do FBI? :3 Existia FBI nos anos 90? Sei lá...
Chegamos no local onde seria o show. Fiquei sinceramente feliz por estar ali.
Tivemos de esperar mais ou menos 2 horas até os portões de entrada se abrirem. Eu lá fomos nós, correr mais uma vez. Conseguimos ficar num lugar em que o ângulo de visão era muito bom. Mais 15 minutos até avisarem que logo a banda apareceria no palco.
- Qual seu nome?
- Denise e o seu?
Antes mesmo que eu pudesse pronunciar uma mísera palavra, anunciaram a banda.
- Olha lá, vai começar! - ela disse empolgada.
Denise aparentava ter de 30 anos em diante.
Enfim, o show iniciou. Pirei muito na voz do Axl. Ele cantou Welcome to Jungle logo no início. Na bridge da música, ele soltou alguns dos lendários "gemidos". Nessa parte, devo admitir, quase tive um filho morri.
Mas não, eu não queria "pegar" ele, se é que me entende. Dizem que ele é uma pessoa extremamente violenta. E eu não gosto de apanhar quando... Esquece!
O show foi encerrado e já era noite. As estrelas brilhavam e a lua iluminava de uma maneira inigualável o céu. Fiquei algum tempo as admirando. Denise caminhava ao meu lado, em silêncio enquanto vagávamos pelas ruas de...
- Que cidade é essa? - perguntei para ela.
- New York - respondeu-me. - De que lugar você veio?
- Do futuro - ela ficou me encarando por segundos, deduzindo que eu estava tão chapada quanto o Slash estava no palco.
- Você tá tirando sarro da minha cara!
Balancei a cabeça, em sinal de negação. Ela continuou me fitando incrédula. Então retirei o que disse.
- Na verdade, eu moro em Los Angeles.
- Ah, legal - ela simplesmente disse.
- Você é casada? - perguntei ao reparar a bela aliança que Denise usava na mão esquerda.
- Sim - sorriu meigamente. - E tenho três filhos.
- E onde eles estão? - perguntei, tentando não demonstrar tanto interesse.
- Dois deles ficaram em casa e um está aqui, conosco.
Por um breve momento me senti confusa. Seria ela doida? Mas o que eu ainda não havia reparado era num pequeno detalhe. Ela estava grávida.
- Parabéns! - eu disse.
- Obrigada.
- Quantos meses? - perguntei, um pouco mais empolgada.
- Três.
- Legal - falei, soltando uma leve risada pelo nariz.
- Então... - ela começou. - Sobre aquela história de você ter vindo do futuro...
- Você deve pensar que eu sou insana - disse, interrompendo-a.
- Não - ela disse, para minha enorme surpresa. - Pode ter um fundo de verdade, certo? Quero dizer, você fala de um jeito totalmente diferente e veste essas roupas, hum, anormais. Sem querer ofender, é claro.
- Tudo bem, eu entendo.
Afinal, eu tinha pensado igual à ela. A diferença é que Denise é do passado e eu, sou do futuro.
- Preciso ir... - disse ela, receosa.
- Sem problemas, eu me viro.
- A propósito, que educação a minha! Qual seu nome?
- Me chame de .
- Até mais, . Foi um prazer conhecê-la.
- Digo o mesmo.
Acenei para ela quando já estava longe. Talvez eu não a visse mais. Seria muita coincidência.
Continuei caminhando de cabeça baixa, agora sentindo falta da minha casa, cama, dos meus poucos, mas bons, amigos.
- Olha o poste! - gritaram para alguém.
Não dei bola e continuei a caminhar cabisbaixa.
- Cuidado garota! - gritaram novamente.
Dessa vez, olhei para o lado, desviando a mínima atenção que ainda tinha sobre o caminho.
Nesse meio tempo, fui ao encontro de um poste.
Puff!
- Você está bem? - um garoto perguntou, enquanto me segurava pelos braços. Eu me sentia tonta toda vez que isso acontecia. Quero dizer, quando ocorriam essas mudanças de lugar.
- Esbarrei em você? - perguntei, admirando seus olhos castanhos.
- Acho que sim, não é? Você estava tão distraída que sequer me viu.
- Desculpa, eu realmente não vi por onde estava andando - disse, constrangida.
- Sem problemas - disse, libertando meus braços. - Sou Thomas, Tom - estendeu-me uma de suas mãos.
- - fiz o mesmo, porém, ele me puxou para um abraço. Fiquei momentaneamente sem reação, mas logo correspondi.
- Melhor assim, não? - disse-me com certa malícia na voz.
- Cl-claro - gaguejei e, por fim, nos soltamos do abraço.
Pude ler o nome da cidade em alguns pontos turísticos. Eu estava em Londres, na Inglaterra. Começamos a caminhar sem rumo.
- O que você faz? - perguntei a ele.
- Eu toco guitarra e canto.
- Sério? Que legal!
Ele deu uma risadinha.
- McFly.
- Ahn?
- O nome da banda.
- Hummm. Nunca ouvi, mas deve ser ótima.
Ele apenas sorriu de leve, sem mostrar os dentes. Aí, eu notei a linda covinha estampada na sua bochecha esquerda. Achei aquilo extremamente sexy e encantador.
- Adorei sua covinha - disse a ele. Posso ser bem descarada quando quero.
- Obrigado. Adorei... - ele pensou um pouco antes de completar a frase - você - ele falou e eu corei.
- Valeu! Você até que é legal.
- Pois é... Onde você mora?
- Los Angeles.
- Veio a passeio? - assenti. - Acompanhada?
- S... - pensei em dizer a verdade, mas preferi omiti-la - Sozinha.
- Que bom - ele disse, simplesmente e virei o rosto para esconder o sorriso que ele fizera brotar.
- Fome - disse ele, de repente, quebrando o silêncio.
- Eu também.
- Aceita um lanche?
Passei a mão pelo ombro e senti que estava sem bolsa. Acabara de reparar no que estava vestindo. Um enorme casaco, pois fazia frio. Enfiei a mão no bolso e não havia nem sinal da carteira.
- Se eu disser que não tenho dinheiro - suspirei -, você acredita?
- E quem disse que precisa pagar? - eu fiz menção de recusar, mas ele foi mais rápido. - E não aceito desculpas esfarrapadas!
- Ok - disse, sendo vencida por ele.
- Você gosta de chocolate quente?
- Amo - eu disse, já começando a imaginar.
- Então você vai provar o melhor da cidade!
- Nossa, deve ser caro. Quem faz?
- Eu! - ele falou, se sentindo o máximo.
Eu preferi não rir, achando que de alguma forma poderia ofendê-lo.
- Então, não tem medo? - perguntei.
- Do que?
- De levar uma estranha para sua casa.
- Nem um pouco. Por quê? Eu deveria ter?
- Obviamente não. Já que eu não faço mal a uma mísera mosca.
- Hum... Quer dizer que posso te usar e te abusar que você não me faria mal?
Olhei para ele espantada.
- Calma, to brincando.
- Sim, claro - disse rindo nervosa.
Por que raios eu fui pensar que ele falaria sério comigo? Preciso acordar para a vida e... Pera aí! Aquele ali não é o Jesse? Ele deve estar furioso comigo, melhor ir falar com ele.
- Tom, você pode me esperar ali naquele banco?
- Aconteceu alguma coisa? - me perguntou, fazendo uma cara fofa de preocupação.
- Eu vi um conhecido, só isso.
- Certo - ele assentiu -, eu espero.
- Obrigada.
Enquanto Tom ia em direção ao banco que eu o indicara, eu ia ao encontro de Jesse. Como me explicarei se ele me perguntar como desapareci de repente? Aliás, nem eu estou entendendo! Vi ele entrando em uma loja de souvenires. Não hesitei em segui-lo.
Ele estava ali, deslumbrante como sempre, parado na seção de camisetas. Caminhei em passos lentos para não assustá-lo. Ele parecia tão concentrado em procurar uma camiseta. Parei ao seu lado e ele em momento algum desviou o olhar para mim. Resolvi cumprimentá-lo.
- Olá - eu disse, receosa.
Ele finalmente me encarou e eu fiquei surpresa com sua reação.
- ! - ele exclamou e deu um sorriso, logo depois me abraçou. - Quanto tempo.
- É? - perguntei confusa. - Pois é...
Como assim "quanto tempo"! Eu estava agora mesmo em um avião com ele.
- Eu senti sua falta.
- Eu também - ainda estávamos abraçados. Ele me soltou para me olhar melhor.
- Três meses e você não mudou nada.
- Três meses? - perguntei, espantada.
- Desde a nossa última viagem que eu não a vejo. Você me parece tão bem. Tá morando aqui?
- Não. E você?
- Show e mais shows.
- Nossa...
- Preciso ir - disse ele, indo em direção à porta, acompanhado por mim -, minha namorada me espera.
O que? Credo... Já me esqueceu :/
- Que maravilha! Espero que dê certo - falei, sendo sincera. Eu realmente desejava que ele fosse feliz.
- Obrigado! Até mais - me deu um beijo no rosto. - Foi bom te ver.
- Digo o mesmo.
Virei às costas para a loja e imediatamente procurei por Tom, que olhava distraído para uma velha que tinha caído de bunda no chão. Ele ria.
Não me conti ao vê-lo sorrir daquele jeito moleque (n.a: coisa mais pagode ._.) e me imaginei correndo num campo de flores silvestres de mãos dadas com ele.
De repente, ele me pegava pela cintura e me rodeava pelo ar, até ficarmos estupidamente tontos e vomitarmos cairmos. Aí, nos olharíamos profundamente e apaixonadamente, e ele me diria com uma voz doce...
- Acho que pisei num cocô.
"Acho que pisei num cocô". Ai que... NOJO!
- Não, alarme falso - disse ele. - Podemos ir?
- Como quiser - eu disse e lá fomos nós de novo. Pelo caminho fomos falando bobagens e rindo muito.
Rapidamente chegamos a sua casa, que era enorme.
- Você mora sozinho, nessa casa gigante?
- Não. Somo entre quatro pessoas. Eu, Harry, Dougie e Danny.
- Hum - disse, quase demonstrando um total interesse.
Ele abriu o portão e meu deu passagem. Não demoramos muito até chegar à porta e, logo, à sala.
- Senta aí, fica a vontade - me apontou o sofá -, que eu vou lá fazer o chocolate.
- Obrigada - agradeci.
Ouvi uns murmúrios e em seguida, dois rapazes desciam correndo às escadas. Ambos tinham os olhos azuis. Não pude deixar de reparar.
Eles ainda não haviam me notado. Eram lindos, não há como negar.
- Cara, você viu os peitos daquela gostosa? - disse o loiro enquanto gesticulava.
- Idiota! - disse o outro, dando um tapa na cabeça do loiro.
Ele tinha o cabelo castanho e cacheado.
- Hey! Por que fez isso? - disse ele alisando o local da dor. - Você é gay? - fez uma careta. - Eu sabia desde o início. Aqueles abraços apertados não eram normais... - e recebeu outro tapa, dessa vez mais forte; o que quase ocasionou uma bela queda da escada.
- Você não vê que temos visitas? - disse o do cabelo cacheado.
Apontava para mim e sorria descaradamente. Não vou omitir que gostei.
- Opa! - disse o loiro, saindo de uma espécie de transe. - Quem foi que trouxe essa carne nova? - ele vinha em minha direção.
O garoto de cabelo cacheado assistia à cena entediado.
- Para início de conversa - me pronunciei -, eu tenho nome. Segundo: eu não lhe dei tal intimidade para referir-se a mim dessa forma. E terceiro, o mais importante: eu pareço algum tipo de comida? - perguntei, arqueando uma das sobrancelhas.
Ele hesitou em responder, mas logo voltou com suas gracinhas.
- Pois é, eu não sei seu nome. Poderia me dar a honra?
- - não, eu não daria liberdade para ele me chamar pelo apelido.
- Dougie - ele estendeu a mão e eu fui cumprimentá-lo.
- Peitinho!
Eu não disse nada, apenas apertei sua bunda mão.
- Continuando... - ele suspirou. - Eu sinto muito não quis ofendê-la. Esse é só o meu conceito de vida. Ser feliz no humor.
- Sem problemas - o perdoei pelas ‘piadas’.
- E, para terminar, você não é nenhum tipo de comida - ele deu um sorriso safado.
“Lá vem bobagem!”, foi só o que eu pensei.
- Mas eu adoraria comê-la.
Aquilo me deixou pasma. Sem resposta adequada. Apenas o encarei completamente atônita e confusa. Quem diabos ele pensa que é pra jogar suas abstinências na lata?
Já estava pronta para levantar e deixar a casa, quando me lembrei de Tom e recuei. Por falar no Tom, aí vem ele... salvar minha pele!
- Dougie! Danny! - exclamou ele, aparentemente feliz.
Ah, eu tinha totalmente esquecido e ignorado a presença do tal Danny. Ele parece um cara mais legal e decente do que Dougie. Ué? Não falta um?
- Vejo que já conheceram a ! - continuou.
Tom segurava duas canecas. Uma preta e a outra laranja. As colocou em cima da mesa e sentou-se ao meu lado.
- Espero que não tenham causado má impressão a ela. Causaram, ? - abraçou-me de lado.
Deixou-me confusa, sem saída. Ou eu dizia a verdade, magoava ele - que está sendo tão legal comigo -, ou mentia e ficava tudo numa boa. A solução é mentir. Unir o útil ao agradável.
- Não tive a oportunidade de conversar com eles, mas parecem ser pessoas realmente legais - Dougie suspirou aliviado.
Danny aproximou-se de nós, dessa vez, com uma expressão mais simpática.
- Olá, sou Danny - disse, sorrindo.
Levantei-me e o cumprimentei da mesma maneira que fiz com Tom. Abracei-o.
- Sou - meus olhar se encontrou com o de Dougie. Ele me fuzilava com o mesmo. Cheguei a sentir uma pontada de dó. Eu deveria dar mais uma chance?
Nos soltamos do abraço e ele se atirou no outro sofá.
- Aquele ser educado chama-se Dougie - disse Tom.
Resolvi ser amigável. Então fui até ele e repeti o mesmo gesto. Ele ficou surpreso.
Voltei a sentar ao lado de Tom e ele me alcançou a caneca laranja. Agradeci. Senti o doce aroma de canela e inclinei-a. Estava muito bom. Num gole ingeri metade do chocolate. Sorri em satisfação para Tom, que o retribuiu. Realmente, era o melhor chocolate quente eu já bebera.
- Danny - Tom dirigiu-se ao amigo.
- O quê?
- Vá fazer torradas - ordenou.
- É... - disse pensativo. - Não!
Tom tacou uma almofada em seu rosto. Ele pegou-a e se escorou nela. Contentei-me em apenas um riso leve.
- Dougie? - perguntou Tom.
Dougie estava de pé, apoiado no mesmo sofá de Danny.
- Por que eu?
- Porque o Harry não está aqui, então você sobra.
Dougie bufou e foi para a cozinha preparar as torradas.
Continuamos em silêncio. Então, eu ousei em perguntar.
- Onde está Harry?
- Boa pergunta - Tom coçou a nuca e fez uma cara confusa. - Onde foi o Harry? - perguntou a Danny que deu de ombros.
- Harry morreu! - gritou Dougie da cozinha. - Nós esperamos. (n.a: Twitter lll³)
Eu arregalei os olhos. Tom e Danny gargalhavam e de longe eu podia escutar a mesma reação de Dougie. Quanta consideração!
- Cambada! - gritou Dougie, de repente. - Quem quer torradas?
- Eu! Eu! Eu! Eu! - Tom e Danny gritavam em uníssono. Levantaram em um pulo dos sofás e foram correndo para a cozinha. Eu, constrangida, fiquei ali, estática.
- A gente não esqueceu alguém? - perguntou Danny, parando no meio do caminho.
- A ! - disse Tom, dando meia volta.
Ouvi passos apressados e pesados - os de Tom, é claro.
- Desculpe - ele deu um sorriso amarelo. - Acabei esquecendo que você estava aqui - baixou a cabeça com vergonha.
- Não, eu que devo me desculpar por estar atrapalhando a vida de vocês. Imagina! Eu sou apenas uma desconhecida intrometida.
Tom riu. Não da minha cara, e sim, comigo.
- Adoro o perigo situações inusitadas - ele fez um olhar sexy e logo depois, piscou para mim. O que fez minha respiração falhar.
Quando percebi, tinha sido guiada até a cozinha, onde Dougie e Danny comiam como porcos, literalmente. Não fiz nada, a não ser rir. Eles pareciam dois esfomeados! Falavam de boca cheia, ralhando um ao outro por causa de boas maneiras - o que a meu ver era engraçado.
- Será que vocês podem fingir que são educados? - Tom pediu e os dois pararam de comer instantaneamente e o encararam.
Olharam-se entre si, deram de ombros e voltaram a comer. Tom puxou uma cadeira para eu me sentar.
- Obrigada - agradeci. Ele novamente sentou-se ao meu lado.
- O que você quer comer?
- Qualquer coisa.
- Sinta-se à vontade.
Assenti, sorrindo. Como ele conseguia ser tão agradável e encantador? Terminamos de comer. Agora, eles discutiam sobre quem lavaria a louça.
- Eu lavo - disse.
- Vocês não vão deixar que uma dama lave a louça, vão? - disse Tom, tentando ser autoritário.
- Beleza - disse Dougie. E foi para o seu quarto.
- E você - Danny jogou um pano de prato para Tom -, vê se seca direito. Se quiser sobremesa - disse feito um gay, piscou para Tom, que mandou um beijinho para ele, e saiu rebolando.
Eu estava me acabando de rir.
- Vocês são anormais! - eu disse, tentando me acalmar da euforia.
Estávamos somente eu e Tom ali. Sozinhos. Num completo silêncio. A não ser pelo vento forte que insistia em bater na janela, avisando que chegaria um temporal.
- Quem disse - Tom começou a piscar freneticamente somente um lado dos olhos - que eu sou - fez uma voz robótica - anormal?
Eu voltei a gargalhar, dessa vez mais alto.
- Olha o que você fez... - disse tentando limpar uma lágrima que escorria em minha bochecha. Sabe quando você chora de rir?
- Você me deixa assim.
- Assim como?
- Idiota, palhaço... - ele fitou o teto. - E outras definições a mais, que você já deve ter notado.
- E isso é bom?
- Não sabe o quanto - sorriu, mostrando a covinha.
Senti uma vontade imensa de tocá-la e assim o fiz. Aproximei cuidadosamente meu polegar de sua covinha e a alisei. E as risadas cessaram. Eu estava séria, ele estava sério.
Tom colocou sua mão sobre a minha e uma corrente elétrica passou entre minhas veias. Eu poderia morrer ali que não me importaria. Também não me importaria se o tempo congelasse naquela cena.
- O que foi? - me perguntou.
- Você é tão fascinante - ele sorriu novamente.
- Não consigo encontrar mais forças para resistir - ele aproximou-se mais de mim.
Nossas respirações pesadas se misturaram e nossos lábios tornaram-se um só por eternos segundos.
Nos separamos e eu não tinha coragem de encará-lo.
- Acho melhor lavarmos a louça - ele sugeriu.
- É. - respondi.
As trovoadas começaram a aumentar e rapidamente a chuva se dissipou. Não demorou muito e escutamos alguém entrar apressado pela casa.
- Tem alguém em casa? - o ser gritou. Deduzi ser o tal Harry.
- Não! - Tom respondeu e revirou os olhos. Nós continuávamos lavando a louça.
- Tommy, meu amor - Harry dizia, caminhando pelo hall de entrada. - Chegue-ei. Sentiu saudades? - ele chegou todo gay até nós. - Opa. Temos visitas. Olá, sou Harry - nos cumprimentamos.
- ou , se preferir.
- Sem ciúmes querida, eu não me importo em dividir meu Tommy - ele deu ênfase no “meu”. - Vou roubar ele por uns minutinhos.
- Nem pensar! - Tom protestou. - Vai atrás daquelas bibas loucas - empurrou Harry para longe de si. - Eu estou muito bem aqui.
Dito isso, eu corei. Fechei os olhos e soltei um risinho. Lembrei a mim mesma que precisava respirar quando estivesse ao seu lado.
Tom enrolou o pano que estava em suas mãos e começou a bater em Harry, que saiu em disparada saltitando como uma gazela e dançando ballet. Não conseguimos prender os risos e quase nos contorcíamos no chão. Eu devia ter filmado aquela cena e posto no youtube. Renderia milhões de visitas.
- Então... - eu comecei, enquanto esfregava um prato lambuzado de maionese e catchup. - É verdade o que você disse ao Harry?
- Sobre Danny e Dougie serem bibas loucas? Por um lado não, já que eles vivem interpretando personagens...
- Não - ele parou de falar e me olhou confuso. - Sobre estar bem aqui, hm - pigarreei -, comigo - falei mais baixo.
- Claro - ele sorriu. - Com você até no mais fedorento e entupido dos bueiros.
Eu fiz uma careta e ele logo justificou-se.
- Tá, essa foi nojenta. Eu quero dizer que, não importa aonde, mas sim como quem. Entende?
- Absolutamente - respondi, maravilhada em como ele conseguia ser tão estonteante.
Ficamos alguns segundos assim, apenas nos admirando fixamente, sem ser preciso ser proferida uma mísera palavra. Bastava um contato visual recíproco e sabíamos que tudo o que desejávamos naquele instante poderia durar.
- Vamos terminar de uma vez? - ou não.
Terminamos de lavar os copos, mas não em silêncio. Falávamos besteiras e contávamos diversas anedotas.
- Tudo tão quieto lá em cima - disse Tom, pegando os copos e guardando no armário marfim da cozinha. - Eles devem estar aprontando, tenho quase certeza.
- Deixa eles se divertirem - desliguei a torneira e sequei minhas mãos numa toalha que estava pendurada na cadeira.
- É, mas... nós?
- Hã? - quase me engasguei como um suco imaginário.
- Temos que nos divertir também!
Estava prestes a concordar quando um raio caiu, fazendo com que a luz acabasse. Blackout geral. Levei um susto e por um impulso maior, gritei. Benditas cordas vocais! Minha reação - um pouco infantil, para frisar - fez com que Tom me abraçasse bruscamente. Nossos corpos se chocaram, no impacto.
- Calma - ele pediu.
- Medo - eu apenas disse. Senti seu hálito em meu pescoço, o que me arrepiou.
- Tá com frio?
Santa inocência.
- Sim, um pouco.
- Vem, me abraça por trás - ele virou-se de costas para mim e eu fiz o que ele mandou. - Assim, você não se perde de mim.
- Onde estamos indo? - perguntei.
- Pro andar de cima - ele respondeu.
Subimos as escadas com certa dificuldade. Afinal, eu estava praticamente grudada nele, apenas aspirando seu perfume e quase desmaiando de vontade de agarrá-lo ali mesmo.
- Danny! Harry! Dougie! - Tom chamou por eles.
Já estávamos no corredor do andar superior. Uma completa escuridão. Não enxergávamos nada e só ouvíamos o barulho da chuva e dos trovões que insistiam em fazer barulho. O que já estava me deixando parcialmente aflita. Uma das portas rangeu e eu tremi.
- Não precisa ter medo - disse Tom.
Apenas saber que havia ele ali, para me proteger, me deixava mais calma. Sua voz transparecia segurança e muito romantismo.
- Obrigada - agradeci por ele estar comigo.
- Pelo que?
Não tive tempo de responder. A porta que localizava-se ao nosso lado abriu, revelando um ser completamente idiota com uma lanterna na cara. Ele ligou a mesma e fez uma cara maligna. Desta vez, eu e Tom gritamos, fazendo com que caíssemos. Eu por cima dele. O ser repugnante e patético limitava-se a rir. A risada era escandalosa, jamais havia visto algo igual. Logo, eu estava rindo da risada dele.
Esperava algo assim de Dougie ou até de Harry, mas quem havia nos pregado uma peça era ninguém menos que Danny. E ele parecia tão inofensivo e comportado. Quem não conhecesse, que comprasse! Tenho certeza que eu seria uma dessas pessoas iludidas com aquela aparência angelical.
- Besta! - Tom disse, ao levantar-se. - Não teve graça.
- Teve sim - disse Danny, parando de rir aos poucos.
- Eu estou rindo, por acaso? - Tom apontou para sua expressão séria e irritada.
- Não - Danny baixou o rosto ao ser censurado.
Ao ver aquela cena hilária e incomum, eu não resisti e voltei a rir tão escandalosamente quanto Danny antes de Tom se protestar. Danny pareceu perder o medo e juntou-se a mim, deixando um Tom com cara de taxo. Tom entrou em um dos quartos - agora visível por causa da lanterna -, e praticamente lacrou a porta. Fiz besteira.
Como se sofresse um transtorno de bipolaridade, parei de zombar do mesmo jeito que começara a rir. Danny me indicou com a cabeça qual porta eu deveria entrar. Peguei a lanterna de suas mãos e abri a porta com receio de ser chutada dali. Tom estava parado em frente à janela, contemplando o temporal, com o olhar vazio e distante. Não moveu um músculo sequer quando notou que eu me aproximava. Desliguei a lanterna passos antes de ir ao seu encontro, largando em uma escrivaninha.
- O que foi? - perguntei cautelosa, parada atrás dele.
- Nada - ele me respondeu friamente. A luz de um relâmpago iluminou sua face.
- Eu não compreendo. Uma hora você está rindo comigo e na outra fica um Tom que eu não conheço. O Tom infantil.
- Infantil? - ele soltou um riso sarcástico.
- Desculpa, eu não quis ofender...
- Infantil foi aquela brincadeira estúpida que o Daniel aprontou - ele disse, ainda sério.
- Mas porque isso lhe afeta tanto? - eu não conseguia captar toda aquela braveza.
- Você não vê? - dessa vez fechou os olhos.
- O que eu deveria ver?
- Que ele fez de propósito. Que está completamente vidrado em você.
- Ah, ciúmes - disse, rindo. Não passava de um ciúmes bobo e sem motivo.
Ele suspirou.
- Você não pode dar tanta importância pra uma bobagem como essa.
- Mas é claro que posso!
- Tom, me escuta. Não é ele quem eu quero.
Ficamos frente a frente.
- Sério? - perguntou, com certo brilho no olhar.
- Não teria coragem de mentir - sorri. - Agora mostra ela pra mim.
- Ela quem?
- A covinha! Ou vou ter que apelar? - coloquei as mãos na cintura e fiz uma pose bem mandona.
- Não precisa, odeio cócegas - ele sorriu, deixando a covinha aparecer. Confesso que sou fascinada por ela. Ainda mais por ser única.
Ele aproximou nossos rostos e nos beijamos calmamente. Eu brincava com seu cabelo e ele passeava com a mão por minhas costas.
Sentamos em sua cama e lá ficamos nos acariciando ternamente. Era tão bom ser amparada por ele. Mas uma hora eu teria que ir embora. E aí vem: eu não sabia em que hotel estava parando. Que ódio! Malditas mudanças de lugar repentinas.
- Liga a TV - me pediu ele. - Quero ver se tá passando algo decente.
Fui até ela e apertei o botão e nada da televisão ligar. Apertei mais uma vez e ela não funcionou. Tom começou a rir. Eu o fuzilei com o olhar, somente agora lembrando que não tinha luz.
É, seu senso de humor retornou. Continuei imóvel - a poucos centímetros da cama -, fazendo doce. Tom chamou-me para voltar ao meu posto, ao seu lado. Neguei constantemente com a cabeça, enquanto ele revirava os olhos pela milésima vez.
- Será que eu vou ter que carregar a donzela?
- Não sei... - disse, fazendo pouco caso.
- Vem pra cá!
Apenas desviei meu olhar para qualquer lugar - já que eu quase não enxergava a um palmo do meu nariz, devido ao breu. Comecei a assoviar e coloquei as mãos no bolso do meu casaco. Ele levantou-se e eu fingi não perceber aquela movimentação por trás de mim.
- Me solta! - eu pedia feito criança, dando soquinhos em suas costas. Tom me fizera girar, assim ficando cara a cara com ele. Não sabendo de onde ele tirara tanta força para me erguer. Só sei que eu estava pendurada em seus ombros.
- Você manda! - ele me jogou no colchão da cama e ficou por cima de mim, de quatro. (n.a: putz, não façam como eu, não maliciem!)
Iniciou uma guerra de cócegas, na qual eu era a vítima. A diferença é que não haveria perdedores, ambos ganhávamos nessa batalha animal que pode acabar num nível mais avançado, ou talvez, mais adulto.
Ele parou a brincadeira e ficou me encarando com seus olhos castanhos hipnotizantes. E para minha grande surpresa e um pouco de receio, ele avançou sua boca em meu pescoço. Tom intercalava selinhos, com lambidas, mordidas e chupões. Eu teria que gastar muito gelo depois para amenizar o estrago que ele provocava. Nem tão estrago assim, já que eu estava adorando.
- Tom - minha voz saiu falha.
- O que foi? - ele perguntou, ainda continuando com as tentações. - Não gosta?
- Não é isso - eu disse, ficando indignada. Como ele ousa perguntar se eu não gosto? Não julgava óbvia a resposta? Chega a ser um insulto aos meus hormônios femininos. - Alguém pode nos ouvir - o alertei, na intenção de lembrá-lo que ninguém trancara a porta.
- Esqueça eles. Eles mal ligam pra minha existência, quem dirá para outras coisas - ele disse, parando e fitando perigosamente meus lábios. - Por favor - ele pediu de um jeito tão meigo que eu não pude resistir.
- Tá bom - eu dei um sorriso malicioso. - Uh, o leão parece faminto - falei de uma maneira sexy, mordendo meu lábio inferior.
Para meu espanto, ele rugiu, o que me fez gargalhar muito, mas muito alto.
- Você não viu nada - disse ele.
Resposta errada. Só deixou uma curiosa. Agora é que eu estava decidida. Não iria parar até descobrir a que pontos seus instintos felinos teimariam em me atiçar. Tomei a iniciativa e a fim de levá-lo ao céu. Tá, nem tanto. Mas bem próximo. Sentei em seu colo e transpassei minhas mãos por seu pescoço e beijei-o loucamente, mostrando que verdadeiramente o desejava.
Fiz um caminho de sua boca até a orelha. Mordi o lóbulo da mesma e ele gemeu baixo em sinal de aprovação. O clima esquentara ou era impressão? Num piscar de olhos eu tirara meu casaco e sem nenhum esforço, ele arrancou minha blusa. Pronta para fazer o mesmo processo com ele, ouvimos a porta abrir. No susto, enfiei-me embaixo das cobertas, amaldiçoando o indivíduo que nos atrapalhara em vários palavrões de línguas diferentes. Tom rosnou de raiva.
- Voltou a luz cambada! - gritou Dougie. - Vamos cantar, dançar e beber até cair!
Cheguei a breve conclusão de que pessoas cuja letra inicial fosse ‘D’ não eram normais. Claro. D = débil.
- Cai fora! - gritou Tom.
Ops! Essa é a hora em que eu ligo pra funerária.
- Foi mal - Dougie desculpou-se, parecendo sinceramente constrangido. Eu avisei pra trancar a porta. Ele saiu do quarto e desceu ligeiramente as escadas.
- Mas que porra! - gritou Tom, enfurecido, dando um soco forte no criado-mudo. Se ele não fosse mudo, juro que ia gritar de dor.
- Tom - o chamei com receio.
Ele olhou-me, tentando manter a calma.
- Sem estresse - ele transparecia incredulidade. - Nós vamos ter outras oportunidades.
Ele concordou relutante. Então, puxei-o e ele encostou a cabeça em meu ombro, deixando que eu fizesse cafuné. Eu sabia que não demoraria muito e ele teria outra crise de bipolaridade.
- Pronto, melhorei.
Pois é, era bom eu me acostumar.
- Quer descer? - perguntei, olhando-o carinhosamente.
- Não dá, não posso - disse todo embaralhado. E antes que eu pudesse retrucá-lo, completou: - Preciso de um banho gelado.
- Nesse frio? - perguntei.
- Culpa sua - ele levantou e como estávamos com a luz apagada, eu não pude constatar o que tinha causado. Apesar de que tinha uma vaga ideia.
10 minutos de tédio e ele saiu lindo e cheiroso do banheiro. Descemos e vimos que três garotos divertiam-se no karaokê. Meus olhos brilharam instantaneamente quando vi o brinquedo. Não posso dizer que cantava bem, mas que dava pro gasto.
- Ei, saca só a música que eu gravei - disse Dougie com um CD na mão. - Exclusiva da Dougie Records - ele deu uma piscadinha fazendo parecer uma propaganda de ácido efervescente. Sabe: tomou, passou.
Eu e Tom estávamos sentados no chão juntamente com Danny e Harry que brigavam por um microfone.
- Crianças - disse Dougie, depois de ter colocado CD. Só faltava ele escolher a música e apertar o ‘play’. - Deixa aqui pro titio, tá? - Dougie tomou o microfone de Danny e Harry que amarraram as caras. - Esse vai ser o hit do ano.
- Quero só ver - murmurei discretamente para Tom.
- É melhor não duvidar.
Dougie deu ‘play’ e a música começou a tocar.
(n.a: pqp, eu tinha que compartilhar isso: Danny's gay ; quase mijei rindo!)
What if danny's camp up on the stage?
E se Danny desmunhecar no palco?
Nobody knows and nobody cares.
Ninguém sabe e ninguém liga.
'Cuz it's Danny,
Porque é o Danny,
And he's gay.
E ele é gay.
Danny, Danny,
Danny, Danny,
Danny, Danny,
Danny, Danny,
Oh, Danny
Danny yeah
I don't know
Eu não sei.
No final, todos riam, exceto Danny, é claro. Eu tive que ir correndo ao banheiro, já que se risse mais um pouco não ia acontecer boa coisa. Voltei para a sala e continuamos cantando mais algumas músicas. Aproveitei para conhecer melhor o trabalho deles. Não me decepcionei. Assino em baixo. Todos eram engraçados e não paravam um minuto sequer de falar alguma bobagem. Minha barriga doía e eu a cada ataque ficava mais sem fôlego. Pedimos uma pizza. Não sei como eles se mantinham naquela bela forma, porque logo depois devoramos um pote de sorvete de flocos.
Passamos a madrugada bagunçando. Guerra de almofadas e algumas brincadeiras infantis - pique-esconde, por exemplo - entraram em nossa lista de diversão. Por fim, caímos todos no chão exaustos. Tom convidou-me para dormir lá e eu aceitei sem pensar duas vezes. Tomei banho e vesti uma camiseta dele, que aparentava uma camisola em mim. Não havia quarto de hóspedes na casa, não havia um colchão extra. O resultado foi que eu me obriguei a dividir a enorme cama de casal com Tom.
Apagamos a luz e dormimos. Não aconteceu nada demais. Mas algo apitava em minha mente, me alertando de que eu deveria ter aproveitado.
Puff!
Acordei e Tom não estava comigo, dormindo ao meu lado. Desesperei-me ao ver o quarto. Ele era meu. Teria sido um sonho? Por um lado eu esperava que sim, aquilo me atormentava. E por outro não; eu me sinto bem e não me arrependo de nada que fiz. Estranhei quando vi uma parede - que antes era branca -, pintada de laranja, um notebook no lugar do meu velho computador, e eu também trocara minha cama por uma maior. Quando eu reformara meu quarto? Ótimo, não é um sonho.
Pensei em gritar quando vi roupas masculinas espalhadas pelo chão - se fossem femininas eu realmente teria gritado. Depois ouvi um barulho de chuveiro e alguém cantando. Por sorte, o banheiro não ficava no meio do corredor. A voz era calma e muito bonita, parecia que alguém tinha colocado uma música para tocar. Fiquei imaginando quem estaria lá, de quem seria aquelas roupas e até quem dormira comigo naquela noite. Cheirei o travesseiro e um perfume masculino forte e marcante impregnara ali.
Descartei Justin, Jesse e Tom. Definitivamente não era nenhum deles. Mas igualmente me viciara. Resolvi levantar e dar uma checada nas roupas, ver se havia algum documento que o identificasse. As peças espalhadas no chão eram: uma camisa de manga comprida listrada em branco e preto - sabe, no estilo cornão: cor sim, cor não :D -, uma calça jeans de uma cor bem escura, meias brancas e tênis da Nike na mesma cor das meias. Fiquei encantada com tamanho bom gosto. Pelo menos não é um esculachado; basta saber se é bonito agora.
Procurei a carteira do sujeito nos bolsos de sua calça e não a encontrei. Eu precisava ver a identidade, assim, daria tempo de chamar a polícia caso não me agradasse ou fosse um criminoso. Continuei procurando e quando virei o rosto, para verificar se estava em cima de alguma bancada, me deparei com uma marca roxa logo abaixo do pescoço. Reparei também que eu trajava um babydoll bordô. Desde quando eu vestia esse tipo de roupa para dormir? Costumava usar um pijama verde com a estampa enorme de uma tartaruga.
Meus olhos brilharam ao ver a carteira de couro em cima do criado-mudo. Sentei na cama e a peguei. Abri e estava prestes a descobrir o nome dele, se não fosse por uma voz grossa chamando-me. Mais do que depressa, larguei a carteira como estava antes e me enfiei debaixo do edredom macio e quentinho. Decidi fingir que ainda dormia, profundamente. Fechei os olhos e escutei passos dentro do quarto. Não tive coragem de descobrir o mistério; tinha medo de me decepcionar.
- Acorda, Bela Adormecida - ele disse, manhoso. Eu tive que me aguentar para não sorrir.
Ele beijou carinhosamente minha bochecha e afastou uma mecha do meu cabelo que teimava em cair sobre meu rosto. O toque de sua mão quente e macia
causou-me choques internos. Ele estava me agradando, encantando, mesmo quando eu não fazia a mínima ideia de quem ele poderia ser. Era um grande
progresso, da minha parte em relação a ele. Já não me incomodava mais se ele fosse o bozo desprovido de um pouco de beleza física.
Senti que ele sentou ao meu lado, na cama e começou a acariciar meu braço descoberto. A curiosidade estava me matando. Me mexi um pouco e ele
afastou-se num reflexo. Confesso que me arrependi de ter me movimentado, eu já estava quase pegando no sono novamente. Como já tinha dado sinais de
lucidez, me espreguicei e abri os olhos devagar. Para minha surpresa, ele não estava mais em meu quarto.
“Ah, droga!”, foi o que eu pensei. Como ele conseguiu sair sem que eu notasse? Levantei mais do que depressa e me olhei no espelho. Eu aparentava
uma bruxa. Por um momento cheguei a pensa em como ele foi se interessar logo por mim, que ao amanhecer, tinha olheiras e o cabelo como palha, todo
escabelado. Eu realmente podia ser comparada àquela criatura horripilante. Peguei minha escova, corretivo, o roupão preto de seda, as pantufas no
formato de joaninha e me tranquei no banheiro - o mesmo que ele estivera a minutos antes de mim.
Fiz as necessidades fisiológicas e comecei pelo cabelo. Não sei como ficara tão embaraçado e fora do normal. Literalmente não sei. Foi um
sacrifício, mas eu consegui o deixar decente e liso. Abri a gaveta e peguei uma escova de dentes e o creme dental. Logo, já estava com um hálito
refrescante. Lavei o rosto e corrigi as olheiras, ficando pelo menos apresentável. Eu dormira tão tarde assim? Não queria nem pensar no que
supostamente nós teríamos feito. Ou queria? Agora não importa mais. Vesti o roupão e calcei as pantufas. Dei mais olhada no espelho e digo, que se
não fosse eu, certamente me apaixonaria por mim. Ego feladapota.
Respirei fundo e fui até o quarto, achando que ele estaria lá. Béééin! Errado. Ouvi barulho de fritura. Caminhei lentamente, sem fazer qualquer
barulho e lá estava ele: na cozinha, parado em frente ao fogão, preparando nosso café-da-manhã, com as costas nuas, usando apenas a mesma calça que
eu vira momentos antes no chão do meu quarto. Ao ver seu físico, desejei que as mesmas voltassem para onde ele as pegou. Mordi meu lábio inferior,
controlando a luxúria, que me invadia perigosamente enquanto eu contemplava seu corpo e outras coisas. Cabelo: loiro; adoro. Bíceps, tríceps e
bunda: no ponto; perfeito! Qual seria a cor de seus olhos?
Arrastei uma cadeira, causando um barulho irritante, que indicava que o chão fora arranhado; apertei os olhos por causa disso. Ele pareceu não
se importar tanto, então nem se deu o trabalho de parar o que fazia. Bufei de impaciência. Me perguntei se ele queria me provocar. Comecei a batucar
na mesa com as unhas, para ver se conseguia chamar sua atenção - eu nem sabia seu nome! “Porra! Tá difícil”, pensei. O que eu deveria fazer para que
ele ao menos virasse para falar comigo. De qualquer forma, eu não me importaria se fosse para me xingar. Ele continuou fritando, o que descobri ser
panqueca. Sorri comigo. Amo panquecas. Junto com os dedos batucando, deixei que minha perna demonstrasse a ansiedade que sentia. Ela subia e descia
rapidamente. Fiz uma nota mental: usar salto na próxima vez.
Lá fora, chovia. Uma chuva torrencial. Como quando eu estava com Tom. Ontem? Ou meses atrás? Eu nunca sabia que dia, mês e ano estava. Uma hora
estava dormindo com Tom e na outra acordei em minha própria casa com outro. O que havia de errado comigo? Por que essas coisas bizarras aconteciam
sempre em situações estranhas ou românticas? Acho que ninguém pode explicar. A solução é me acostumar.
Voltando à chuva, ela continuava caindo sem parar. Mais parecia um dilúvio, fim do mundo; algo parecido. Ri fraco com a bobagem que pensei. Ele
também riu. Oh! Grande evolução. Nível 2, + amigo... Sei lá. Mas porque exatamente ele riu? Deve ter algum motivo engraçado. Resolvi me pronunciar.
- Do que está rindo? - perguntei num tom sério; mas ele percebeu que era mais pra brincalhão. Novamente riu.
- Lembrei de uma música - ele respondeu. Uma voz grossa, porém infantil. Deslumbrante.
- Música?
- É... - ele continuava virado para a bancada. Colocou mais massa na frigideira e formou outra panqueca. - Chuva e panqueca me lembram uma música. Deus, como eu sou besta - ele riu de si mesmo.
- Canta pra mim? - eu pedi debilmente e ele gargalhou.
- Você não vai querer me ouvir cantar, acredite.
- Eu já ouvi - respondi e ele soltou uma risada por causa do meu desespero.
- Eu sei que já. Quase todo mundo ouve.
Ele deu de ombros e eu continuei sem entender nada.
- Quer dizer que você sempre canta no banheiro de outras?
- Não - ele riu. - Você tá tirando com a minha cara por acaso? Nem parece que você é nossa fotógrafa e que está acostumada a me ouvir cantar.
Preferi jogar verde antes que eu me complicasse com ele. Ele estava sendo tão atencioso em fazer nosso café-da-manhã; passara das 8AM. Era cedo.
- Por favor - implorei. - Não é a mesma coisa.
- Ok - ele disse. - Me acompanha?
- Se eu souber, sim.
Ele tirou a última panqueca e a colocou em um prato junto com as outras. Lavou as mãos e as secou num pano de prato. Em nenhum momento ousou
olhar para mim. Então, com uma voz linda, ele começou a cantar.
- Well, can’t you that it’s just raining? There ain’t no need to go outside.
Reconheci de imediato a melodia. Fazia algum sentido. Panquecas e chuva poderiam realmente lembrar Banana Pancakes do Jack Johnson. Ele parou de
repente e eu continuei.
- But baby, you hardly even know this, when I try to show you this. Song is meant to keep you from doing what you’re supposed to.
Em sintonia, me acompanhou e cantamos juntos.
- Wakin’ up too early, maybe we could sleep. Make you banana pancakes. Pretend like its the weekend now. We could pretend it all the time.
Can’t you see that it’s just raining. There ain’t no need to go outside.
Levantei da cadeira e deixei para que ele continuasse. Assim o fez.
- But just maybe! Hala ka ukulele, mama made a baby. Really don’t mind to practice cause you’re my little lady. Lady, lady love me cause I
love to lay you lazy.
Eu não aguentava mais esperar. Precisava vê-lo, reconhecê-lo, tocá-lo e, quem sabe, beijá-lo. Me aproximei por trás dele e o abracei
pela cintura. Ele era tão... cheiroso. Eu poderia ficar dopada apenas sentindo seu perfume e o shampoo. O refrão ficara incompleto. Não poderia
deixar assim.
- We could close the curtains pretend like there’s no world outside. Then we could pretend it all the time. Can’t you that it’s just raining?
Ain’t no need to go outside.
- Eu te amo - ele sussurrou.
Eu não sabia o que responder. Não sabia se sentia o mesmo. Aquilo era novo demais para mim. Apesar de tudo, eu não queria decepcioná-lo e mais tarde me arrepender.
- Eu também te amo - respondi no mesmo tom.
Beijei seu ombro e vi que ele se arrepiou. Num impulso, o virei para mim e me certifiquei de que poderia me perder naqueles olhos azuis.
Como eu perdi tempo! Nick Carter aos meus pés e eu só resolvi descobrir e aproveitar agora. Quanta burrice!
Puxei-o pelo pescoço e o beijei intensamente. Afinal, se eu estava com ele era porque algum sentimento ali havia, nem que fosse apenas diversão
- o que eu tinha certeza que não era. Ia além de diversão, de carinho, de amizade, já que ele conseguiu mexer comigo de uma maneira rápida e
intensa. Ficamos uns belos minutos nos beijando, eu não me importava com a falta de ar. A última coisa em que eu queria pensar era em oxigênio.
Naquela situação eu me consideraria uma completa viciada. Viciada nele. Nos soltamos e eu o abracei, escondendo meu rosto em seu pescoço. Ele
ofegava e meu estado não era muito diferente.
- Wow! - ele exclamou, soltando um suspiro pesado.
Fechei meus olhos e continuei apenas respirando seu perfume.
- , ... - ele disse entre risos. - É melhor repor suas energias antes que eu resolva fazer outra coisa e as panquecas ficarem
para as moscas.
Sorri maliciosa. Eu entendi perfeitamente o que ele quis dizer. No entanto, ele tinha razão. Concordei com um ‘aham’ quase inaudível e mesmo
não querendo, me soltei de seu abraço. Ele estampava um sorriso enorme. Sentamos um de frente para o outro; a mesa era pequena, para 4 pessoas. Não
era meu costume receber visitas e, quando recebia, a maioria homens, eles vinham a fim de fazer de outras atividades que não envolviam comida. Ok,
na linguagem chula poderia envolver, porém isso não vem ao caso.
Ele me acompanhou no café-da-manhã; panqueca e suco de laranja natural. Nunca tinha experimentado uma panqueca tão deliciosa. Com certeza, era
a melhor das que eu já provara. Ponto para Nick. Olhei para ele e sorri fraco, imaginando o que mais ele saberia fazer tão bem.
- Gostou? - ele me perguntou.
Eu fiz uma cara pensativa e ele esperou minha resposta, entediado.
- São as melhores panquecas que eu já comi em toda a minha vida.
- Que bom - ele disse. - Então, acostume-se - ele deu uma risadinha sarcástica. - Por que é só isso que eu sei cozinhar direito - deu de
ombros e rimos juntos.
- Pelo menos é alguma coisa! Veja por um lado, você já pode casar! - pisquei para ele.
Nick ficou me encarando, viajando, parecia pensar em algo muito sério. Eu falara algo de errado que o ofendera? Doeu em mim, pensar que poderia
ser exatamente isso. Aquele silêncio constrangedor começou a me incomodar.
- Não gostou de alguma coisa que eu falei? - perguntei, verdadeiramente preocupada.
Ele soltou uma risada pelo nariz.
- É que você ficou tão sério de repente, que eu achei que...
- Só que... - ele tentou contar, mas não conseguiu.
“O que o impede?”, pensei.
- Só que... - repeti suas palavras, o encorajando para continuar.
- Esquece, pequena - disse tomando o restante de seu suco.
- Tem certeza? - eu ainda não engolira o porquê ele recuara. O que exatamente ele receava?
- Bobagem minha, esquece.
- Se quiser falar mais tarde...
- Pode deixar que quando for a hora certa, eu falarei.
Sorri. Ele confiava em mim, o que era bom. Muito bom. Terminamos de comer naquele mesmo silêncio chato. Pigarreei e ele me olhou sorrindo; seus olhos transpareciam a mais pura felicidade. Eu senti uma vontade imensa de apertar suas bochechas e enchê-lo de beijinhos. Tão fofo e ao mesmo tempo tão homem. Se não me restasse um mínimo autocontrole, eu teria derretido ou desmaiado no instante em que nossas bocas se tocaram.
Lavei a louça e ele, literalmente, se atirou no sofá. Terminei de lavá-la com mais pressa do que o normal; eu tinha coisas mais interessantes e divertidas como opções de entretenimento. Nick ligou a TV e nela passava um filme. Ao chegar na sala, descobri ser ‘O Guru do Amor’. Eu simplesmente amava aquele filme! O assisti três vezes e, sempre, gargalhava alto e em demasia. Fiz uma careta ao ver Justin na tela, mas no fundo, talvez eu não estivesse me sentindo tão mal. Era hora de largar o passado e viver o presente, que me aguardava deitado no sofá.
Sorri ao ver que ele me olhava completamente entediado. Não pensei duas vezes em dar a volta no sofá e aconchegar-me em seus braços, que a cada minuto pareciam mais convidativos. Ele me puxou para mais perto, fazendo com que nossos corpos ficassem extremamente colados. Fechei os olhos, quando minha pele tocou na sua, sentindo uma corrente elétrica atravessar meu corpo e fazer tudo girar. Ele soltou uma risada gostosa no pé do meu ouvido e eu estremeci novamente. Continuamos ali, trocando carícias e beijos, até eu adormecer e ser acordada por Nick, que vestira uma camiseta. Por um lado agradeci, e por outro fiquei desanimada
- Por quanto tempo eu dormi? - disse, esfregando os olhos.
A claridade estava me incomodando, já que a chuva tinha dado lugar a um sol fraquíssimo. Pelo menos tinha parado de chover e eu poderia sair com ele, se quisesse.
- Exatas 3 horas.
- Então são...
- 11:15 - ele completou.
- Nossa - eu exclamei. - E você ficou o tempo todo aqui, me olhando, sem fazer absolutamente nada?
Ele deu de ombros.
- E você queria que eu fizesse o que?
Sentei direito no sofá e ele fez o mesmo.
- Não sei - respondi e logo depois ri. Ele me abraçou de lado e eu encostei minha cabeça em seu ombro.
- Eu gosto de te observar dormindo, fica tão linda que parece um anjinho - ele disse de um jeito fofo.
- Eu sou um anjinho - desenhei uma auréola em volta da minha cabeça.
- Eu disse que parece, apenas parece - ele sorriu vitorioso.
Fiquei tão indignada que não hesitei em tacar uma almofada em sua cabeça. A sua cara de dor foi hilária e ele revidou. Começamos uma guerra de almofadas e de forma alguma parávamos de rir. Aquilo tudo estava sendo engraçado e infantil demais. Até o momento em que ele tomou minha almofada e jogou-a junto com a dele no chão. Eu o fitei confusa e ele arqueou uma sobrancelha. Éramos os dois, em pé, no meio da sala. Ele deu um passo a frente e eu recuei. Outro passo e outro recuo. Outro passo e...
“PAREDE!”, eu gritei em mente.
Ele me prensou contra a parede, me deixando sem escapatória. Como se eu pretendesse fugir dele. Ele deu um enorme sorriso malicioso e eu mordi meu lábio inferior. Mal tive tempo de respirar e quando me dei conta, já estávamos embalados em um beijo romântico. Ele desviou a atenção para meu pescoço e colo. Eu já estava arfando. Ele passara de meus limites.
- Por favor, para - pedi calmamente.
- O que eu fiz? - ele perguntou sem entender, mas sem parar de morder meu pescoço.
- Eu vou ficar louca - ele riu sarcástico. - Continua pra ver aonde vai minha sanidade.
- Pra onde? - ele perguntou, me dando um selinho e a mão que passeava nas minhas costas, agora puxava minha blusa pra cima.
Aquilo era o suficiente.
- Pro chão - eu disse com firmeza -, junto com as nossas roupas.
Ele sorriu largamente e voltou a me provocar como antes. Nos movimentávamos pela casa e íamos, praticamente, arrancando nossas roupas. No corredor, eu só estava com o babydoll e ele com a calça. Para nossa total infelicidade e desconforto, seu celular tocou. Ele deu uma olhada na tela e disse algo como: “AJ vai ter que esperar a vez dele” e jogou o celular pra longe, alegando que nos atrapalharia e que naquela hora era um objeto inútil. Voltou a me beijar e eu levantei as mãos, facilitando que ele tirasse o babydoll que me cobria. Com dificuldade, abri a porta do meu quarto, fechando-a com o pé, logo em seguida. Apressada, tirei sua calça e agora, ambos apenas vestíamos nossas peças íntimas. Ele sorriu para mim e delicadamente me deitou na cama.
Com ou sem puff, eu nunca esqueceria aquele momento.
Ele caiu exausto ao meu lado e me puxou, fazendo com que eu recostasse minha cabeça em seu peito. Nada precisava ser dito, nossos batimentos cardíacos e nossa respiração respondiam qualquer pergunta. Ouvimos de longe um barulho esquisito, era baixo, mas devido ao silêncio podia-se escutar. E ia ficando mais alto com o passar do tempo. Nick bufou, revirou os olhos e levantou. Pegou sua boxer em cima da televisão, que eu havia jogado sem querer. Ele me olhou brincalhão, e eu escondi meu rosto ruborizado. Ele saiu do quarto e o barulho que ouvimos era o do seu celular. Por um momento eu imaginei se ele não o tinha quebrado.
Nick voltou pro quarto, sentou-se ao meu lado e segurou minha mão, enquanto falava com AJ, animado. Não compreendi muitas palavras, eu ficara o tempo todo sonhando, autistando, brisando, viajando, seja lá qual for o verbo que indique a nem tão babaquice que eu imaginava. Até quando ia durar? No final da história, eu ficaria com o Carter? Eu adoraria passar o resto da minha vida com esse maluco gostosão. Meus pensamentos foram despertados quando Nick desligou a chamada e me olhou triste.
- Não diz que você tem que ir - comecei.
- Quase isso. AJ nos convidou para um almoço na casa dele, agora.
- Ah - suspirei aliviada. - Você vai ir.
- Errado. Nós vamos.
- Eu? - apontei pra mim mesma.
- Não! Eu e minha avó - ele disse irônico.
- Duvido que você faça o que fez comigo minutos atrás com sua avó.
- Cala a boca! - ele mais riu do que gritou. - Ela vive no asilo - ele fez uma careta.
Rimos e ele deitou a cabeça em meu colo. Fiquei fazendo carinho em sua cabeça.
- Temos mesmo que ir? - me perguntou.
- Eles são seus amigos, gostam da sua presença. Precisamos ir.
- Eu sei, mas às vezes eles podem ser tão inconvenientes.
- Eu não me importo. Adoro eles, são tão engraçados.
Sim, eu falara isso apenas para implicar.
- Mais do que eu?
- Hum... - fingi estar pensando. - Não, nunca - beijei sua testa.
Levantei e peguei umas toalhas.
- Nick, vou pro banho - ele me encarou como se perguntasse ‘e daí?’. - Chispa! Fica lá na sala.
- Vou com você - ele disse, abraçando-me de lado.
- No way, John Taylor! (n.a: créditos à Thalie! :D)
- Mas nem pensar! - contestei, tirando seu braço de mim. - Vai pra sala e me espera lá. Depois, se você quiser, toma banho. SOZINHO.
Dei às costas, deixando um Nick com cara de tacho.
Tranquei a porta do banheiro, por precaução. Eu não ia ficar com raiva caso ele quebrasse a porta. Mas eu não queria dar mentira! tanto na cara. Tomei um banho quente, deixando o banheiro infestado de vapor. Saí dali, verificando se Nick não me esperava no quarto; eu não queria ser obrigada a tomar outro banho. Tudo limpo, então peguei algumas roupas. Vesti uma calça jeans, uma blusa e um casaco. O sol apareceu, porém continuava um clima fresco. Não sequei o cabelo, eu odeio secar meu cabelo; ele fica ressecado. Então, apenas o penteei. De maquiagem apenas o básico: lápis, blush e um gloss incolor. Calcei minhas botas de bico fino e passei o indispensável perfume. Peguei a bolsa e fui para a sala, onde Nick estava sentado. Ao me ver, ele levantou-se e me deu um selinho, dizendo que tomaria outro banho rápido, já que ele trouxera umas roupas. O esperei pacientemente por 10 minutos e ele voltou mas cheiroso e sexy do que nunca.
Pegou minha mão e eu tranquei a porta do meu apartamento. Esperamos o elevador subir - eu morava no 21º andar, era muita escada para descer. Entramos no elevador e ele apertou o ‘térreo’. Para matar o tempo, ficamos nos beijando apaixonadamente. Poderíamos fingir muito bem que éramos um casal comportado quando necessário. Naquele instante, por exemplo, estávamos na companhia de uma senhora de mais ou menos 50 anos e três crianças. Não quis nem pensar no que poderia rolar se estivéssemos sozinhos. O elevador parou no 16º andar e a senhora saiu com uma das crianças. Nick me abraçava por trás. No 15º saiu uma criança.
- Você não vem? - ela perguntou.
- Não - a outra respondeu simplesmente, enquanto encarava Nick.
Deveria ser uma garotinha de 12 anos. A porta do elevador novamente se fechou e o silêncio reinou até o 6º andar, quando a menina resolveu falar.
- Eu não tive coragem até agora, então é melhor pedir de uma vez - ela dirigiu-se a Nick. - Me dá um autógrafo? - pediu sorrindo.
- Claro - Nick disse simpático.
Ela lhe deu uma caneta e um pedaço de papel rasgado e ele escreveu algumas palavras de agradecimento e carinho. O elevador parou no 3º andar e ela, dessa vez, deixou-nos com um sorriso bobo no rosto. Passamos pela recepção e cumprimentamos o porteiro. Ele parecia conhecer Nick há tempos. Eu não tinha parado para raciocinar. Há quanto tempo exatamente eu e Nick namorávamos? Caminhamos abraçados até seu carro, que estava no estacionamento. Um Mercedes. Lembro de já ter lido algo sobre Nick Carter ser fascinado por Mercedes. Essa frase ficou com duplo sentido. Ri sozinha.
- Quer compartilhar? - ele perguntou.
- Pensei besteira - disse simplesmente.
Ele abriu a porta do lado do carona para mim e eu entrei. Ele deu a volta e sentou-se ao meu lado.
- Vamos lá - disse, girando a chave na ignição e pisando no acelerador.
Para nossa sorte, os vidros do carro eram pretos. Assim, poderíamos fazer o eu quiséssemos e ninguém nos olharia estranho. Como agora, que cantávamos loucamente ao som de ‘Rockstar - Nickelback’. A voz do Chad Kroeger ecoava alto e, cada vez mais, eu me empolgava. Nem o trânsito congestionado nos irritava. Fazia mais de sete minutos que a fila dos carros não andava. Nick demonstrava seu nervosismo, mas ainda sim me acompanhava na cantoria. Ele batucava no volante e mexia a cabeça.
- Segura os vidros - ele riu sarcástico. - Antes que quebrem - disse sério.
E eu não gostei do seu comentário. Ele só falou isso, pois é um cantor famoso! Parei no mesmo instante de cantar e, de quebra, desliguei o som. Se ele queria silêncio, teria. Porque eu não consigo escutar uma música e não cantar junto dela. Faço isso, principalmente, para espantar o tédio. É um ótimo passatempo. Me virei de costas para ele e passei a encarar a janela. Da janela às minhas unhas, e vice-versa. Sequer desviei minha atenção para ele. Não sei o quão magoadora era, mas tinha uma parte dele, que poderia irritar qualquer um. Ele estava estressado e descontara em mim.
- Hey - ele disse, pousando uma mão em meu ombro.
- Me deixa - respondi, tirando-a dali.
- Burro - o ouvi resmungar depois de bufar duas vezes.
Senti uma lágrima escorrer pelo lado direito do meu rosto. Fico super sensível quando alguém importante me machuca. Ousei em olhar para ele.
- Ah, meu Deus! - ele quase gritou. - Você está chorando!
- Não - minha voz falhou e ele limpou minhas lágrimas com a mão. Fechei os olhos ao sentir seu toque.
- Por minha causa - ele me abraçou e eu automaticamente sorri. - Desculpa. Eu me estressei e acabei descontando em você - ele disse no meu ouvido, como se alguém pudesse escutar. O que seria impossível.
- Tudo bem - eu falei.
- Não, não tá tudo bem. Droga de peso na consciência. Nunca mais quero te deixar assim. É meu pior tipo de tortura - ele desfez o abraço e olhou dentro de meus olhos. - O que eu posso fazer?
- Nick, não...
- Por favor.
Eu suspirei e o puxei com a mão, fazendo com que nossos lábios se colassem. Ele sorriu e nos beijamos lentamente.
- Melhor agora? - perguntei com um sorriso e, tenho certeza, os olhar brilhando.
- Muito melhor - ele segurou minha mão e a beijou.
Passou mais uns três minutos, o carro andara pelo menos meia quadra. Ele soltou minha mão, deu um sorriso malicioso e sapeca. Então, abriu a janela, posicionou a cabeça pra fora dela, deu um longa buzinada e gritou um monte de palavrões que eu não gosto nem de recordar. Voltou a posição normal, rindo como um psicopata.
- Um - ele começou a contar -, dois, três, quatro, cinco - os carros da frente andaram e eu abri a boca surpresa.
- Hahahahaha! Eu sou demais, não sou? - ele disse, arrancando com o carro.
Eu tentei falar algo, mas juro, estava sem palavras. Aquilo tinha sido S-E-N-S-A-C-I-O-N-A-L. Balancei a cabeça, acompanhando suas risadas.
- A casa do AJ é longe? - perguntei depois de um tempo.
- Não muito, já estamos chegando - ele respondeu. - Ele mora num lugar meio... isolado. Sabe, privacidade.
- Aham.
- Acho que estamos quase perto - ele deu sinal e dobrou à esquerda.
Sorri e dei um beijinho em sua bochecha. Ele também sorriu, abobalhado. Silêncio. Apenas no ar, pois minha mente se revirava em pensamentos. Eu ainda não tinha parado para pensar em como minha vida aparentava estranhamente ser perfeita. Eu não tinha as respostas para todas minhas dúvidas - as quais já cansei de repetir -, mas não importava. Eu me sentia realizada emocionalmente junto de Nick. Se dependesse de mim, duraria até a eternidade. Mesmo se essa eternidade for curta, eu viverei intensamente cada curto espaço de tempo ao lado dele.
Olhei para Nick e vi que ele também me encarava. Talvez tivesse pensando nas mesmas coisas que eu. Talvez. Ele piscou para mim e não sei por quê, mas corei. Afinal, quais eram meus sentimentos? Eu queria saber, eu deveria. Não é apenas amizade, nem atração. Se fosse amizade, eu não estaria pulando por dentro e, se fosse atração, já o teria dispensado. Só há uma explicação: início de uma paixão. (n.a: que balão! que melão! que capuzão! é tudo ão! ♪ .____.)
Quando chegamos em frente da casa, eu me impressionei. É mais do que enorme, é gigante. Nick riu.
-... acertei. Ela é perfeita! - ouvi Nick dizer, enquanto eu me aproximava deles. Howie e Brian sorriam satisfeitos.
“Não subestime suas escolhas. A decisões erradas levam a lugares errados. Não me force mais a salvar-te do erro. Lembre-se: o caminho certo leva a pessoa certa”.
Com o que exatamente eu havia sonhado? A mesma voz angelical ecoava repetidamente dentro da minha cabeça. Alguém me salvando? Então, sem dúvidas, anjos da guarda existem. E o meu sempre estivera comigo. “As decisões erradas levam a lugares errados”. Posso interpretar como as repentinas mudanças de tempo de espaço. Isso, talvez, explique toda a confusão que gerou em minha mente. Certo, entendi. Mas aí surge a outra pergunta: quem deverá ser essa tal pessoa certa?
“Boa tarde, dorminhoca! Sonhou comigo? Vê se toma uma aspirina e melhora. Quero a minha namorada pronta, exatamente às 6 PM. Se cuida. Eu te amo. Beijos eternamente apaixonados do seu Nickolas”.
E eu ainda me questionava sobre como ele conseguia ser tão romântico sem usar nenhuma expressão clichê ou melosa demais. Conferi a hora no relógio e confirmei: já passara das duas da tarde. Restavam-me um pouco menos de quatro horas. Bocejei, depois de desligar a luz do quarto e fechar a porta. Eu precisava urgentemente daquela aspirina - se quisesse me sentir disponível mais tarde. Empurrei o comprimido com um copo de água.
Fiz uma careta ao passar pela sala e ver que a mesma estava bagunçada. Eu iria ter que organizá-la sozinha. Geralmente, Nick me ajudava em tudo. Eu era uma preguiçosa e folgada assumida. Um pouco estressada, caminhei até o sofá, joguei as alfomadas pro chão, sacudi a manta e as coloquei de volta, desajeitadas. Voltei até meu quarto, já que teria de repetir o processo com a cama. Sorri quando o vento atingiu meu edredom, trazendo consigo o perfume forte e impregnante de Nick. Passávamos mais tempo naquele quarto do que em qualquer outro cômodo do apartamento. Se é que me entende.
(...)
Eu passava o perfume quando o interfone toca. Dei mais uma olhada no espelho, peguei minha bolsa, me dirigi até a cozinha e autorizei a entrada de Nick. Ele ainda demoraria a chegar, eu morava num dos últimos andares do prédio - que era constituído por vinte e cinco, um apartamento em cada andar. Escovei novamente o cabelo e voltei para sala, sentando no sofá. Brinquei com minhas unhas pintadas de vermelho, a fim de fazer o tempo passar mais rápido. Logo ouvi a campainha soar. Sorri para mim mesma, desamassei o vestido e abri a porta.
- Onde estamos indo? - perguntei, assim que sentei no banco do mesmo carro de ontem.
(n.a: coloca pra carregar)
Eu não sabia o que dizer ao certo. Ele me deixara sem palavras. O que eu sentia era inexplicável. Só sei que meu coração batia compulsivamente como se quisesse pular pra fora dali e ir ao encontro do coração de Nick. Era como se gritasse “Eu pertenço a você!” Seus olhos procuravam incessantemente dentro dos meus por uma resposta. Eu tinha certeza que tentar falar não funcionaria, já que minha voz teimava em ficar escondida. Então, como um emocionante e frisante SIM, eu o beijei. Nick compreendeu minha reação e sorriu. Ele me girava no ar e gritava o tempo todo que me amava, enquanto eu apenas ria e o olhava encantada. De repente, ele parou, me fitou e suspirou acariciando meu rosto com. Eu a peguei e segurei. Com a mão livre o puxei pelo pescoço e colei nossas bocas, iniciando um beijo doce e apaixonado.
Eu me sentia um caco, sem disposição nem pra levantar um copo de água. E completamente sem sono, apenas recostada no peito de Nick, que respirava tranquilamente e dormia feito um bebê. Eu achava, já que ele se mexeu e resmungou algo. Devia estar no mesmo estado que eu.
No meu apartamento, apenas peguei algumas roupas e acessórios que precisaria para passar o final de semana na casa dele. Depois eu pegaria o restante. Nick me esperava no carro. Segundo ele, não responderia por suas ações, caso subisse comigo. Sorri maliciosa ao lembrar que eu guardava Red Bull na geladeira. Peguei duas latinhas e as levei comigo.
(n.a: play na música :)
Tick, tick, tock, tock
As batidas do relógio ecoavam em minha cabeça. Uma hora e meia da manhã, eu não tinha pregado o olho.
This is This is weighin on me
Quando você põe a cabeça no travesseiro, começa a pensar no seu dia, nas escolhas que fez, é aonde o peso na consciência começa. Os pensamentos afloram quando você menos quer. Para ajudar, o peso de Nick sobre mim. Ele dormira com a cabeça em cima da minha barriga. E em minha alma, o que pesa é mais complicado. Eu ainda tinha medo de me arrepender. Mas queria arriscar.
I know you must had a long day
Lembrei de que apesar do longo dia que ele teve, pode preparar uma surpresa para mim. Às seis horas me buscou, e eu vi em seus olhos que algo o ansiava. Algo em sua mente. Passava das nove horas e ele ainda não o tinha dito.
Now it's nine o'clock and I thought we could talk
Tentei arrancar aquele “segredo”, mas ele não cedeu. Eu ficava pensando em quando ele iria falar. Tinha que ser antes de Grey’s Anatomy, não deixaria de assistir meu seriado por nada. E eu achava que ele ficara brabo comigo. Bobagem. Já que às dez ele me pediu em casamento. Comemoramos. E por mim, poderia se prolongar por toda a noite.
Cuz it's two in the morning
Nick acordou e eu estava com a TV ligada, assistindo meu seriado. A minha reprise, que ele não deixara. Nick pediu, insistentemente para que eu desligasse e voltasse a dormir. Afinal, era duas da manhã. Não quis discutir, eu não queria brigar. Então, apenas disse boa noite e a desliguei.
The lights are out
As luzes estavam todas apagadas. Nick dormia e eu não queria acordá-lo. Então, saí devagar do quarto. Será que eu o magoei? Não foi minha intenção usar aquele tom de voz, mas é que eu estava concentrada na televisão que nem ouvi direito quando falou comigo. Eu estava usando uma camiseta de ursinhos e a cueca boxer favorita de Nick. Ele disse que eu ficava sexy quando a usava. Enfim, fui para a cozinha tomar um café. Eu veria televisão na sala, não queria incomodá-lo. Parei em canal qualquer e passava o clipe 2 in the morning - New Kids on the Block. Era legal. Mas já estava na metade.
Now it's twelve o'clock
You got your back at me
It's almost two in the morning
Tick-tock tick-tock
A música era empolgante, dava até vontade de dançar e cantar junto. Mas aí eu faria barulho e acordaria Nick. Olho para o lado e o vejo sentado nas escadas. O que ele fazia ali?
Girl, I've been layin up all night
- O que faz aí? Pensei que estivesse dormindo... - perguntei.
Cuz it's two in the morning
We can work it out
- Vamos resolver isso, que tal? - ele arqueou uma sobrancelha.
Wake up
Dormi como um anjo e só despertei com o som de sua voz doce me chamando.
Me espreguicei e voltei a dormir. Eu não queria sair dali tão cedo. Porém, Nick insistia em não compreender que eu ainda estava com sono. Ele continuava com suas tentativas fracassadas de me acordar. Eu resmungava algo, com o tom de voz manhoso, mas nada o fazia amolecer - Ew! - fiz cara de nojo. - Seus dentes estão cheios de pão, Nickolas!
Eu fiquei embasbacada olhando para aquele monumento detalhadamente esculpido. Como ele conseguia ser tão gostoso?
1 mês depois...
O telefone tocava em nossa casa - eu me mudara para casa de Nickolas. - insistentemente. Corri do quarto até a sala para atendê-lo. Eu estava sozinha, Nick havia saído para resolver os assuntos da banda, tratar de negócios. Minha respiração estava ofegante no momento em que disse ‘Alô’; eu não era acostumada a correr, não o fazia frequentemente. No outro lado da linha, uma mulher. Bendita mulher! Eu fora convidada a fotografar um dos maiores eventos de celebridades dos Estados Unidos. O Teen Choice Awards. Segundo ela, eu faria as fotos do tapete vermelho. Somente eu, ou seja, eu era oficial, a principal. Isso era demais! Óbvio, aceitei na hora, já que esse era meu sonho. Desliguei o telefone gritando, pulando, dando socos no ar e quaisquer outros tipos de comemoração que existiam.
Acenei com a cabeça para os três rapazes sorridentes sentados na área reservada do restaurante. Assim que Nick e eu nos acomodamos nas cadeiras, engatamos uma conversa muito animada com Brian, AJ e Howie. Devo admitir que eles sabiam ser divertidos, até demais. Almoçamos e pagamos a conta. Deixei o local com a garganta ardendo, eu me acabara de tanto rir. A voz de Nick não soava tão diferente da minha. Mas ainda assim estava um pouco melhor. Combinei com ele de sairmos para ver nossas roupas após o horário de almoço. Ele adorou a oportunidade que me ofereceram. Saímos de loja em loja, caminhamos pela cidade inteira, praticamente. Mas achamos as roupas certas. Voltamos para casa e nos arrumamos.
Ri ao cogitar a possibilidade de colocar um par de chifres em Nickolas. Óbvio que não o faria, não com um adolescente. Ok, com ninguém. Nick demonstrava sua fidelidade e eu jurei a mim mesma fazer o mesmo. Então, como sinal de que não poderia rolar nada, levantei a mão esquerda e mostrei a ele minha aliança. Ele deveria entender que eu era comprometida; em alguns meses, casada. Taylor recebeu o recado, que caiu como bomba para ele, já que aparentemente ficou desapontado. Deus de ombros e apenas mexeu os lábios dizendo ‘Tudo bem’. Saiu dali com a cabeça baixa e eu o acompanhei com o olhar. Sua expressão triste se desfez ao encontrar seus amigos. Ele, agora, ria. Bufei, indignada comigo mesma por desviar minha atenção do trabalho por culpa de um garoto quase desconhecido e bipolar.
- David? - eu estava surpresa. Ele fora meu amigo por 10 anos e de repente, tomamos rumos distintos.
- David - falei baixinho. - Por favor, para.
- Como eu não vi você chegar? - perguntei, lembrando que realmente, eu não o tinha visto.
- Nick, nós estamos em público. Melhor parar com isso - o alertei. Eu sabia que qualquer deslize e viraríamos capa de revista de fofocas.
- Amor, você pode fazer o jantar? - Nick perguntava pela terceira vez, abraçado em mim. - Um amigo vem aqui.
Decidi organizar a casa, ela estava totalmente o oposto do que costumava ser. Eram raros os momentos em que eu ficava sozinha em casa; somente assim, podendo arrumá-la e deixá-la apresentável. Nick sempre alegava que ninguém nos visita, então, para que se preocupar? Mas hoje seria diferente. Ainda preciso descobrir o que cozinhar. Droga, por onde eu começo? Eu olhei pro enorme som, ele olhou para mim e gritou: MÚSICA! Ótimo, ouvindo algo eu me empolgarei e terminarei com essa bagunça num instante. Analisei CD por CD e escolhi um que tinha várias gravações. Sabe como é, a mesma voz enjoa. Eu, pelo menos, não consigo aturar. A primeira música, que eu amava, era Free fallin’, mas não na voz de John Mayer, e sim de Tom Petty e Axl Rose - continuava linda. Resolvi começar pelo quarto mesmo. Joguei as roupas sujas de Nickolas para um canto, o que formou uma grande pilha. Fiz o mesmo com as minhas e cresceu um tamanho considerável. Peguei-as e as levei para a lavanderia da casa - claro, isso me custou mais de quatro viagens.
Nickolas narra:
- E agora, dude? Ela não atende! - eu falava para Brian.
“, meu amor, deu uns problemas na gravação. Vou chegar tarde, me desculpe. Caso Jensen chegar antes de mim - o que eu acredito que aconteça - faça sala por mim. Apenas sala. Hahahaha. Amo demais você. Xoxoxo. Do seu bebê.”
- Aaaaah! - Brian fez uma cara tão gay, que se eu não fosse amigo dele a anos, me afastaria naquele exato momento. - O amor é tão lindo - ele cantarolou.
Você narra:
Terminei a louça. Passei as roupas, guardei no closet. No armário, as toalhas e na cômoda, os lençóis. Estendi as roupas molhadas e olhei no relógio. Quase seis horas. O tempo passara voando e eu nem reparara. E só agora notara que estava completamente cansada. Não era sempre que minha tarde ficava agitada daquela maneira. Fui tomar outro banho e, nesse, gastaria meu tempo para pensar no que cozinhar. Eu não fazia ideia. Enquanto a água quente caía, relaxando meus músculos, eu ia decidindo entre lasanha e strogonoff. O que fosse mais rápido e prático. Escolhi a lasanha. Saí do banho e vesti uma roupa meio descolada, meio social. Ah, deu pra entender, não deu? É, acho que sim. Só sei que quando, novamente, fitei o relógio me dei conta de que a hora não estava a meu favor. Seis e quarenta e cinco. Passei uma maquiagem básica, perfume e fui para a cozinha.
A lasanha estava no forno e eu ligara para uma empresa de bebidas e pedira refrigerantes gelados e algumas bebidas - vodka, vinho, cerveja. Bebidas totalmente distintas, eu não sabia o que o amigo de Nick gostava de beber. Eu não sabia nem como ele se chamava. Peguei meu celular e na tentativa de ligá-lo, descobri que estava sem bateria. Droga! Maldição! E se Nickolas tivesse tentado me contatar? Bufei e catei o carregador no meio da desordem da gaveta. Coloquei aquela porcaria para carregar. A campainha toca. Duas vezes. Sorri, achando que era Nick. Na frente do espelho, dei uma ajeitada no cabelo e fiz a melhor cara sexy que pude. Caminhei até a porta rebolando e sim, me achando a gostosona. Raciocine comigo: se eu fosse baranga, estaria com Nickolas Gene Carter? Há! Sim, eu posso. Dei a última respirada antes de abrir a porta e, finalmente, passei a mão na maçaneta.
- Jensen? - chamei por ele, ao chegar no andar superior.
(n.a: coloca pra carregar)
Seria muito clichê se eu dissesse que Nickolas apareceu naquele exato momento, saiu no soco com Jensen e, como se não bastasse, xingou-me com um dicionário de palavrões, me humilhou e me expulsou de lá? É, tenho certeza que seria. Então, como a autora me Puff...
Ótimo, se eu abrir os olhos e estiver ao lado de alguém como, hum, Mr. Bean, me suicido. Voltemos à realidade.
- , posso te perguntar uma coisa?
- Nem acredito que em dois meses estaremos casados! - ele comentou.
- Volto mais tarde! - avisei ao bater a porta.
Não demorou muito e eu já procurava uma vaga. Desci do carro e liguei o alarme. Cumprimentei o segurança que ficava guardando a entrada e fui falar com a recepcionista. Ela me informou que me esperavam no terceiro andar do prédio. Agradeci e fui até o elevador, fazendo barulho devido ao salto. Como era a primeira vez que falaria pessoalmente com eles, estava inquieta e nervosa. “É normal”, pensei. O elevador parou e eu procureipela porta certa. Achei. Bati. Entrei. Fui recebida calorosamente. Os irmãos, além de lindos, sabiam como passar segurança. Acho que vamos nos dar bem. Conversamos um pouco e eu fiquei mais íntima deles. Já sabia até seus nomes. Agora posso responder o que não pude no dia do Teen Choice Awards. era o nome daquele me encantara. (n.a: gente, quando vocês lerem Nickolas, é o Carter. Quando lerem Nick... é o Nick mesmo .-.)
“Se eu ficar aqui em baixo, faço papel de doente. Se eu levantar, vou ser obrigada e visualizar o conteúdo. Ser taxada ou visualizar? Por que eu sempre tenho que escolher o mais perigoso?”
Levantei-me aos poucos, deslumbrada com aquela calça branca quase colada ao meu olhar. Limitei-me a morder o lábio. Já de pé, levantei a cabeça. Foi aí que meus olhos se encontraram com os de . E eu parecia uma criança babando pelo lançamento de alguma Barbie.
- e não vem? - perguntei quando estávamos entrando no elevador.
- Tchau, . Foi um prazer te conhecer - eu disse me despedindo dele.
narra:
- perdeu o celular - comentei com que esperava o elevador.
Você narra:
- Ouviu alguma coisa? - perguntei a .
- Calma - ele disse afagando minhas costas. - Não é nada.
- Hahahahahahahaha! - eu ria exageradamente alto sobre uma de várias histórias extravagantes e hilárias que me contava.
Passei pouco tempo com , mas o suficiente para saber que ele provavelmente diria não ter entendido minha explicação. Assim, eu teria que repeti-la. E de novo. E de novo. Até minha paciência se esgotar, eu me irritar e ele, como de costume, tirar sarro de minha cara. Talvez esse fosse seu propósito. Entretanto, eu sabia que era pura frescura. Não que ele fosse gay ou algo do tipo. Isso eu não tinha certeza. Ainda.
- Entendeu?
- Boa noite - lhe desejei, por mais que soubesse que ambos acordaríamos com terríveis dores musculares no dia seguinte.
Acordei com o sol batendo na janela. Seus raios ofuscavam minha visão, o que me impedia visualizar os objetos que estavam à frente. O casaco de impedia que eu me movimentasse.
narra:
- Seus idiotas - eu gritei ao bater a porta. - O que pensam que fizeram? O que pretendiam com isso?
Você narra:
Enquanto estava dois andares acima com , eu conversava com . Ele era muito legal. Mas nada, eu repito, nada comparado a . Meu estômago roncou e eu lembrei que não comia a incontáveis horas. Exagerei, mas fazer o que? Era a fome.
Cheguei em casa e Nickolas estava na cozinha. Apocalipse. Aproximei-me dele e vi seus olhos inchados, repletos de olheiras. Ele não dormira? Sentei na cadeira que ao lado dele e levantei seu rosto. Os manteu fechados e deixou uma lágrima escorrer. Mas que inferno é esse?
- Amor - eu alisei seu rosto. - Me escuta...
Poucos minutos depois, Nickolas desceu as escadas no mesmo ritmo e olhou-me intensamente antes de dirigir-se a porta de entrada. Eu ousei lhe fazer uma pergunta:
Eu não sabia se gritava, se chorava, se arrancava meus cabelos, se quebrava os vasos, se me cortava ou se me matava. Na dúvida, faria todos. Porém, a falta de coragem me impedia de cometer os atos - a não ser chorar e gritar, o que era que eu estava fazendo desde que Nickolas me deixara ali, desnorteada.
Ótimo! Mal começara meu dia e ele já estava sendo uma porcaria. Como se a vida não fosse. Me enrolei numa toalha e sem me importar com a temperatura, caminhei lentamente até meu closet. Visualizei as roupas penduradas nos cabides, mas nenhuma que me agradasse. Fechei e caminhei até o outro closet, que claro, era de Nickolas.
Dei descarga pela terceira vez naquela tarde. Passara o dia numa única rotina: da cama para o banheiro e do banheiro para a cama. Esse era o preço que eu estava pagando. Pelo menos, posso deixar um conselho para você. Nunca, em sã consciência, tente se dopar de cafeína. O resultado não é favorável.
Acordei. Na paisagem ao fundo, um sol vermelho-dourado se punha. Se não fosse pela minha fossa, diria que era “o espetáculo da natureza”. Patético. Vida injusta. Mundo arrogante. Tudo seria tão simples se com o estalar dos dedos os problemas fossem resolvidos. Certo?
Vi uma movimentação na cozinha e, instantaneamente, meu estômago roncou. Ele suplicava por comida, ou qualquer outra coisa que seja sólida. Fui direto para a sala de estar, me afundei num dos sofás e liguei a televisão. Zapeei pelos canais até achar algum de meu interesse.
Brian sorriu fraco para mim e eu tentei retribuir - a culpa não era dele. Agradeci mentalmente por ter alguém para conversar. Sem Nickolas, eu parecia estar no inferno. Sozinha, poderia ser mais torturante. Eu considerava Brian um amigo. Mais agora, que ele viera me ver.
As risadas cessaram e nós nos concentramos na televisão. Ele parecia concentrado, enquanto eu estava viajando, a milhas de distância daquela sala. Meu pensamento estava focado na mesma pessoa pela qual eu vinha chorando e me escabelando. Nickolas. Eu não compreendia o tamanho de minha obsessão. Esse amor doentio estava me matando aos poucos. O problema: eu não queria que a chama se apagasse.
- To com fome - reclamei depois de uns cinco minutos. Encarei a bacia de pipoca que ele segurava no colo. Ela estava pela metade.
- Tudo bem, aí? - ele perguntou preocupado.
- É realmente uma pena, eu sei, mas tenho que ir, meu anjo.
Uma semana depois...
“Music... Let’s turn on that radio as loud as it can go. Wanna dance until my feet can’t feel the ground. Say goodbye to all my fears. One good song, they disappear. And nothin’ in the world can bring me down”
Acordei com o despertador tocando Play my music dos Jonas Brothers. Entrar no clima desde cedo. É isso aí. Ri ao notar que tinha dormido com a mesma roupa da noite anterior. Por milagre, comecei o dia com o humor maravilhoso. E dessa vez, não era ironia.
Terminava de passar o rímel quando meu celular tocou. Provavelmente, era algum dos Jonas, me avisando que eu estava atrasada. De novo. A parte boa era a que eles não se importavam - mas ainda queriam garantir meu emprego.
- Quer dar uma volta? - me perguntou assim que terminamos a sessão.
Respirei fundo, sentindo até a alma congelar. Eu estava prestes à enfrentar a fera. Bastava saber se eu conseguiria amansá-la ou deixá-la ainda mais selvagem e enraivecida. Desenhei o melhor sorriso falso que consegui e eu sabia que não o seguraria por muito tempo - tamanho era meu nervosismo.
Por um breve momento, pensei que o encontraria num estado parecido com o meu. Acho que me enganei. E feio. Ele não aparentava ter sofrido, chorado, se escabelado, deixado de comer e outras situações pelas quais eu passara. Ao contrário. Nickolas parecia renovado e nem um pouco triste.
Meia hora depois...
- ... e eu queria decidir com você, como ficamos nessa história - encarei Nickolas, esperando por sua argumentação.
(n.a: ae, mais uma música Q carregue: Go - Hanson)
Evitei olhar para trás - o que doía mais. Caminhei pelas ruas de Los Angeles de cabeça baixa. As pessoas me encaravam. Umas com dó e outras com curiosidade. Peguei o celular do bolso e disquei 8 números conhecidos. Precisava desabafar com a única pessoa que me entenderia. Chamou cinco vezes até eu ouvir uma imitação do Pato Donald atender. Imediatamente ri.
(n.a: play, né? :B)
Continuei fazendo meu caminho. A voz de Nickolas ecoava em minha mente feito um disco riscado. Eu seguiria com minha vida, mesmo que fosse sem ele. Superaria esse amor perdido, mas jamais o esqueceria. Talvez com o tempo eu me acalmasse, os dias amargos amenizassem e eu me acostumaria a acordar e ver uma pessoa totalmente diferente. Comecei a refletir. E toda vez que reflito, lembro de alguma música. Agora, não foi diferente.
For all the love we’ve made
E no final de tudo, avistei . Ele estava no mesmo lugar, com a mesma expressão mista de preocupação, tédio e ansiedade.
You say you love me too
Não sei por que, mas sorri. Por fim, concluí que minha escolha não fora errada. Ele levantou o olhar e sorriu largamente ao ver que eu meu aproximava.
Then go if you wanna go
Algo novo brotava em meu coração e isso fez com que eu apressasse os passos. Corri até ele e o abracei.
I heard your moving van
me girava no ar e mantínhamos um sorriso.
Go if you wanna go
Go
Quando paramos estávamos ofegante e eu não percebera, mas logo nossos narizes se tocaram.
For all the love we’ve made
Esqueci de Nickolas, esqueci de mim. Foquei-me em e em sua boca convidativa.
You say you love me too
Then go…
- O que... - ele começou a falar, mas eu o interrompi.
Peguei a mão de . Ele me levaria de carro.
Cinco anos depois...
Escorei-me na janela de meu quarto. Todas as noites tenho feito a mesma coisa: contemplar as estrelas e pensar em Nickolas. Eu ainda sentia sua
falta e viveria sob essa tortura por intermináveis dias.
Fim.
ATENÇÃO: QUER IR ALÉM? LEIA O FINAL 2 DE 2 - NICKOLAS CARTER.
- Pode perguntar o porquê do exagero - eu não desviei meus olhos da casa de tijolos à vista. Simplesmente exuberante. - Tanto faz - ele disse -, todo mundo pergunta isso. Ele é solteiro.
Soltei um ‘hum’, como se estivesse concordando e quando voltei à realidade, Nickolas abrira a porta. Se ele não estivesse na minha frente, eu teria caído no chão, de tão fascinada. Ele estalou os dedos e eu peguei sua mão. Seguimos direto à porta e ele apertou a campainha várias vezes.
- Chega, Nick - nós rimos. - Eles já ouviram. É pior do que criança!
- A sua criança - ele disse com uma voz de bebê.
- Awn! - eu disse. - Só meu - dei um selinho nele.
Na mesma hora, um AJ baderneiro abriu a porta, seguido por mais dois acéfalos que comemoravam nossa chegada: Howie e Brian.
- A sua criança - AJ disse debochando e caiu na gargalhada. Nick cerrou os olhos e deu um pedala nele.
- Outch! - Brian disse. - Doeu em mim.
- Bem feito - Howie ria da cara de dor do amigo.
- E aí, caras?! - Nick passou reto por AJ, que o olhou feio, e cumprimentou os outros dois.
Eu ri e nos abraçamos. Era costume cumprimentá-los dessa forma. Todos eles. Entretanto, eu sabia que Nick era um pouco ciumento. Não tiro sua razão, acho até necessário o ciúme - desde que não seja possessivo. AJ me deu passagem e fomos ao encontro dos outros que cruzavam a porta dos fundos, aonde tinha a churrasqueira, uma mesa, cadeiras e um refrigerador. Um lugar coberto, então se caso chovesse, não atrapalharia em nada.
Exatamente isso aconteceu. O sol sumiu, dando lugar a uma trovoada. Voltou a desabar água. Clima doido.
- Ela quem? - perguntei, sentando no seu colo.
AJ ocupou uma das cadeiras vazias, ao nosso lado.
- A minha namorada. Era sobre ela que conversávamos. A mais bonita, a mais carinhosa, a mais delicada. Como eu dizia - ele direcionou seu olhar ao meu -, ela é perfeita!
- Ela é um ser humano e tem defeitos, sabia?
- E são esses defeitos que a deixam mais perfeita do que todas - ele disse sério. Os outros apenas observavam nosso momento ternura.
- Uh! - eu disse. - Invejei - sorri.
Nick riu baixo e eu não dava a mínima sobre estarmos sendo observados ou não; o beijei com desejo e ele retribuiu na mesma intensidade. Fomos parando aos poucos com selinhos. E desde que eu descobrira o quão bom era acariciar aqueles cabelos, eu não os tinha deixado em paz. Nick não reclamava.
- Ai, ai, ai - AJ disse com a voz afetada (lê-se: gay), se abanando e fingindo limpar uma lágrima inexistente.
- Já posso até ouvir - Brian disse.
- Essa é velha, não cola mais! - Howie tentou cortar o amigo.
- Mas eu inovei, seu imprestável! - Brian protestou.
- Deixa o Mr. Joke ser feliz - Nick interveio a favor de Brian. - O que você pode ouvir?
- Os sinos - AJ falou, imitando a voz de Brian.
- Essa é velha - Howie repetiu, revirando os olhos.
- Posso falar?
- Fala - eu disse, já impaciente.
- Os gemidos - Brian falou, orgulhoso.
- Ahn? - Howie e AJ perguntaram.
Eu fiquei com um medo súbito da resposta.
- Da lua-de-mel - Brian completou. - Pronto! Agora podem rir.
AJ e Howie ficaram quietos e Nick pensou antes de revidar.
- E quem disse - pausou - que é só na lua-de-mel?
Brian fechou expressão. Howie batia palmas feito uma foca. AJ rolava no chão de tanto gargalhar e gritava coisas como ‘Ai, minha barriga!’. Nick mantinha a cara de convencido. E eu? Bem, eu continuava procurando um lugar melhor para me enterrar do que o pescoço de Nick.
Eu tinha quase certeza de que ele se chamava Nickolas Gene Carter ou, simplesmente, Nick Carter. Se meu destino estava ali, eu iria investir nele. Entregar-me de corpo e alma - não que eu já não tivesse me entregado de corpo. Se estava escrito que eu deveria ficar com ele até meu último suspiro, assim o faria. A saudade bateu quando vi que dormira sozinha, dessa vez. Não apenas a saudade, mas também a dor de cabeça.
Recapitulei todos os acontecimentos do dia anterior e cheguei a breve conclusão de que eu ficara completamente bêbada - junto de AJ e Howie -, fora carregada até em casa. Nick prontificou-se a não beber e a cuidar de mim. Que vexame. Que vergonha. Quando, normalmente, deveria ser ao contrário. Era eu quem teria cuidado de Nick. Suas ações demonstram muito mais do que amor. Demonstram zelo. Chegou a hora de tornar isso recíproco.
No espelho, um bilhete grudado. Com a letra meio deformada e, devido a sonolência, quase ilegível, Nick escreveu:
Programei o celular para despertar, voltando somente a acordar às três horas e trinta minutos. Eu estava me sentindo muito melhor. Saltitando, parei em frente ao closet. Tanta roupa e nenhuma me agradava. O pior é que eu não tinha uma amiga que pudesse me emprestar. Nota mental: ser mais sociável e fazer amizades. Liguei a televisão e coloquei no canal da previsão do tempo. Sem chuvas e muito, muito sol. Combinação perfeita: vestido de alças e sandália.
Ele estava deslumbrantemente lindo! Camisa, sapato e calça sociais. O cabelo, como eu gostava, no mesmo penteado de sempre: levemente bagunçado com gel. O recebi com um abraço demorado - eu estava com saudades daquele perfume -, seguido de um beijo, também demorado. Descontei ali, toda a falta que ele me fez durante o dia. Ele desfez o beijo mordendo meu lábio inferior. Sorrimos um para o outro.
- Linda, sedutora e sexy - ele disse galanteador.
- São seus olhos - falei no mesmo tom -, que são cegos - completei fazendo-o rir.
- Você é cega, por não enxergar toda essa beleza natural - ele alisava meu rosto. Eu fechei os olhos, tentando esconder a timidez.
- Surpresa - ele disse misterioso.
- Adoro surpresas! - exclamei.
- Sério? - ele perguntou e eu concordei. - Então chega perto - eu me aproximei e ele tirou do bolso uma venda e eu entendi sua intenção.
Deixei que ele a amarrasse em mim, assim, eu não veria nada durante o trajeto. O sentimento de curiosidade me atraía. Ouvi ele ligar o carro e depois arrancar. Silêncio absoluto. Até eu quebrá-lo.
- Já vamos chegar? - eu perguntava de cinco em cinco minutos.
- Calma, meu amor - ele segurou minha mão e eu, magicamente, me acalmei. - Falta muito pouco.
- Eu aguento - disse mais para mim do que para Nick. - Eu acho.
Ele riu e quando eu menos esperava, tinha estacionado o carro. Suspirei aliviada.
- Vem comigo - ele disse, abrindo a porta e esticando a mão para mim. Eu a segurei, ele fechou a porta e ligou o alarme. Seguimos lentamente pelo caminho.
O cheiro de maresia invadiu minhas narinas e eu deduzi que estávamos em alguma praia. Porém, em momento algum pisamos na areia. Pelo contrário, parecíamos andar sobre algo de madeira. Ele me guiava com cuidado, como se eu pudesse cair no menor descuido. Nick falou com alguém, um homem, mais especificadamente e me ajudou a subir umas escadas.
Paramos em um lugar de onde eu podia sentir o vento acariciar meu rosto e atingir meu cabelo. Ele me posicionou de costas para ele, sussurrou em meu ouvido que me amava, beijou meu pescoço e retirou a venda. Eu mal conseguia acreditar no que via. No mar, em um iate, somente nós dois, nada poderia ser mais perfeito e encantador. Agradeci milhões de vezes a Nick, das melhores formas possíveis. Segundo ele, meus olhos brilhavam mais do que as próprias estrelas no céu.
E ainda não acabara. Nick, por si, preparara um jantar magnífico. Jantamos e ficamos sentados, ali fora mesmo, alternando conversas sobre inutilidades e futuro. Por várias vezes me declarei a ele, eu queria que Nick soubesse o quanto me fazia bem. Nada poderia estragar nosso momento - que ficaria gravado eternamente na minha memória.
Nick levantou-se e eu o segui até a ponta do iate, aonde havia grades. Posicionei-me a sua frente e o abracei pelo pescoço. Ele parecia um boneco sob a luz da lua. Nick me abraçou por trás e som das águas balançando juntamente com o vento dava um toque de cena de filme americano ao que se passava ali.
- Sabe - ele começou -, você foi o melhor presente que Deus já me concedeu.
- Não poderia existir alguém melhor do que você - eu disse baixinho e ele apoiou o queixo no meu ombro.
- Eu te amo, .
- Eu também te amo, Nickolas.
- Não importa se é cedo ou o que irão pensar. Acho que essa é a hora de dar um passo a frente, deixar nossa relação tomar um rumo mais sério.
Eu sorri. Sorri como nunca tinha feito antes. Eu tinha entendido o que ele disse.
- - virei-me para ele, sorrindo fraco por fora e soltando fogos de artifícios por dentro. - Quer ser minha pra sempre? Aceita se casar comigo?
Impressão minha ou o vento gelado parou, deixando a temperatura aquecer? Ah, não. É apenas o Nick passando a mão descaradamente na minha coxa. O provoquei por cima da calça e ele gemeu, o que me deixou extasiada. Eu tinha uma leve noção de como aquilo ia acabar, então, desacelerei meus movimentos. Queria aproveitar ao máximo e deixá-lo louco. A ponto de explodir. Um pouco de tortura não ia fazer mal, eu acho. Tanto porque ele também estava me torturando. Grudei nossos corpos, o puxando pelo cós da calça. Avancei para seu pescoço e comecei a mordê-lo. Dane-se. Ele era meu e eu fazia o que entendia com ele. Se ficassem marcas, depois ele dava um jeito. O que não ia adiantar, eu as faria novamente. Percebi que ele se segurava para não avançar o sinal, então deixei que ele tomasse o controle e pegasse minha posição. Ele passou a morder meu pescoço.
Em aprovação, eu gemia cada vez mais alto em seu ouvido, sabia que aquilo o deixaria cada vez mais empolgado. E eu estava certíssima. Nick subiu meu vestido e agora investia mais acima. Direcionou os lábios para meu colo e foi subindo até nossas bocas se encontrarem novamente, agora, com um insaciável desejo. Abri os olhos por um segundo e lá dentro, pude enxergar uma cama redonda. Era tudo o que precisávamos agora. Uma cama bem resistente. Sussurrei em seu ouvido um “Me pega!” bem sexy e ele delirou. Soltei-me de seus braços e fui em direção a cama. Ele acompanhou meus movimentos com o olhar e só caiu na realidade no momento em que eu chamei por seu nome. Ri quando ele correu ao meu encontro, tamanho era seu desespero.
Puxei sua gravata, o fazendo cair por cima de mim e recomeçamos os mesmos movimentos. Porém, nos livrando de nossas roupas. Naquele momento, elas eram os maiores empecilhos. Num piscar de olhos, estávamos apenas vestindo nossas roupas íntimas. Não demoramos a tirá-las e a consumar o ato. Duas vezes.
- To sem sono - disse ele. - E esgotado.
- Somos dois - concordei. - Depois de tudo o que fizemos não podia dar outra.
- Não mesmo - ele riu.
- Hey! Você entendeu o que eu quis dizer.
- Ninguém mandou falar uma frase com duplo sentido.
Eu parei e analisei o que tinha dito. Nick tinha razão, eu precisava parar com essas ambiguidades.
- Liga a TV - pedi.
- Ok - ele respondeu.
Na televisão passava alguma reprise de Padrinhos Mágicos. Até que era engraçado. Assistimos mais um pouco e fomos tomar banho. Ele tinha alugado o iate por uma noite inteira, mas já que não conseguíamos dormir, iríamos pra casa. Enquanto nos vestíamos, Nick me fez uma proposta: me mudar para sua casa - que convenhamos, era gigante. Obviamente, eu aceitei. Agora que estávamos noivos, teríamos que nos acostumar com a vida em casal.
Coloquei a mala no banco traseiro e alcancei uma lata para Nick que me agradeceu. Ambos, sim ambos, precisávamos daquela energia. Ele tinha tomado tão rápido que eu nem percebi. A minha continuava na metade. Eu não via a hora de deitar e, supostamente, dormir. Eu estava cansada, não morta. Nick também. Olhei a hora no celular, ainda não era nem onze horas. Dava tempo de assistir um capítulo de Grey’s Anatomy. Isso, se o Nickolas permitir. Dez minutos e ele estacionava o carro na garagem. Guiou-me pela mão, para que eu não me perdesse naquela imensidão. Não preciso dizer que a casa dele era quatrocentas vezes maior que a minha, preciso? Ok, posso ter exagerado, mas só um pouquinho. Digamos que, modestamente, ela era gigante. Não vou perder tempo e paciência resumindo.
Larguei minhas coisas no quarto dele e fiquei admirando suas guitarras e violões até que ele me chamasse. Me mostrou os outros cômodos da casa e depois nos ocupamos com outra coisa. Sua desculpa foi que tinha reprise de Grey’s Anatomy na madrugada. Uma hora e meia da manhã, eu não tinha pregado o olho.
Tick, tick, tock, tock
Isso é o que pesa sobre mim
This is weighin on my soul
Isso é o que pesa em minha alma
Eu sei que você deve ter tido um longo dia
Cuz at six o'clock I heard you say
Pois às seis horas ouvi você dizer
There was something that was on your mind
Que havia algo que estava em sua mente
But you ain't told me and it's almost nine
E você não me disse e já são quase nove horas
Agora são nove horas, pensei que poderíamos conversar
But you ain't giving me
Mas você não cede
Will this ever end?
Será que isso não vai acabar?
Girl, it's almost ten
Garota, são quase dez horas
Gotta know if you're mad at me
Preciso saber se você está braba comigo
Before Grey's Anatomy
Antes de Grey’s Anatomy
Cuz we could drag this out all night
Pois podemos prolongar isso à noite toda
Pois são duas da manhã
Girl, what you wanna do?
Garota, o que você quer fazer?
Do you wanna fight?
Você quer brigar?
Wanna say good-night?
Quer dizer boa noite?
If you tell me you want it, this could be over
Se você me disser o que quer, isso pode acabar
As luzes estão apagadas
Don't want to wake you so I'm creepin in
Não quero te acordar, então saio devagar
I know you're hurt
Eu sei que você está magoada
Cuz baby you're not sleepin in
Pois não está dormindo com
My favorite pair of boxers
Minha cueca boxer favorita
That you make look so hot girl
Que te deixa tão gostosa, garota
You're playin' sleep but I know you're not girl
Você finge que está dormindo, mas eu sei que não está
Agora é meia-noite
And I thought I should talk
E eu acho que posso falar
But you're not listenin'
Mas você não está escutando
Here we go again
Aqui vamos nós outra vez
You know I like it when
Você sabe que eu gosto quando...
Você está de costas para mim
But not when you're mad at me
Mas não quando você está braba comigo
Please look at me and say good-night
Por favor, olhe para mim e diga boa noite
São quase duas da manhã
Girl, what you wanna do?
Garota, o que você quer fazer?
Do you wanna fight?
Você quer brigar?
Wanna say good-bye?
Quer dizer adeus?
If you tell me you want it, this could be over
Se você me disser o que quer, isso pode acabar
Oh, oh, oh
I wanna come over
Eu quero chegar perto
Oh, oh, oh
Baby turn over
Querida, vire-se para mim
Oh, oh, oh, yeah
Garota, eu estive acordado a noite toda
Just waitin for your kiss good night
Apenas esperando pelo seu beijo de boa noite
Even if you're mad at me
Mesmo que você esteja braba comigo
You know we shouldn't go to bed angry
Você sabe que não deveríamos ir para a cama irritados
- Não consigo - ele disse. - Não sem você do meu lado.
- Ah, eu queria assistir Grey’s Anatomy, mas perdi a vontade.
Desliguei a TV.
- Eu estava até esperando pelo seu beijo de boa noite.
Aquilo que ele disse soava tão carinhoso que eu não pude deixar de sorrir.
- Não está braba comigo porque eu não deixei você ver TV no quarto, está?
- Não! Nunca - disse chegando perto dele.
Me abaixei a sua altura e continuei falando.
- E mesmo que estivesse, você sabe - beijei sua bochecha -, que não devemos dormir irritados um com o outro.
Ele concordou e me beijou. Subimos de mãos dadas para o quarto. Talvez agora eu conseguisse dormir.
Pois são duas da manhã
Girl, what you wanna do?
Garota, o que você quer fazer?
Do you wanna fight?
Você quer brigar?
Wanna say good-night?
Quer dizer boa noite?
If you tell me you want it, this could be over
Se você me disser o que quer, isso pode acabar
Podemos resolver isso
I wanna come over
Eu quero chegar perto
Rapidamente concordei. Não sei de onde tiramos disposição, mas resolvemos qualquer conflito - mesmo inexistente -, naquele instante.
Acorde
Get up
Levante-se
- Acorda, ! Vamos, levanta. Tem um sol lindo lá fora! - ele me balançava devagar e distribuía beijos pela minha face.
sempre duro \o/. Sem hesitar, o puxei pelo pescoço, fazendo com que caísse em cima de mim.
- Fica aqui comigo - eu disse baixinho, acariciando seus cabelos.
- Desse jeito eu acabo dormindo - ele riu de uma maneira gostosa.
Eu continuava com os olhos fechados.
- Não quero - ele levantou. - Além disso, seu café tá esfriando e as torradas também.
Torradas e café. Palavras mágicas. Instantaneamente, meu raciocínio de lento foi para a velocidade da luz - o que fez com que eu, num pulo, sentasse.
- Aonde? - perguntei.
Ao olhar para o lado oposto, me deparo com uma enorme bandeja. Nela havia três torradas e duas xícaras de café. Provavelmente, Nick me acompanharia. Olhei para ele, que sorria fraco.
- Obrigada! É perfeito, eu amei! - o puxei para um abraço.
- Vamos comer - ele colocou a bandeja, que tinha pernas de apoio, virando uma mesa, entre nossas pernas. Ele pegou uma torrada e uma xícara. Eu fiz o mesmo.
- Huuuuuum - fiz sinal de aprovação ao morder o lanche. Ele sorriu satisfeito.
Ele mandou o dedo do meio e eu fiz uma pose ofendida. Nick deu de ombros e continuou a comer tranquilamente.
Fiz o mesmo.
- Duas torradas não é demais para mim? - perguntei ao terminar a minha.
- Quem disse que é pra você comer? - ele a pegou - É “menha” - disse com a boca cheia.
- Gordo! - fiz uma careta.
Ele largou a metade da torrada no prato, caminhou até o espelho, olhou-se por alguns segundos, virou-se e andou até a ponta da cama. Pensativo, ele me perguntou, tirando a camiseta:
- Gordura? - perguntou apontando para sua barriga de tanquinho.
morram
- Vai derramar - falou rindo.
Realmente, eu quase derramara café sobre mim. Ele vem provocar logo de manhã, me deixa tonta como zumbi e quer que meu cérebro funcione corretamente? É muita exigência para uma reles ser humana.
- Veste a droga da camiseta - pedi, rindo.
Ele riu alto e a vestiu. Voltou ao meu lado e ficou espantado ao ver que, imperceptivelmente, a torrada sumira.
- Cadê ela?
- Não sei - comecei a assoviar discretamente.
- Eu não me importo - ele disse dando um beijo na minha testa. - Ah! - ele disse como se tivesse se lembrado de algo importante. - Eu preciso te
dar uma coisa.
- O que? - perguntei, deixando transparecer curiosidade.
Ele pegou uma caixa na gaveta e me chamou até lá. Parei em sua frente, olhando em seus olhos terrivelmente parecidos com o paraíso. Total perdição. Esticou sua mão e nela estava a tão esperada caixinha. Ela era de veludo. Abriu-a e eu senti a emoção tomar conta de mim. Duas alianças de compromisso. Colocamos as alianças e depois de vários ‘eu te amo’, finalmente acabamos com a distância que nos separava. Nesse mesmo dia, fomos ao cartório. Nos casaríamos daqui a 5 meses. E em mim, a imensa vontade de gritar aos ventos, para o mundo, que o amava.
O único problema é que me contataram em cima da hora. O fotógrafo sofrera um acidente, então, eu o substituiria. E faltava menos de doze horas. Eu precisava fazer compras e eu tinha exatas duas horas para estar em casa e almoçar com o Nick - eu prometera, na noite anterior, ir a um restaurante com ele e os amigos. - Troquei meu pijama pela calça jeans cinza e uma blusa rosa. Nos pés o mesmo de sempre: um sapato social. Não, eu não uso all star. Borrifei perfume exageradamente no pescoço e no pulso. Escovei o cabelo para me certificar de que ele ficaria quase impecável. Na maquiagem passei apenas o mais básico: rímel, blush e batom. Não sairia feito um espantalho na rua, seria ridículo. E, para finalizar, antes de sair de casa, deixei um bilhete colado na geladeira para Nick, caso ele chegasse antes de mim. Peguei minha bolsa e fui para o desafio do dia.
As ruas estavam mais movimentadas como de costume, as pessoas não caminhavam, corriam. Apressadas para algum tipo de compromisso e sem deixar de falar no celular. Eu simplesmente enxergava vultos, não seres humanos. Essa gente, um dia, ainda morre de parada cardíaca. Entrei na primeira loja que vi. Experimentei todos os vestidos que gostei - afirmo que, não eram poucos -, mas nenhum deles parecia ficar perfeito/sensual em mim. Para complicar, eu não tinha uma opinião alheia que valesse. Eu deveria ter chamado o Nick. É isso! Devolvi os vestidos para a atendente e dispensei seus serviços, agradecendo. Saí daquela loja e tomei o rumo de casa. No caminho, parei em uma Starbucks e comprei muffins. Nick amava muffins, principalmente os de chocolate. Eu não me importava em agradá-lo, não mesmo.
Cheguei em casa e ela continuava vazia. Rasguei o bilhete e o joguei no lixo. Tirei o sapato e coloquei minhas pantufas, enquanto pensava no que fazer para passar o tempo. Pensei em escutar música, mas não tinha paciência o suficiente para cantar, agitar ou até mesmo chorar com elas. Então, antes que eu pensasse em desistir, fui para a internet. Visitei todos os sites que conhecia. Blogs de humor, sites de relacionamento - myspace, facebook, twitter - e até sites de entretenimento. Foi ali, jogando, que o tempo passou mais rápido. Desliguei o notebook e fui retocar a maquiagem e me arrumar melhor. Não demorou muito e o barulho de chaves na porta me fez sorrir. O meu amor chegara.
- ?! - ele gritou.
- Aqui no quarto - respondi no mesmo tom.
Ele subiu as escadas apressado e, logo que chegou no quarto, abraçou-se em mim.
- Senti sua falta - eu disse, depois de beijá-lo.
- Mas eu nem fiquei fora por tanto tempo.
- Não interessa - retruquei. - Qualquer instante longe de você é muito.
Ele sorriu e voltamos a nos beijar.
Ele estava perfeito e, segundo ele, eu também estava. Por que duvidar de Nick Carter? Me posicionei atrás da câmera e esperei que os primeiros famosos aparecessem e posassem para as fotos. Diverti-me muito fotografando Nick e seus companheiros. Eles faziam as poses mais bizarras que eu pudesse imaginar. As fotos do evento iriam para a revista ‘People’. Nos créditos, apareceria meu nome. Continuei umas boas três horas apenas fazendo a mesma coisa. Mais um ‘click’ e eu explodiria de tédio. Um garoto, de mais ou menos dezesseis anos atravessou o tapete vermelho e fez a sua melhor pose. Estaria mentindo se dissesse que ele não chamara minha atenção. Já que, para um adolescente, era bem musculoso. Eufemismo para gostoso. Taylor Lautner é seu nome. Eu não sabia se era ilusão, realidade, ou até fruto de minha imaginação. Ele realmente piscou para mim?
Um sorriso falso, elegância e de volta ao trabalho! Eu rezava para que aquilo acabasse de uma vez. Várias vezes desejei uma chuva para que todos entrassem correndo, assim eu poderia me divertir também, ao lado de Nick e seus amigos. Mas a maldita não apareceu, nem uma gota. Conclui que teria que me esquecer do mundo para que o tempo passasse voando. Assim o fiz. E, como se meus pedidos tivessem sido realizados, não faltava mais ninguém e eu estava livre para desfrutar da noite. Acertei os negócios com aquela mesma mulher que me contratara. Eu receberia depois das fotos serem publicadas. Não tinha o que reclamar, não fiz objeção, apenas assenti. E fui procurar por Nick, no meio de milhares de poltronas. É só achar uma cabeça loira. Ótimo! Reduz pelo menos 40% dos homens. Fiquei circulando pelo local feito uma barata tonta; me sentia perdida ali. Senti alguém cutucar meu ombro.
- Procurando alguém? - me assustei ao ver quem era.
Pensei em perguntar o que ele fazia ali, mas seria algo totalmente estúpido. Ele trabalha na Disney.
- ! Quanto tempo, não?
- Sim... - respondi sem muito interesse; eu continuava a procura de Nick.
- E as novidades?
- Nada extraordinário e você?
Eu sei, poderia ter dito que estava noiva. Pode me chamar de burra, já que ele sorriu feito uma hiena. Claro, deduziu que eu estava solteira. O que em parte não era mentira, Nick me deixara desacompanhada.
- Na mesma.
Ele olhou dentro de meus olhos e eu vi nos seus admiração.
- Hum - resmunguei. Resolvi perguntar se ele não tinha visto, por acaso, o meu noivo perdido. Já percebeu que eu AMO citar a palavra ‘noivo’? - Você não viu por aí, Nick Car...
- Vem, vamos pegar uma bebida - ele saiu me puxando pela mão. David não mudara nada. Exatamente igual a dois anos atrás. Só um pouco mais irresistível e cheiroso, mas isso não interferia em nada.
Quando dei por mim, estava sentada em frente ao bar com meu ex melhor amigo, bebendo e sendo, descaradamente, flertada. Parabéns, , por não ter contado que você é quase casada, e por ficar correspondendo aos olhares inocentes e dar esperanças a esse pobre ser. E mereço o prêmio de narcisista do ano!
- Sabe, - ele começou, chegando mais perto. - Eu ainda não me esqueci daquela nossa promessa.
- Pelo amor de Deus, David! Nós só tínhamos 13 anos. Éramos apenas crianças que acreditavam no amor eterno.
- Eu ainda acredito.
Ele deu um gole e continuou me fitando com aqueles olhos azuis. Senti minhas bochechas arderem.
- Desculpe, mas eu, infelizmente não acredito mais - disse, lembrando de todas as experiências que tive.
- Mas e se tentarmos? Me dá outra chance? Tenho certeza que podemos levar isso a sério.
David se aproximava cada vez mais e diminuía o tom de voz. Eu precisava cortar o clima antes que fizesse alguma besteira.
- O que tem de errado em nós ficarmos? - ele perguntou visivelmente confuso.
- É estranho - fiz uma careta. - Você era meu melhor amigo, sumiu e agora aparece de novo com outras intenções.
- E daí? Agora vai me dizer que não quer?
- Querer não é poder.
- Não entendi.
Bufei.
- David, eu vou me casar daqui a quatro meses e alguns dias - disse sorrindo e fitando o anel.
- Hum - ele disse. - Posso saber quem é o sortudo?
- Nickolas Carter - respondi.
- Ah, aquele que canta com a bunda? Do Backstreet Boys?
- Ele mesmo.
- Não conheço - ele riu. - Tá brincando, né?
- Não - disse, com uma vontade extrema de matar, ressuscitar e matar ele de novo.
- Foi mal - falou, passando a mão nervosamente pelo pescoço.
- Não compreendo esse mau julgamento das pessoas em relação as boybands. São uma banda como qualquer outra. Por que todos acham que eles devem ser necessariamente gays que cantam em tom agudo? (n.a: desabafei ._.)
- Eu já me desculpei.
Concordei com a cabeça e achei melhor mudar de assunto. David me contava sobre seus projetos cinematográficos e os seriados da Disney que estava escalado para fazer. E eu? Fingia interesse. Estava mais preocupada em encontrar o meu Nick. Pronomes possessivos, é o que há! De vez em quando respondia com um ‘aham’ e ele prosseguia animado. Somente retornei meu pensamento a David quando ele citou Nick.
- Ele é um pouco velho, não acha?
- E o que você tem a ver com isso, David?
- Eu acho que você deveria arrumar alguém mais novo.
- Pra começar, você não acha nada. Quem tem que achar sou eu.
Sim, ele me irritara. Se odeio me intrometer na vida alheia, imagina quando o fazem comigo!
- Continuando - eu disse, ao ver que ele se manifestaria. - Eu já cresci o suficiente para entender suas indiretas. E, para finalizar, eu sou apaixonada por ele. Isso não basta?
- É, você tem razão - ele riu tímido.
- Sempre tenho razão.
- Agora vai se achar pro resto da vida.
- Você me dá motivos, caro David - bati de leve no seu ombro. Ele riu.
- Conhece a palavra atraso?
- Seu sobrenome.
- Explicado. E por falar em atraso, seu namorado não vem?
- Ele está por aí, com os amigos. Estava procurando ele, quando você me abordou.
- E eu fico me perguntando que tipo de palhaço deixa uma dama solta por aí...
Eu teria respondido, mas alguém pulou na minha frente.
- O palhaço que vai casar com ela.
Nick apareceu e logo se abraçou em mim. Instinto masculino de proteção. Eu não o trocaria por David e, talvez, ele soubesse disso.
- E aí? - David sorriu constrangido. Seu celular tocou e ele suspirou aliviado. - Vou lá - disse e nós acenamos para ele.
- Ele estava te incomodando? É só pedir que eu arrebento a cara dele e o faço em pedacinhos.
Eu ri alto.
- Esquece ele, meu amor.
Nick concordou comigo e me beijou.
- Fiquei te procurando por um tempão.
- Não preciso nem dizer que eu fazia o mesmo.
- Então vamos matar a saudade.
Nickolas se abraçou em mim, me prensando contra o balcão. Beijou-me intensamente como se o mundo fosse acabar naquele exato momento. Eu teimava em bagunçar seu cabelo. Finalmente, depois de um tempo, nos desvencilhamos - não que eu quisesse.
- Você me deixa louco - disse ele, beijando meu pescoço e eu inalava seu perfume da mesma forma que precisava do maldito oxigênio.
- Você me deixa chapada - falei no ouvido, ofegante. - Chapada de amor.
Ele riu e, como senti sua respiração tocar na minha pele, estremeci.
- Me abraça - ele pediu e eu o abracei.
- Vamos nos sentar? Já vai começar e...
- Agora não dá - ele disse sério e eu caí na gargalhada.
- Isso, ria! É comigo, eu sou o homem. Pode rir a vontade! - ele ironizou.
- Não fala o que não sabe, Carter. Se duvidar, estou pior que você.
- Pelo menos não é visível.
Eu ri novamente.
- Fica quieta! Você, também, não ajuda em nada.
Resolvi fazer o que ele tinha pedido e em pouco tempo, ele voltara ao “normal”. Ele me levou até onde estava com seus amigos antes e assim que sentamos, começaram a anunciar os vencedores. Nomes como Zac Efron, Ashley Tisdale, Miley Cyrus, Demi Lovato, Vanessa Hudgens, David Henrie - sim, o próprio -, Drake Bell e Mitchel Musso foram alguns dos vários nomes citados.
Resolvi prestar atenção quando anunciaram as bandas e somente uma me instigou: Jonas Brothers. Três irmãos cujas calças atraíam mais olhares do que as próprias músicas. Nickolas me repreendia a toda hora, alegando que eu tinha as coxas dele para olhar ao vivo e, obviamente, da forma que eu quisesse. Traduzindo: com ou sem as calças. Ciúmes era a única explicação para aquilo.
Então, para não causar mais confusão, decidi olhar para o rosto de cada um deles. Todos tinham manias diferentes. Um deles tinha o costume de tirar a franja do olho e fazer piadinhas. O outro, que tinha como marca registrada as costeletas, fazia rodopios com a guitarra e tinha uns olhos verdes - creio eu - encantadores. O outro, de cabelo cacheado - sabe, aquele estilo que dá vontade de fazer ‘tóin’? - era multifuncional: guitarra, bateria, piano e tinha uma voz - junto com os gemidos nas músicas - delirante! Eu desejei ser amiga deles, já que não daria para subir um nível a mais. Porém, apenas um me interessara, na verdade. E, infelizmente, eu não sabia seu nome.
- Claro - sorri. - Que amigo?
- Você não conhece.
- Ok.
- Vou trabalhar. Gravar umas músicas novas. Será que mereço um beijo de boa sorte?
- Não - eu disse seca, mas mudei o contexto ao ver sua cara de dor. - Merece muito mais, mas já que não temos tempo pra... hum... aquilo, se contente com meu beijo.
Ele riu, balançando a cabeça, como se dissesse “Você não presta”. O puxei pela nuca e nos beijamos lentamente - eu ficaria o resto da tarde sem vê-lo. Porém, o que eu não esperava, era que Nick me empurrasse de volta à cama e largasse seu peso em cima de mim.
- Você vai se atrasar - eu disse ofegando.
- Não me importo - ele falou, mordendo minha bochecha.
- Mas eu me importo! - disse, o empurrando de leve. - Não quero um homem desempregado e vagabundeando - rimos e ele se conformou.
- Então, tchau - ele me tascou mais um beijo. - Eu te amo - sussurrou em meu ouvido.
- Seu tarado! - eu disse rindo, quando o vi sair do banheiro e vestir as mesmas roupas.
- O tarado que você não vive sem - ele rebateu e eu calei-me. Afinal, era verdade. - Fui - ele me mandou um beijo e dessa vez, literalmente, voou pela casa. Apenas ouvi o barulho da cantada de pneus e logo, desapareceu. Desejei que cancelassem essa gravação ou que pelo menos, acabasse a gasolina. Eu sei, sou egoísta.
Mas, convenhamos, quem não iria ser?
Parei na cozinha e tomei um copo de água. Voltei ao quarto e a música estava acabando. Sem paciência de ouvir os solos finais, troquei. AC/DC - Shook me all night long. Nunca tinha ouvido, mas deixei. Troquei os lençóis da cama e coloquei os usados no mesmo lugar onde estavam nossas roupas anteriormente. Fiz o mesmo com algumas toalhas molhadas que Nick e eu deixamos penduradas. Droga, mais uma caminhada por esse labirinto, digo, casa. Lá fui eu de novo do quarto à lavanderia, da lavanderia ao quarto. Uma grande parte eu já tinha feito, mas como sou muito tapada, esqueci de colocar para lavar toda aquela manada de roupas. Revirei os olhos e bufei irritada comigo mesma e, graças a Deus, para facilitar minha vida de parasita, havia três máquinas na lavanderia. Numa, coloquei as roupas de Nickolas, na outra, as minhas e na outra as toalhas. Os lençóis, eu teria que lavar a mão, já que o veado do Nickolas me subornou com os de seda. Por que eu aceitei mesmo?
Fui fazer aquele sacrifício e quando terminei estava toda suja, molhada e suada. O que eu fui fazer? Banho. Mais roupas e mais toalhas para lavar. Ponto para mim! Saí do banho me sentindo renovada e nem percebi que já acabara a playlist do CD. Voltei até onde parara e deixei tocando de novo. Ne-Yo - Ms. Independent. Aumentei o volume até o máximo e escancarei a porta do quarto, para que o som ecoasse pela casa. Desci as escadas dançando como uma louca no hospício. Estendi todas as coisas que tinha lavado e coloquei as outras, de qualquer jeito, em uma máquina. Caminhei até a sala. Enquanto jogava fora as latas de refrigerante e as caixas de pizza, eu cantava. Juro, não queiram ouvir. Organizei as almofadas no sofá. Olhei em volta e verifiquei se tudo estava em seu lugar. Pensei e conclui que faltava a louça na cozinha. Me espreguicei ouvindo vários ossos estalarem. Medo. Na cozinha, percebi a troca de faixa, deixando os acordes de Snow - Red Hot Chili Peppers se espalharem. Eu AMAVA cantar aquela música! Então, resolvi acompanhar Anthony Kiedis.
- Hey oh, listen what I say oh. I got your hey oh now listen what I say oh.
Ficara tão empolgava lavando pratos e cantando que nem dei bola quando o telefone começou a tocar. Não deveria ser importante, já que logo a pessoa desistiu. Dei de ombros e continuei com meus afazeres. Dei risada ao quebrar um copo. Definitivamente, eu estava hiperativa.
- Tenta o celular dela - ele propôs.
- Você é um gênio - ironizei.
Chamou uma, duas, três, quatro, cinco, seis vezes e caiu na caixa de mensagens. Fiz mais algumas tentativas e a mesma mulher com a mesma voz irritante insistia em tomar o lugar do ‘tuuuu’. Bufei e desliguei a chamada.
- Não dá - olhei para Brian. - Ela não atende. Deve estar no andar de baixo e se a conheço bem, com a música bufando!
Brian riu. Ele sabia que era verdade.
- Manda uma mensagem, se der sorte, ela lê.
- Boa, cabeção! - exclamei.
- Cala a boca, imbecil - dei um tapa na sua cabeça. Eu ri, ele não. - Vamos, tão nos chamando pra décima tentativa de gravação.
- Oi - eu disse, com a voz extremamente sensual. - Chegou cedo, am...
Aí, eu parei para analisar o indivíduo. Porte físico igual ao de Nick. Muito, mas muito gostoso. Abri a boca para falar alguma coisa, mas logo a fechei, vendo que aquele deveria ser o “amigo” de Nick. É, “amigo”. Minha intuição feminina gritava: AMIGO DA ONÇA! ALERTA! PERIGO! Nossos olhares se encontraram e os dele brilhavam incrivelmente convidativos a luz do sol, que com o entardecer ia enfraquecendo. Por um simples e inevitável momento, seus olhos verdes tiveram a oportunidade de me hipnotizar. Se ele não tivesse pigarreado.
- Ah - eu suspirei devido ao susto. Ele me despertara de meus pensamentos. - Desculpa, eu...
- Sou Jensen Ackles, apenas Jensen - ele estendeu a mão e eu a apertei.
- , ou se preferir.
- Lindo nome - ele disse galanteador.
- Obrigada - falei, sentindo minhas bochechas esquentarem.
Por que, diabos, eu fui imaginar o amigo de Nick usando óculos, gordo, baixinho e feio, horrivelmente, feio? Era óbvio que seria bem ao contrário! Mas porque justo ele? O Dean, de Supernatural. Me pergunto se Nick lê meus pensamentos enquanto eu assisto a série.
- Entre - disse, dando passagem. - Nick ainda não chegou.
- Não tem problema - ele disse simplesmente e sentou-se em um dos sofás de couro preto.
- Quer beber alguma coisa? - perguntei.
- O que tem aí? - ele perguntou, me olhando diretamente.
Foco, foco, foco, foco, foco, foco, !
- Vodka, vinho, refrigerante, cerveja... - disse enumerando. - O que você prefere?
- Por enquanto uma coca, obrigado - agradeceu mostrando todos os dentes. - Você me acompanha?
- Claro - também sorri.
Mamãe não o ensinou a não causar surtos nas pessoas? Provavelmente, não.
Entreguei um copo para ele e sentei no outro sofá, bebendo um pouco e desejando que tivessem despejado calmante ou sonífero durante a produção. Infelizmente não tinha. De vez em quando engatávamos um assunto legal, mas de repente o silêncio, de novo, reinava.
- Banheiro? - ele perguntou, se levantando.
- Sobe as escadas, terceira porta à esquerda.
- Valeu - ele subiu as escadas lentamente, enquanto eu apreciava aquela paisagem se movimentando.
Puta que pariu! Fodeu.
É, o que eu pensei foram somente palavrões. Porque, eu não estava morta, então, como qualquer mulher normal, eu já sentia atração por ele. O amigo do meu namorado/noivo. Respira, inspira, respira, inspira... Mas que merda! Porque, aquele projeto de ser humano, espalhou o maldito perfume por essa droga de sala? Preciso do Nick. Essa foi a primeira solução que me veio em mente. Seu celular estava desligado. Igualmente o de Brian, AJ e Howie.
Passaram-se cinco, dez, onze, doze, treze... Se aguenta... quatorze, quinze minutos e nada do gostosão, digo, Jensen descer. Não, eu não devo subir, senão ferro com tudo. Calma, ele já vai descer feliz e saltitante, como o mesmo sorriso vou-te-comer. Porra, cadê esse imbecil? Vou, ou não vou? Vou e que o mundo se exploda.
- Aqui! - o desgraçado gritou, de dentro do meu quarto.
Ah, esse intrometido vai ouvir e muito.
- O que faz aqui? - perguntei.
- Eu sabia que você viria.
Ele se virou para mim, com aquele sorriso. Sim, o sorriso vou-te-comer. Ele seria capaz de fazer aquela monstruosidade com o próprio amigo? É, acho que seria, já que sem pestanejar tinha me agarrado. Eu poderia ter evitado, dito não, pedido para ele parar. Mas por que não o fiz? Óbvio, eu não tinha mais forças para resistir, era fraca demais para chutar suas partes baixas. Mas aí, tudo foi pro espaço. Tudo, literalmente, fodeu. E eu dou uma bala para quem adivinhar.
idolatra adora e está com um humor maravilhoso, sabe o aconteceu?
Abri os olhos lentamente e meu coração deu três cambalhotas inversas e gritava desesperadamente de felicidade. Nick estava ao meu lado e me olhava com o semblante sereno. Eu não conseguia decodificar sua face. Seu olhar não expressava amor, ódio, raiva, compaixão, tristeza... Nada, simplesmente nada. Ele estava vazio, como se apenas seu corpo estivesse ali, mas o pensamento em outro lugar. Tentei emitir algum som, mas no momento em que abri a boca, espirrei. Ele finalmente riu. Eu espirrei. Sentei na cama e espirrei de novo. Que porra de gripe é essa?
- Deite e se cubra, senhorita teimosia. Vou buscar o remédio - ele debochou e eu fiquei esperando por um costume: o beijo na testa.
Desperdicei meu tempo, já que ele levantou-se e desapareceu pelo corredor da minha casa. Droga. O que eu fazia na minha casa? Desde quando eu voltara para cá? Despertei de meus pensamentos ao ver Nick cruzar pela mesma porta que saíra antes. Na sua mão, um copo e um comprimido. Sonha, Nick, que não paga imposto. Nem se Zezé di Camargo e Luciano cantarem o remake de Drowning aqui e agora, eu tomo esse remédio.
- Toma - ele disse, me entregando o remédio.
- Não - respondi, virando o rosto, feito uma criança birrenta.
- Tudo bem - ele largou o copo juntamente com o comprimido em cima do criado mudo. - Se quiser morre sozinha, eu tentei ajudar - ele ameaçou ir embora.
- Já tomei. Fica? - eu disse, mas como estava gripada saiu: “Já tobei. Ficã?”
E sim, eu engolira aquela joça por causa dele. Nick riu fraco e voltou a sentar-se ao meu lado. Ele era o único que podia me explicar o porque de eu estar na minha cama, quando deveria estar na dele. Quem quiser levar pro duplo sentido, à vontade!
- Já perguntou, cabeção - eu ri e ele me olhou como se dissesse “É sério”. - Fala. Sou toda ouvidos.
E braços, pernas, cabelo, pescoço, coração... e tudo mais que você quiser.
- Você, durante esse tempo - ele fez uma pausa -, sentiu minha falta?
- Como assim, durante esse tempo? - questionei confusa.
Ele, que estava fazendo cafuné em mim, parou.
- Faz um mês que a gente resolveu dar um tempo... - ele continuou falando e em mente eu apenas gritava:
QUEM FOI A/O IMPRESTÁVEL INSEGURA/O QUE INVENTOU ISSO?
Ah, claro, só pode ter sido eu.
Tive vontade de me socar até o fim de meus dias.
- Tá me escutando? - ele perguntou.
- Não... me desculpa.
- Assim não dá, você não quer entender o meu lado. Porque não tenta ao menos me escutar? - ele disse nervoso. Eu podia facilmente dizer que ele controlava seu tom de voz para não gritar comigo.
- Nickolas, volta e deita aqui - mandei. Sim, mandei.
Ele continuou me encarando, de pé, me desafiando. Atitude injusta e imatura, já que a doente era eu.
- Por favor - disse demonstrando toda minha calma. Talvez falsa.
Ele se deu por vencido e foi até mim.
- Nick - eu disse manhosa e ele se assustou um pouco. Coitado, será que eu o ignorei durante esse tempo todo? Digo e repito: burra! - Eu não sei bem porque dei essa ideia estúpida. Não lembro o que passou em minha cabeça ao sugerir que déssemos um tempo. Mas agora, com você cuidando de mim, eu tenho que admitir e colocar meu orgulho no chão. Essa foi a maior besteira que já cometi. E estou disposta a tudo para consertar.
Ele sorriu, compensando todos os dias que eu o fizera mal. E me beijou intensamente. E, como se fosse possível, eu supri toda falta que sentia dele.
- Nem eu - confessei, realmente surpresa. Eu não imaginava que tivesse passado tanto tempo assim.
- Você volta hoje lá pra casa?
- Eu não deveria ter saído de lá - disse, bocejando.
- Ih, tem alguém com sono - ele riu.
- Canta pra mim?
- Cantar o que?
- Pode ser daquela banda... como é que é mesmo? Ah, Backstreet Boys - ri.
Deitei de costas para Nick e ele começou a cantar ‘Downpour’ no meu ouvido. (n.a: valeu best <3)
- I’ve been walking around inside a haze, between the lies of reason. Hiding from the ghost of yesterday. Feels like I’m barely breathing
Ele cantava o refrão e eu o acompanhava, porém, sussurrando.
- I, I wanna feel the rain, again. I, I wanna feel the water on my skin. And let it all just wash away, in the downpour I wanna feel the rain. Feel the rain
Agora, eu fechara os olhos.
- I’ve been losing days. The shades pull down. I still can’t face the sun but I am going crazy, I can’t stay here. I’ve gone completely numb, I just wanna need someone.
Nick cantava em sua versão mais lenta, o que me deixava completamente fora de órbita.
- I, I wanna feel the rain, again. I, I wanna feel the water on my skin. And let it all just wash away, in the downpour I wanna feel the rain. Feel the rain
E o sono ia tomando conta de mim, então o ouvi cantarolar os últimos refrões antes de adormecer.
- I thought you were the only one, but now I thing I was wrong. Cuz life goes on
E tudo ficou preto.
Caminhei até o carro de Nickolas que, por milagre, me emprestara. Sorri ao dar a partida e dirigi pelas ruas de Los Angeles, rumo ao meu mais novo emprego de fotógrafa. Não que eu tenha largado os Backstreet Boys. Nunca. Apenas um adicional. Eu ficara empolgada ao receber a notícia de que passaria a trabalhar, também, com uma banda do meu incrível interesse: os Jonas Brothers.
Abri o porta-luvas e peguei o CD recém-comprado dos Jonas Brothers. Se for para conviver com os integrantes, então que eu o fizesse direito. No dia anterior, havia adquirido o último álbum que eles lançaram. Lines, vines and trying times. O som de Paranoid espalhava-se no ar e eu relaxava, curtindo a música. (n.a: enquanto escrevia isso na aula, uma colega minha disse: “Anota aí: o tênis da Lu tá sujo. Mas tudo bem, a vida é bela!” Não sei se alguém irá rir com essa besteira, mas na hora eu me lavei :B <3)
Fomos para a sessão de fotos, que era para o novo clipe deles. Enquanto arrumava o equipamento, eles iam se preparando. Não pude evitar olhar diretamente para suas calças. As usavam apertadas porque queriam ser notados. E afirmo: conseguiam. Sem querer, distraída, derrubei a bateria da máquina no chão. Agachei-me para pegar. Um ser, coxudo, diga-se de passagem, usando uma calça mega justa, cometeu a burrica - ok, nem tanta - de ficar parado em minha frente.
- Podemos começar agora, se você quiser - ele disse.
- Claro - respondi sorrindo. Ele retribuiu.
Segui até onde e estavam. Posicionei-me atrás da câmera e o photoshoot começou.
- É isso aí - eu dizia. - Acredita na foto - fiz voz de gay, o que foi bem fácil, pelo fato de eu ser mulher, e eles caíram na risada. Fotografei e seus dentes perfeitamente brancos. A foto que eu mais gostara.
- Pausa pra uma água - a assistente gritou.
- Café - disse para mim mesma. - Preciso de um café - repeti.
- Eu também to afim - disse, se intrometendo. Mas eu não me importava, nem um pouco. - Tem uma cafeteria aqui em baixo. Topa? - perguntou inocentemente.
Será?
- Por que não? - respondi com uma pergunta.
E lá fomos, eu e , tomar um café juntos. Como amigos, é claro. Nada poderia passar desse nível.
Ele apenas me respondeu quando saímos do mesmo.
- Nesse momento eles odeiam café - ele disse e eu ri, desconfiada.
Procuramos por uma mesa livre e nos acomodamos. O garçom veio até nós e fizemos nossos pedidos.
Enquanto esperávamos, ele me contava sobre seus projetos musicais e artísticos. Falou sobre a família. Descobri que tinham mais um irmão - Frankie -, sua mãe se chamava Denise, o pai, Paul e o cachorro que eles tanto amavam, Elvis. Disse-me também que seu sonho era cantar ao lado de John Mayer, Stevie Wonder, Jhony Cash, entre outros. Os cafés chegaram e mudamos de assunto. Passamos a falar sobre mim - o que não era grande coisa ao comparar com um cantor famoso, como ele. Sorriu forçado quando eu disse que era noiva de Nickolas. Então, novamente, mudamos de assunto. Eu já o considerava um amigo. Um grande e sexy amigo.
O celular dele tocou, avisando que o intervalo havia chegado ao fim. Subimos de escada. Ele alegou que queria ter mais um tempo para conversar comigo. Esquisito, muito esquisito. Mais esquisito ainda porque eu concordei sem pensar duas vezes.
- Digo o mesmo, .
Repeti as palavras e as ações com .
- ? Você não vem? - gritou para o irmão.
- Vão na frente! - disse no mesmo tom. - Perdi meu celular.
- Tem que ser o lunático - resmungou e depois riu. - Falou, até mais.
Sorri para ele e, como toda boa amiga, fui ajudar a procurar por seu celular.
- Ainda não achou? - perguntei agachada ao seu lado.
- Não - ele disse e fez uma careta que, convenhamos, foi fofa demais.
- Quem disse? - ele balançou o celular.
- Você não presta - falei espantado.
Eu não conhecia esse lado de .
- Vamos nos divertir um pouco - ele disse se aproximando da porta. - E dar uma noite legal para o nosso maninho - ele colocou a chave na porta.
- Você não vai fazer o que eu to pensando, vai?
- Calma, . É só uma brincadeira - ele puxou a porta e chaveou -, e eu tenho certeza de que o vai nos agradecer depois.
Dei de ombros. Eu não concordava, nem discordava de . Pronto, era esperar pra ver.
- Desde que você não me meta nessa história depois...
- Fica gel - ele bateu no meu ombro e nós entramos no elevador.
Que raio de gíria era aquela?
- Ahn?
- Affe! - ele revirou os olhos. - Fica frio, . Fica frio.
Decidi me calar, apesar de que algo gritava: não vai dar boa coisa.
Ele balançou a cabeça e se levantou, num sinal de que desistia de procurar pelo aparelho.
- Desisto - ele bufou. - Depois eu procuro. Obrigado pela ajuda.
- De nada - peguei minha bolsa. - Acho que podemos ir, certo?
- ?
- Sim.
- Seria muito se eu pedisse uma carona? A essa altura, já me abandonaram.
- Claro - concordei.
Girei a maçaneta da porta, mas algo estava errado.
- , não tá abrindo.
- Deixa pra mim.
- Claro, superman - debochei e ele riu.
- Nem com reza braba essa porta abre. Aqueles desgraçados nos trancaram aqui!
- e - pensei alto. - Eles me pagam.
- Corrigindo - ele disse tão sério quanto eu -, nos pagam.
- Não acredito que vou ter que fazer isso - choraminguei.
Mentir para Nickolas não me agradava. Eu nunca precisara fazer aquilo, mas se eu dissesse a verdade, poderia me considerar encalhada. Para minha sorte, ele acreditou que eu iria dormir na casa de uma amiga. Infelizmente, nem isso eu tinha. escutava minha desculpa com atenção.
- Me empresta seu celular? - ele pediu. - Eu ligo pra eles e os faço virem até aqui e nos tirarem.
Ideia maravilhosa. Talvez funcionasse.
- Desligado - ele discou outro numero. - Desligado - outro. - Ocupado.
Ele suspirou e me devolveu o celular.
- O que mais falta acontecer?! - indaguei.
Ouvimos barulho de coisas de vidro se espatifando ao chão. Eu me arrepiei inteira e, como me chamo , por impulso abracei . Ele me fitou preocupado. Nascia ali, um grande carinho.
- , eu to com medo - disse receosa. - E se tiver um rato aqui?
- Que tal irmos ver? - propôs.
- Não sei, é meio perigoso.
- Deixa de ter medo, ! - ele exclamou. - Vai dizer que não está curiosa pra descobrir o que apronta por lá?
- É...
- Então? Não vence o medo?
- Vem de uma vez, antes que eu desista, ! - eu disse, o puxando pela mão.
- Nossa! Não pensei que fosse tanto assim - ele riu.
- Idiota - resmunguei.
Eu escondia de mim mesma, mas sabia que era quarenta vezes mais curiosa que o filho da puta do gato.
Fizemos todo aquele suspense para descobrirmos que não passava de uma asquerosa e nojenta barata. , numa pisada, a matou.
- Bravo - eu batia as famosas palmas crescentes. (n.a: sabe, começa devagar e vai aumentando o ritmo? /mion <3) - Meu herói! - fiz um meio coração e, sem que eu esperasse, o completou.
- Minha heroína - ele disse e suspirou profundamente.
Diga aí, você! Encontrou alguma ambiguidade nas palavras de Jonas? Sim, eu também fiquei desconfiada. Mas... deixa pra lá.
Pegamos umas almofadas e sentamos no meio do estúdio para conversar.
Ele sabia como me divertir.
- Ai, ai - eu disse, parando de rir aos poucos.
- Chega, antes que você morra de tanto rir - ele falou.
Desejei que retirasse o que havia falado.
- Vamos brincar? - perguntei como criança.
Há tempos não me sentia tão livre ao lado de alguém a ponto de agir sem pensar se estava sendo ridícula, idiota ou infantil.
riu e concordou.
- De quê?
Médico, que tal?
- Essa brincadeira se chama ‘Brócolis’.
Ele riu novamente e eu, dessa vez, revirei os olhos.
- É sério, ! Não ri - eu disse.
O que não adiantou, já que sem perceber, a risada dele me contagiara.
- Posso explicar? - perguntei quando um quase-silêncio reinou no ambiente.
- À vontade.
- Obrigada - agradeci. - É o seguinte...
soltou uma risada abafada e eu o repreendi. Ele cessou e eu tornei a falar.
- O jogador que iniciar diz a palavra ‘brócolis’ num tom inaudível, mas que o outro possa compreender. Aí, o próximo fala um pouco mais alto. E assim, vamos aumentando o tom de voz. Acaba quando um não conseguir gritar ‘brócolis’ mais alto do que o outro - falei calmamente.
- Nã...
- Ótimo! - falei, vendo sua cara de derrota ao constatar que eu não caía mais nas suas pegadinhas.
- Posso começar? - ele pediu.
- Hey! - reclamei. - Cadê o cavalheirismo? Primeiro as damas - pisquei para ele.
- Mas eu sou uma dama. Não! Sou uma diva! - ele disse com a língua presa e no final deu um gritinho histérico.
- Certo, amiga - disse debochada. - Comece.
- Ai, obrigada - ele colocou o dedo na boca e fez uma pose sexy. - Ok, chega de boiolisse - disse, retomando sua postura masculina.
Pigarreou, olhou sério para mim e disse, sussurrando extremamente baixo:
- Brócolis.
- Brócolis - eu disse um pouco mais alto, com a voz normal.
- Brócolis - elevou o tom.
Agora a graça da brincadeira começaria.
- BRÓCOLIS! - eu gritei com todo o ar que meus pulmões permitiam.
Logo, estávamos rindo como dois amigos bêbados no final de uma festa.
Repetimos a brincadeira por mais duas vezes, até ficarmos completamente sem ar.
- Putaqueopariu - eu disse parando para respirar e ao mesmo tempo coçando o olho. - Sono.
olhou brevemente o relógio grudado na parede. Este marcava meia-noite e vinte. Meu estômago roncou. Ele riu e eu corei. Teria que dormir se quisesse que a fome parasse de me atormentar.
Ou não.
- Boa noite - ele me desejou o mesmo.
Deitei a cabeça em uma gorda e confortável almofada e fechei os olhos, a fim de esquecer o mundo e deixar que a inconsciência tomasse conta de mim.
Para meu azar, ou sorte, não sei, depois de meia hora, ainda não conseguira dormir. O frio cortante não deixara. Eu ficava tremendo por causa da sensação térmica ser terrivelmente baixa; a mesma que não deixara minha consciência relaxar.
permanecia no mesmo estado que eu. Ele me fitava com o semblante sereno e eu, por minha vez, não conseguia retribuir.
- Está com frio? - ele perguntou, aparentemente calmo.
Mas eu via que ele estava tão inquieto quanto eu.
Balancei a cabeça, afirmando. Tremi a boca - um vento gelado cruzara por mim - e fiz um barulho por causa do atrito dos dentes.
- Pega meu casaco - ele ofereceu enquanto tirava a peça.
Eu não deveria ser tão egoísta.
- Não - eu pedi e ele me encarou confuso. - Você vai ficar doente.
- Eu vou ficar bem - ele afirmou.
- Não - insisti me esforçando para transparecer firmeza na voz.
Ele parou e pensou um pouco.
- Já sei - disse para si mesmo. - Eu num filme que calor humano esquenta melhor.
O olhei assustada devido ao comentário - me pegara de surpresa - e ao mesmo tempo em dúvida - eu já ouvira algo relacionado a isso.
- Sem maldades, eu juro - ele disse.
Vi em seus olhos que ele não pretendia passar dos limites comigo, nem me desrespeitar. Então, antes que me arrependesse me arrastei até ele.
colou nossos corpos e me abraçou para que pudesse fechar o casaco. Realmente era uma boa ideia que certamente funcionaria. Ficamos no estilo conchinha, porém, sem malícias.
O aroma do shampoo misturou-se com o seu irresistível cheiro de perfume e eu, num momento Amy Winehouse, imaginei que aquele fosse um tipo de sonífero. Já que eu acabei pegando no sono e dormi feito um anjo.
Metáforas à parte, pois anjo é a última coisa que eu posso ser comparada.
Como previ, uma dor, não só nas costas, mas no corpo todo, começou a se manifestar. Gemi ao sentir uma fisgada na perna. Câimbra. Entreabri a boca, surpresa, ao ver o quão estava perto. Muito mais do que imaginava.
Ele me apertava fortemente pela cintura e sentia sua respiração lenta perigosamente perto de meu pescoço. Tentei me confortar, mas estava longe demais do conforto. , por sua vez, não cooperava.
- Bom dia - ele disse com a voz rouca. Os olhos ainda fechados.
- Bom-m dia - gaguejei devido à proximidade.
Mentira. Foi por causa da voz dele mesmo. Soava tão sexy. Nickolas, . Nickolas!
Tomei liberdade e abri seu casaco, me livrando daquele espaço curto e limitado. Como se eu quisesse. Sentei paralela a ele. Passei a mão em meus cabelos, sentido-os embaraçados. Comecei inutilmente a alisá-los. riu, com a mesma voz rouca. Dessa vez, eu me controlei.
Bateram na porta.
levantou-se e eu fiz o mesmo. No relógio, oito horas e cinquenta e quatro minutos. Caminhou com passos rápidos e pesados. Ele deveria saber quem nos aguardava ali fora. Bingo. Não deu outra. Ao abri-la, demos de cara com um envergonhado e um totalmente cara-de-pau. demonstrou ou fingiu, não tenho certeza, um mau humor matinal, fuzilando os irmãos com o olhar. levantou as mãos para o ar, alegando não ser o culpado pela ideia.
- Seus estúpidos - disse por entre os dentes.
- Eu já vou indo - falei.
Eles que se resolvessem. Eu não ficaria ali para assistir uma possível briga de irmãos. Não mesmo.
- Me espera lá embaixo? - perguntou baixo, para que somente eu ouvisse.
- Claro - sorri.
Mas logo me arrependi por ter demonstrado uma empolgação. Não queria que tivesse falsas esperanças em relação a mim.
- Não demoro - sorriu fraco e fechou a porta.
Segui para o elevador, apertei o térreo e respirei fundo.
- Eu não tenho nada a ver com isso! - protestou, irritado.
Bom, menos um para gastar saliva.
- Vai, - falei, olhando diretamente para . - Parece que alguém não cresceu o suficiente aqui.
suspirou aliviado e já ia saindo, mas lembrei de lhe pedir algo.
- Faz companhia pra ela - disse, sem ao menos me virar.
- Tá - respondeu e saiu, deixando apenas eu e naquela sala.
- Comece a se explicar - sentei em uma cadeira. - Você tem - olhei para o relógio. Costume - quinze minutos.
- Eu preciso mesmo? - perguntou ele, debochado.
- Não se esconda atrás desse maldito orgulho. Admita que você está errado - falei num tom superior.
Afinal, não era eu quem estava com a razão?
- Eu vi o jeito que você olhou pra , quando ela pisou aqui. Então, eu pensei que...
- Não pensou nada, obviamente. Sabe a besteira que você pode ter causado?
balançou a cabeça, negando.
- A gravidade? - aumentei a voz. - Não!
mantinha os olhos arregalados, assustado com toda minha agressividade. Eu sabia que, se ela terminasse com o namorado, em parte a culpa também seria minha. Eu perderia sua amizade.
- O que tem de tão absurdo? - vi que ele não entendia.
Eu estava pegando pesado com meu irmão. Acima de tudo, ele não sabia. Ele tinha uma boa intenção. Não sabia que ela é comprometida.
- Não me diga que... - ele engoliu seco. - Peraí, ela é lésbica?
- Cala a boca! Óbvio que não!
Se ela fosse, eu me auto-suicidava. Quero dizer, seria um desperdício, não seria?
- Qual o problema, então?
- Ela é quase casada - suspirei.
- Ah... - a ficha dele tinha caído. - E daí?
- Não adianta. Meu Deus, dai juízo a esta criatura acéfala!
- Acéfalo é você - ele apontou o dedo para mim. Não, pro Tio Sam. - Que não serve nem pra pegar mulher.
- Não foi por falta de vontade - dei de ombros. - Só achei certo respeitá-la. Não só ela, mas o namorado dela também.
- Quem é o bunda mole?
Arqueei uma sobrancelha. rolou os olhos.
- Quem é o namoradinho frufru dela?
- Não consigo me lembrar direito - disse coçando o queixo. - Ela disse alguma coisa com Carter.
- Nickolas Carter?
- Exato!
- Ih, é treta - eu fiz uma careta e ele riu. - Dizem que o cara já foi até preso por dirigir bêbado.
- Vida dele, não? - disse indiferente, mas ainda assim perplexo.
- É, esquece. Er, foi mal, aí.
- Tudo bem - abri os braços e nos abraçamos. - Você precisa pedir desculpas a mais alguém.
- Aham - ele me olhou pervertido. - Ui, safadinho!
Não aguentei e ri. Incrível como o relacionamento de irmãos é tão bipolar. Uma hora estão brigando e na outra, rindo e conversando. Vai entender...
Avistei se aproximar com e os dois riam sem parar. Estranho. No estado que ficara, eu achei que sairia, no mínimo roxo, daquela sala. Olhei para e vi que ele também pensava a mesma coisa que eu. Sua expressão estava tão confusa quanto a minha.
fez sinal para fosse até lá. Assim o fez, e logo, eu vi sentar-se ao meu lado. Em momento algum me olhou nos olhos, sempre evitava o movimento. Não me importei. Deduzi que deveria ser difícil para ele pedir desculpas. Parecia ser do tipo orgulhoso e que deixava o tempo resolver suas desavenças. O perdoei e ele, meio relutante, aceitou um abraço amigável.
Caminhamos em silêncio até os outros dois irmãos e decidimos tomar café-da-manhã, ali no prédio mesmo. Com eles, não percebi as horas passarem voando. Nos divertimos tanto, que quando voltamos à realidade, falta pouco para o horário de almoço. pediu para que almoçasse com eles. E se não tivesse insistido, eu não teria aceitado. Pra falar a verdade, se ele pedisse uma única vez, eu o agarraria sem hesitar.
Ah, mas que porra! Eu tenho um homem em casa, o qual faz eu me sentir plena e feliz. Não preciso de outro. Um é o suficiente, não é? Tem como alguém me responder? Merda!
O abracei instantaneamente, mas Nickolas não retribuiu. Afastei nossos rostos e beijei sua bochecha.
Nickolas, como nunca fizera, segurou meu rosto entre uma de suas mãos frias. Desejei que ele não tivesse aberto os olhos, já que jamais havia visto tanto ódio misturado naquele mar azul próprio para me afogar.
Sua voz saiu com desprezo e trêmula.
- Você mentiu pra mim.
Não bastou mais nada para meu chão desabasse. Ele não me perdoaria.
- Amor... - ele disse com desprezo. - Você usa essa palavra como se fosse um ‘bom dia’!
O fitei com incredulidade. Aquela frase me machucara profundamente.
- E me escuta, VOCÊ! - tirou minha mão de sua face com brutalidade. - QUE PORRA É ESSA, HEIN? QUALQUER COISA, MENOS CORNO, ENTENDEU? - gritou.
Meus olhos transbordavam de lágrimas e a cada segundo que passava ela iam se intensificando. Vinham acompanhadas de soluços.
- Eu posso explicar? - disse limpando inutilmente minha bochecha molhada.
O gosto salgado das lágrimas inundavam meu rosto, o semblante de Nickolas era apenas uma figura borrada.
- Então, explique-se - ele disse olhando no fundo dos meus olhos.
A verdade é que não havia o que ser explicado ou revelado. Eu não fizera absolutamente nada. O silêncio apenas assinou minha sentença e eu não sabia por quanto tempo teria que cumpri-la. Eu não queria.
Nickolas balançou a cabeça, indicando que eu tinha entregado o jogo - na falsa opinião dele. Jogou a cadeira no chão com brutalidade e isso só fez com que eu o temesse. Ele nunca mostrara seu lado agressivo. Até agora. Porém, eu sabia que, mesmo que ele me odiasse, não teria coragem de levantar a mão para mim.
Saiu dali bufando e resmungando coisas incompreensíveis. Subiu as escadas com pressa e o seu caminhar transparecia ódio. Ouvi a porta do quarto bater, mas na parede. Sentei no sofá e me encolhi, deixando a dor sair em forma de lágrimas, novamente.
- Aonde você vai?
Seus olhos azuis estavam vermelhos e eu me culparia eternamente por isso. Eu prometi não magoá-lo e não consegui cumprir.
- Qualquer lugar, longe daqui - suspirou. - Não me procure. O dia em que eu resolver falar com você, virei. Enquanto isso, fique com a consciência e as consequências.
Foi dizendo isso, que ele deixou uma lágrima escorrer. A última imagem de Nickolas que ficaria presa em minha memória. E, sinceramente, eu queria apagá-la, o mais rápido possível. Só não sabia como.
Ele bateu a porta e ouvi seu carro arrancar. Aquilo, para mim, foi o suficiente. Eu estava entregue ao sofrimento.
Decidi tomar um banho, para aliviar a tensão e desinchar meu rosto. Fitei a banheira por alguns segundos, mas desisti da ideia de tentar me afogar. Não teria Nickolas que me protegesse depois. Apenas liguei a ducha.
Despindo-me, senti o vento gelado e cortante deixar minha pele arrepiada. Apressei o processo, caso contrário, morreria de frio. Deixei todas as peças espalhadas no chão, desta vez, eu não as lavaria. Porque a lei de Murphy resolveu funcionar comigo, logo hoje? No exato momento em que entrei para o banho, o telefone ecoou pela casa.
Foda-se quem quer que seja. Eu não iria atender.
Ignorei o objeto irritante e deixei que o vapor e a água fervente relaxassem minha mente e meu corpo - lê-se: pescoço e costas. Manti-me num mundo fantasioso, onde tudo era perfeito. Casais perfeitos, vidas perfeitas, amor perfeito. Eu desistira de acreditar em final feliz, enquanto não tivesse o meu.
Agora entendo quando dizem: “Pessoas boazinhas apenas se ferram”. Talvez meu maior defeito fosse esse. Talvez eu me preocupasse demais em não brincar com os sentimentos de Nickolas, que sem perceber, acabei cometendo esse erro. Uma única palavra justificava o ódio que ele ainda deve ter por mim. A mentira.
Como fui estúpida! Era óbvio demais que ele não acreditaria que eu estava na casa de alguma amiga. Eu não tinha amigas e ele, como ninguém, sabia disso. Pateta. Projeto inútil e fracassado de ser humano.
É, eu deveria ter escolhido a banheira.
Tudo, de algum jeito, me levava a ele.
Vários casacos e calças de moletom chamavam por mim. “Hey, eu sou tão quentinho e cheiroso. Me escolhe! Me escolhe!”, eles pareciam gritar. E foi o que eu fiz. Não pude resistir. Eu precisava me sentir conectada a ele, nem que fosse por meio de suas roupas. Fiquei algum tempo, parada em frente ao seu closet, somente voltando a mim quando me dei conta de que já estava chorando.
Vesti meu pijama e por cima, um moletom de Nickolas. Fiquei curiosa para saber se naquela peça tinha seu perfume fixo. Não pensei duas vezes. Sorri, involuntariamente, ao sentir a fragrância masculina que sempre, eu disse sempre, me entorpecia.
Olhei-me no espelho e constatei que, se eu saísse para as ruas com aqueles trajes combinados com o rosto inchado, iriam, provavelmente, me chamar de mendiga. Era o que eu aparentava. Se bem que eu não estava tão mal naquelas roupas. Mas elas ficavam melhores nele. Reformulando, ele fica muito melhor sem elas. Se é que me entende.
Ri. Uma risada sarcástica, debochada. Eu não tinha motivos para tal. Ao contrário, eu deveria estar, pela milionésima vez, me torturando até a morte. Era o que eu merecia. Certo?
Certíssimo.
Fui até a cozinha, devo frisar que com a maior cara de zumbi, e resolvi me dopar de café. Precisava esquentar as mãos, já que perdi minhas luvas e a preguiça não me deixa ir comprar outro par. E assim foi, até a quarta xícara de café. Adeus, cafeína! Não quero ouvir falar de você por muitas reencarnações.
Acho que a bebida não me fez bem.
Num segundo estava deitada, com o estômago revirando. No outro, já vinha subindo. Antes que eu pudesse me dar conta do que fazia, estava despejando todo o líquido no vaso sanitário.
Praga dos infernos!
Devido ao meu estado deplorável, não tinha forças para nada. Chorava em silêncio e a cada vez que piscava, os olhos pareciam mais pesados. Eu não conseguia gritar, não conseguia soluçar, quanto menos respirar. É, estava difícil viver. Mas nem a pior dor poderia ser comparada ao que eu sentia.
Jamais havia sofrido por amor.
Uma dor de cabeça surgira, a dor de garganta voltara, a febre começara a dar sinais - eu estava tremendo debaixo de uma pilha de cobertores - e eu deduzi que estava doente, de novo. Quem se importa? Ninguém sentiria minha falta se de repente, eu sumisse.
É isso! Essa é a palavra. Sumir é o que eu deveria fazer, mas não tinha condições físicas nem emocionais para me movimentar.
Não sabia quanto tempo havia passado e, para compensar, a temperatura febril subira. Delirava, chamando hora por Nickolas, hora por . Não mepergunte porque. Eu realmente não estava bem. Não conseguia manter os olhos abertos sem que os raios solares me atingissem e agravassem a enxaqueca. Queria que aquilo tudo fosse somente um pesadelo, uma ilusão e que sumisse no momento em que eu despertasse.
Ouvi a porta frontal bater. Ótimo! Um assassino pra me matar e deixar os outros livres de mim. Era exatamente o que eu precisava. Alguém gritou meu nome, por incontáveis vezes. Incapaz de responder, apenas gemi. Uma sombra na parede, e meu coração palpitou, alertando que eu poderia gostar de ver quem estava ali.
A pessoa se aproximou de mim e eu não via mais nada, somente ele ao meu lado. Inconscientemente, toquei seu rosto preocupado e sorri, deixando o processo de desidratação recomeçar - eu deixara as lágrimas caírem novamente -, mas desta vez, de felicidade.
Ele estava ali, por mim. Ele me amava.
- Por favor, fica comigo - implorei com a voz embargada.
- Shh - ele falou me abraçando. - Calma - pediu. - Descansa.
O abracei com força, temendo que ele fugisse. Inspirei seu perfume e me entreguei ao sono, dormindo bem. Super bem.
Errado. Temos que sofrer para merecer. E perder para dar valor.
Perfeito, minha lucidez voltara.
Toda a esperança que eu tinha, sumiu ao ver o ambiente vazio. Mas acendeu, quando eu vi a que a porta do quarto estava fechada. Eu a deixara aberta e tinha certeza: não a fechara. Então, provavelmente, tinha sido ele.
A dor de cabeça desaparecera, a febre baixara. A única coisa que ainda me incomodava era a garganta. Ri sozinha, com um humor melhor. Espreguicei-me debaixo das cobertas e percebi que havia suado. Bastante. O moletom de Nickolas ficara encharcado.
A próxima coisa que fiz, ao levantar, foi tomar outro banho. A ideia estúpida de utilizar a banheira para suicídio? Eu não cogitava mais. Cantarolei algumas músicas bizarras debaixo do chuveiro e, quem não soubesse o motivo da repentina mudança de humor, diria que tenho retardos mentais.
Por um lado, talvez, fosse verdade.
Saí do banho com a alma mais leve e com menos ódio do mundo. Como anteriormente, vesti uma das roupas de Nickolas. Isso fazia eu me sentir mais confortável. Penteei o cabelo e escovei os dentes. Calcei minhas pantufas e desci as escadas, segurando no corrimão para não cair. Apesar de tudo, eu ainda estava debilitada.
Entre filmes de suspense, telejornais, talkshows, novelas, jogos de basquete, tênis e outros canais, escolhi assistir um seriado de comédia: Gossip Girls. Soltei algumas risadas - vulgo gargalhadas -, na intenção de que ele escutasse e viesse até mim. Fiquei com água na boca ao sentir o cheiro de pipoca se esvair pela casa.
E meu pedido foi atendido. Virei minha atenção a ele, sorrindo. Tentei ao máximo disfarçar minha decepção, ao me certificar de que se tratava, na realidade, de Brian Littrell.
Eu definitivamente tinha delirado. Maldita febre.
- Chega pra lá - pediu com a boca cheia de pipoca. Nojento, mas com Brian era diferente, ele sempre conseguia me fazer rir. Ponto pra ele.
Eu estava estirada no sofá, então tive que encolher minhas pernas e sentar direito, para que ele também pudesse usufruir do sofá. Ah, e eu da pipoca. Acima de tudo, eu continuava viva e necessitava me alimentar.
- Gossip Girls... - ele falou com desdém ao deparar-se com o que eu assistia.
- O que tem? - fiz uma careta.
Num reflexo escondi o controle remoto. Ele não iria trocar de canal de jeito nenhum.
- Isso é extremamente gay! - reclamou e enfiou mais um punhado de pipoca na boca.
- Tão gay que você - apontei para ele -, meu querido, deve A-D-O-R-A-R e assistir escondido.
- É... - ele concluiu. - Peraí! - ele me olhou assustado. - Como você sabe?
Hahaha. E eu ainda joguei verde. Tsc, tsc, tsc...
- Você acabou de confessar - ri, vendo a expressão arrasada que ele fez.
- Tá, certo. Se você contar pra alguém, morre.
- Qual é, Brian? O que tem de errado nisso? Deixa de ser machista! - eu disse, num tom brincalhão.
- Mas só por hoje, meu amor, ok? - ele disse com a voz fina e a língua entre os dentes.
Sério, foi hilário. Tanto, que pela primeira vez naquele dia, eu ri com vontade e de verdade. Brian sorriu satisfeito, como se tivesse cumprido uma missão. Talvez ele tivesse vindo aqui para isso. Tornar o resto do meu dia um pouco mais alegre.
- Tudo bem? - Brian perguntou do nada.
Seus olhos cheios de preocupação e cuidado - muito fofo da parte dele. Ele parecia medir as palavras ao se referir a esse assunto. Ele sabia que eu achava complicado falar com ele sobre isso, mas eu já me sentia mais à vontade. Aos poucos, as feridas iam cicatrizando-se.
- Ainda estou viva - ironizei.
Ele sorriu sem mostrar os dentes.
- Olha, - ele começou, meio cauteloso. - Eu sei que pra você é difícil, e pode parecer estranho, mas saiba que sempre que precisar de um amigo, não pense duas vezes antes de me chamar.
Suas palavras me tocaram profundamente. Como é bom você saber que tem um amigo. Alguém disponível para desabafar e chorar.
- Obrigada - eu disse abraçando-o.
Brian é muito especial para mim, mas eu nunca demonstrara esse afeto a ele. Sabe aquele tipo de pessoa que você sente que pode confiar, mesmo sem nunca ter precisado dizer ou pedir? Era assim que eu me sentia em relação a ele.
De todos os amigos de Nickolas, eu simpatizava mais com ele - não deixando de gostar dos outros. Já com os olhos transbordados, com a voz rouca e ainda abraçada nele, eu não hesitei em dizer:
- Acho que eu não tive a oportunidade de dizer antes, mas você é como um irmão para mim - as lágrimas rolavam livremente por meu rosto.
- Não chora, caramba! - ele pediu.
- Você também está - eu disse e logo ouvi sua risada e depois, ele fungar. - Vou continuar, não terminei.
Ele assentiu com a cabeça. Desvencilhei-me do abraço e proferi mais algumas palavras, olhando em seus olhos.
- Como eu ia dizendo... - ri, mas sem motivo. Ele causava esse efeito em mim. - Você é o irmão que eu não tenho. Um anjo - ele sorriu. Eu parara de chorar. - O meu anjo - senti a garganta arder. - Eu te amo, irmãozinho.
Eu ri, dei-lhe um beijo no rosto e o abracei apertado.
- Também te amo, irmãzinha - ele deu uma risada gostosa.
- Vou fazer uma sopa - ele sugeriu.
- Nem morta eu vou tomar esse troço.
- Porque não?
- Sei lá, vai que você tenta me envenenar!
- Droga! - ele bateu no sofá com uma mão fechada. - Plano B.
- Você não presta - deu uma almofadada nele.
- Você me ama, eu sou irresistível, não adianta negar - ele fez uma cara sensual.
E eu tive que pensar quinze vezes antes de pular em cima dele. Pronto, falei.
- Não é fome de sopa.
- Do que então, folgada? - ele arqueou uma sobrancelha.
- Pipoca! - exclamei com os olhos brilhando.
- Nem pensar! - ele bateu na minha mão que tentava pegar pipoca da bacia.
- Por quê? - perguntei sem entender.
- Você tá mal do estômago. Pensa que eu não sei?
- Argh! - reclamei bufando.
Tentei inúteis vezes, mas ele sempre dava um jeito de não deixar eu comer a bendita pipoca.
- Nossa - falei, olhando para o teto deslumbrada. - O que é aquilo?
- O que? - ele perguntou e olhou para cima. Errado, Brian, muito errado. Eu sabia que ele era curioso, acima de tudo.
Aproveitei sua distração e roubei a bacia de seu colo. Saí correndo e dando muita, mas muita gargalhada. Ele fez uma cara de indignado. Eu deveria ter tirado uma foto ou até mesmo gravado em vídeo. Jamais esqueceria aquela expressão.
- Safada! - ele gritou e eu ri mais. Foi aí que eu quase me engasguei.
- Aham - respondi, comendo mais um pouco.
- Não é justo! Essa pipoca era minha - ele reclamou indignado.
- Disse tudo... ERA!
- Ah, devolve - ele fez voz de criança. - Por favorzinho *-*
- Droga - revirei os olhos e entreguei o ouro ao ladrão.
Conotativos toscos.
- Se eu soubesse que ia ser tão fácil... - Brian riu.
- Eu nem tava mais com fome - dei de ombros e me joguei novamente no sofá.
- Tem certeza? Eu tava brincando, você sabe.
- Tá, é mentira - eu disse me levantando. - Torradas?
Torradas... Grande ironia.
- Hum, acho que vou querer - ele disse tímido.
- Vá se ferrar, Brian! Você e essa sua timidez súbita.
Ele riu e deu um sorriso típico dele. Sabe aquele, totalmente sapeca? Então, esse.
- Folgado.
Eu caminhava em direção à cozinha quando percebi que Brian tomava o mesmo caminho que eu. Pelo menos não vou fazer tudo sozinha. Eu espero.
- Folgado? É assim que você me agradece por ter vindo aqui?
- Ah, Brianzinho, meu amor. Você sabe que eu sou muito grata, não sabe?
- Sei - ele deu um beijo em minha testa.
Agora que ele tocou nesse assunto, várias perguntas surgiram e eu precisava que ele me respondesse. Mesmo que ele não quisesse ou que isso me machucasse. Infelizmente, a verdade dói. Nossa, e como eu tinha noção!
Enfim, preparamos as torradas e abrimos uma garrafa de refrigerante - coca-cola, para ser mais específica. Brian havia me ajudado a arrumar a mesa com a toalha e os pratos. Nos sentamos e começamos a comer.
Não sei de onde eu retirei tal coragem, mas as palavras simplesmente saíram de minha boca.
- Notícias do Nickolas? - perguntei.
Brian tossiu. Péssima hora para uma pergunta dessas, . Justo na hora em que ele tomou um gole da bebida? Coitado. Com toda a certeza, Brian não esperava que eu perguntasse dele.
Ele pigarreou e retomou sua postura na cadeira.
- Não acho que eu deveria dizer.
Simplesmente não pude acreditar. Aquele era Brian?
- Pois eu acho que deveria.
- Nesse caso... - limpou a boca com o guardanapo. - Posso abrir uma exceção. Ele está passando uns dias na casa do AJ.
Óbvio demais para eu ter perguntado - apenas o fiz para confirmar minhas suspeitas. Não que eu fosse fazer uma visitinha para ele. De forma alguma.
- E não se atreva a abrir a boca e dizer meu santo nome.
Santo? Imagina se fosse...
- Tá, tá - concordei.
- Você sabe - ele fez um sinal com mão. O famoso ‘vão me degolar’.
- Eu também queria saber se... - comecei a frase, mas logo desisti.
Já era um sacrifício para Brian me contar aonde Nickolas estava, quem dirá responder à próxima questão.
- O que seria, madame? - ele fez uma voz grossa e engraçada. Como sempre, eu ri.
- Nada, esquece.
- Aproveita, antes que eu vá embora - ele disse olhando para o relógio dourado que contornava seu pulso.
- É, você tem razão. Somente diga se ‘sim’ ou se ‘não’, ok? Não quero te forçar a nada.
Brian concordou silenciosamente. Talvez não seria tão difícil arrancar a verdade.
- Foi ele, não foi? Nickolas pediu pra você vir até aqui.
- Se eu dissesse que não, o quão arrasada você ficaria?
- Digamos que 99,9%.
- E se eu dissesse que sim?
Suspirei, meu coração começara a palpitar. Oh, droga de paixão.
- Não precisa dizer, tá estampado na sua testa. Nesse caso, sim, foi ele.
- Eu sabia... - disse para mim mesma, sorrindo largamente.
Olhei para Brian e ele parecia satisfeito com minha reação.
- O que está pensando em fazer?
- Nada, não esquenta.
Ou talvez esquente. E muito.
Brian fez uma cara de tristeza e eu tive que me conformar de que uma hora ele teria que ir embora.
- Ah, eu supero. Te acompanho até a porta - disse.
Me levantei e caminhei ao lado de Brian até a porta.
- Vou indo antes que a patroa me castigue por chegar tarde - ele disse brincando.
- Agradeça por ter alguém que queira lhe castigar.
- Não, não - ele discordou. - Agradeça, você. Se livrou de uma grande mala - ele descontraiu e eu, mesmo sem querer, tive que rir.
A verdade era que eu queria de volta aquela mala. Sentia fala de ser hipnotizada por seus olhos, entorpecida por seu perfume e manipulada por seus beijos. Não conseguiria ter uma vida e sobreviver sem Nickolas.
- Tchau - dei um beijo estalado em sua bochecha.
- Tchau e se cuida! - ele disse me fitando com o olhar paterno. - Acho que volto amanhã - gritou antes de fechar a porta de seu carro.
Assenti satisfeita; não existia companhia melhor quando o assunto fosse melhorar o astral. Ele me divertia com sua imitação quase perfeita de Pato Donald. Comigo pelo menos, sempre funcionava.
Bati a porta atrás de mim e a tranquei, voltando à realidade. Eu tinha várias opções sobre o que fazer. Duas delas: mofar chorando e estragar com a pseudo-terapia de Brian ou tomar um sonífero naquele instante e não deixar as lembranças virem à tona.
Eu não colocaria tudo a perder para voltar ao estado depressivo que ficara antes. Com passos de elefante, procurei pelo sonífero e agradeci mentalmente por tê-lo achado.
Tomei um. E mais outro de garantia. Olhei para os pratos sujos e seria vi que lavar a louça seria uma boa distração enquanto o remédio não fazia efeito.
Terminando o serviço, estava tão dopada e sonolenta que enxergava dobrado. Era o efeito químico e físico do sonífero. Desisti de enxaguar o último copo e subi feito bêbada às escadas. Tropecei num degrau e me espatifei no chão, que se não estivesse tão gelado, teria capotado por ali.
Não aconteceu pelo fato de eu ter lembrado que além de acordar cedo, teria que trabalhar. Ah! Eu tinha uma cama fofa e aconchegante esperando por mim.
Segurei-me em algum lugar da parede e fui me arrastando até o quarto. Acendi a luz e vi algo estranho. Desde quando havia duas camas? Imundícia de remédio. Eu sabia que deveria ter tomado apenas um.
Tateei os móveis até achar a cama e, como sou e serei eternamente azarada, bati o dedinho na quina. Perfeito! Urrei de dor e me joguei com tudo no colchão. Dormi, devo dizer, que como uma pedra.
Deixei a música terminar de tocar enquanto a cantarolava relativamente alto e procurava no closet por roupas apresentáveis. Sentia-me feliz. E essa suposta felicidade se devia ao fato de que eu veria meu amigo, Jonas.
A cada dia nossa relação melhorava, estávamos mais íntimos, nos abraçávamos frequentemente e a cada gesto dele eu podia sentir, como no The Sims, ‘+ amigo’. Ok, não teve a mínima graça.
No final, ele era quem estava me fazendo superar Nickolas. Ele poderia ser considerado meu porto-seguro - além de Brian, é claro.
E se você quer saber, eu não estava mais na casa de Nickolas. Voltei para meu antigo apartamento. Eu sentia-me uma abusada por morar lá, depois dos acontecimentos recentes.
Minha vida, aos poucos, ia se ajeitando. E eu tinha muitos assuntos pendentes para resolver.
Nesse meio tempo, o despertador parou de tocar e eu o desliguei. Fechei a porta do banheiro, somente saindo dali 30 minutos depois. No inverno é assim: primeiro você enrola pra entrar no banho e quando o faz, demora a sair.
Sequei o cabelo, como poucas vezes tive disposição para fazer. Meu estômago roncou como em todas as manhãs e eu apurei o processo, deixando alguns fios molhados. Calcei as pantufas e fui até a cozinha.
Eu continuava trabalhando com os BSB, mas eles resolveram dar um tempo. Férias prolongadas, segundo Howie. Esquecendo eles, antes que todo meu esforço vá pelo ralo, voltei a me focar na maquiagem - não queria sair borrada na rua.
Borrifei meu perfume favorito e antes de sair mandei uma mensagem curta e rápida para .
“Saindo x”.
Não demorou para ele me responder.
“Espero... Beijos!”
Hum? Singular? Eu, hein. Coisa estranha. Não acha? Ah, eu acho. Tá, parei.
Chamei o táxi e dei o endereço. Depois de um gigantesco trânsito - que mesmo assim não estragou minha felicidade -, cheguei ao meu destino.
Paguei o taxista e ouvi um assovio. Avistei na janela do andar sorrindo lindamente para mim. Abanei - escandalosamente, anote isso -, ele riu e me mandou um beijo. O peguei e guardei no bolso. Teria guardado no coração, mas eu desconfiava das intenções de .
Entrei no prédio, cumprimentando desde a recepcionista até a faxineira. Quem me visse semana passada, diria que eu renasci. Uau, grande evolução. Apertei o botão e chamei o elevador, que estava no último andar. Olhei de relance a escada.
Por que não?
Subi a escada de emergência e depois de um curto tempo, finalmente, eu terminara de erguer e impulsionar minhas pernas. Cheguei a pensar que não sobreviveria - sou sedentária. Mas estava viva.
Bati na porta, pronta para ser xingada, esculachada, despedida e outras coisas. Mas, para minha surpresa, me recebeu num abraço.
“De alívio?”, perguntei a mim mesma.
- Calma, eu não morri - disse rindo me desvencilhando de .
- O que é muito bom - ele disse e tentou consertar a frase: - Sabe, quem iria nos fotografar?
Ri. Ele sempre se demonstrava nervoso na minha frente. Mas agora não é hora de pensar nisso. Hora de trabalhar, mocinha.
- Pode ser - concordei sorrindo.
Ele fez sinal para os irmãos e eles foram embora. Organizei minha bolsa e descemos, dessa vez, pelo elevador.
perguntava e eu respondia. Poucas vezes, ao contrário. As ruas de Los Angeles estavam calmas. Crianças brincavam, velhinhos amáveis desfrutavam a vida com seus companheiros e adolescentes, faziam o de sempre, se agarravam.
- Vamos sentar ali? - sugeriu.
Assenti silenciosamente com a cabeça e caminhamos até um banco vermelho mal-pintado.
- Ai, tá gelado - reclamei ao sentar.
soltou uma risada curta e gostosa.
“Como ele”, pensei. Oras, cale a boca, .
- Então... - ele começou.
- O que? - perguntei sorrindo.
- Tem tantas coisas que eu queria dizer.
- Vá em frente.
- Não sei se... - ele parou seus olhos nos meus. - Melhor, eu sei.
Ele olhou para o nada, contemplou o horizonte, onde o sol ia embora preguiçosamente, sem pressa.
- O fato é que eu gosto muito de você.
- Eu também gosto muito de você, .
Virou-se bruscamente para mim e eu me assustei o quão nossos rostos estavam próximos. Meu coração acelerou, na velocidade da luz. Não era brinquedo.
- Não, você não entendeu. Não é assim e você sabe; não é como amigo, é mais que isso. E eu só queria que você me dissesse uma coisa: se esse sentimento é recíproco e se eu posso tentar te fazer feliz. Me dá uma chance?
Nossas bocas estavam próximas demais e, tecnicamente, eu era comprometida, mesmo que desejasse aquele beijo. Sim, eu o desejava.
- Posso responder depois?
- Acho que aguento.
- Obrigada.
Suas palavras me deixaram confusa e surpresa - mesmo que eu já desconfiasse. Eu tinha dois caminhos à escolher. Se eu escolhesse ficar com , teria que terminar com Nickolas, e eu não me sentia muito preparada para enfrentá-lo. E se eu escolhesse ficar com Nickolas, teria que magoar .
De qualquer forma, alguém sairia machucado dessa história. Se eu quiser ficar com os dois, seria muito egoísmo de minha parte? É, acho que sim. Eu descobrira um novo sentimento por , que ultrapassava meus limites.
O desafio estava lançado. Bastava escolher o rumo à tomar e deixar que o tempo amenizasse as cicatrizes que eu deixaria. Jonas ou Nickolas Carter?
- , eu preciso ir e resolver uma coisa - beijei sua bochecha e ele parecia atordoado. - Não se preocupe comigo - sorri antes de dar às costas a e tomar um rumo diferente de minha casa.
A minha decisão estava tomada:
Bati na porta, compassadamente, três vezes. Tremia debaixo de apenas dois casacos, uma básica e uma blusa segunda-pele. Continuava frio pra cara... caramba. É, caramba soa melhor. Bufei impaciente e apertei a campainha, mantendo meu dedo firme, que fazia com que o som de ‘Béééin’ me irritasse e aí sim, me dava vontade de continuar apertando.
- Já vai! - Nickolas gritou estridente. Ah, quanta gentileza com o inquilino. Ele não suspeitava de quem o esperava.
Rolei os olhos por sua demora. Ouvi passos pesados e meu estômago revirou. Eu poderia simplesmente desistir e deixar tudo como está. Fugir pra qualquer lugar e nunca mais dar às caras em Los Angeles. Prestes a fugir daquela obrigação, refleti no mal causaria em duas pessoas - as quais não preciso citar nomes.
E nenhum deles se chamava Nickolas.
Estática, me posicionei reto à porta. A maçaneta foi girada e meu coração disparou. Era agora ou nunca. Engoli seco quando a porta de madeira foi aberta.
- Perdoe-me pela demora, eu estava... - Nickolas falava cordialmente, desculpando-se.
Parou imediatamente e fechou a cara ao ver que se tratava de minha pessoa. Encarei seus olhos incrivelmente azuis. Eu não saberia dizer que mensagem eles transmitiam. O que eu mais odiava em Nickolas era o fato de que, às vezes, ele tornava-se completamente ilegível.
Senti-me abalada ao me dar conta de que ele me olhava com as sobrancelhas erguidas. Fail. Eu tinha certeza que com desdém. Conheça o lado arrogante de Nickolas Gene Carter. E ninguém falava absolutamente nada.
Será que ambos desperdiçaríamos essa chance? Será que nenhum de nós abriria a boca para um breve cumprimento, mesmo que grosseiro? E se eu dissesse algo, será que ele teria coragem de me enxotar? Num impulso, tomei a liberdade da situação.
- Olá, Nickolas - falei estranhamente simpática. Me arrependi logo de ter sido educada.
- Oi - ele disse seco.
- Como vai? - insisti. Não sei por que continuava insistindo.
- Com as pernas - ele disse irônico e sorriu debochado.
Outch! Poderia dormir sem essa, não? Bom, a vida continua. Então, prosseguimos.
- Vou ignorar sua piada sem graça - disse séria. - Vejo que você está bem.
- E como você queria que eu estivesse? - ele continuava no mesmo tom.
Aaaai, mãe! Até quando vou ter que suportar esse sarcasmo ridículo?
- Como um bom cavalheiro que sou, acho que tenho a obrigação de perguntar se você quer entrar, certo?
- Errado. Porque eu só entro se quiser.
Há! Toma. Ele ficou com cara de taxo. Talvez esperasse que eu me derretesse em seus braços - coisa que eu estava controlando para não acontecer.
- Mas eu quero, então, com licença?
Mal humorado, ele abriu passagem para eu entrar. Cruzei por ele, ignorando sua revirada de olhos e caminhei até a sala. Olhei em volta de mim e, incrivelmente, tudo continuava o mesmo. O mesmo ambiente aconchegante - eu tinha decorado a casa dele. Sentei no sofá e o chamei. Nickolas - por birra, não sei - acomodou-se numa distância consideravelmente longe de mim.
- Eu vim em paz, para conversar.
- Então comece.
- É o seguinte....
- Nosso relacionamento desandou muito antes do acontecido. Acabou que eu já não tinha mais confiança em você. As coisas foram se acumulando e uma hora, elas explodiriam. E foi exatamente isso que aconteceu naquele dia. Seria radical demais se eu dissesse que segui em frente?
Confesso que ele me surpreendeu com tal rapidez. Então era isso? Ele me esquecera e eu teria que me conformar. Claro, não daria o braço a torcer. Pegou-me de surpresa e com o psicológico despreparado. Mesmo sabendo que era um Carter - um legítimo pegador -, eu ainda tinha esperanças. Por dentro, meu coração quebrou-se em pedaços minúsculos - estilo porcelana: sem conserto. Quem ele pensa que é para largar a verdade assim, friamente, contra uma garota sensível e delicada? Não é pra tanto, mas é quase isso. Ah, eu não deixaria barato.
- Na verdade não - sorri para ele. - Também te esqueci.
- Eu não disse que esqueci você, disse?
Ok, foi uma ideia estúpida falar que tinha esquecido ele. Nickolas marcaria minha vida para sempre. Ele tornou-se inesquecível para mim - sempre o carregaria junto de mim, mesmo sendo em pensamentos.
- Mas já que você me esqueceu, acho que não tem mais nada para fazer aqui.
- Então, é isso? Acabou? - perguntei, sentindo meus olhos inundarem. O que era para ser perfeito chegara ao fim.
- Acredito que sim - ele sussurrou.
- Pode me acompanhar até a porta? - pedi chorosa. Deixei que as lágrimas salgadas escorressem por meu rosto. Limpei-as com as costas da mão.
- Aham - Nickolas levantou-se e num ato impensado, segurou em minha mão. Estremeci por dentro. Que diabos ele estava fazendo?
Não posso negar: minha vontade de beijá-lo era maior do que soltar sua mão. Mas eu não queria fraquejar. Não tinha mais esse direito - nem poder. Apertei sua mão e levantei-me do sofá, arrumando a bolsa no ombro. Solucei baixinho quando chegamos do lado de fora da casa. Ali, um sonho seria finalizado.
- Adeus - disse olhando pela última vez naquele par de olhos azuis que lacrimejavam.
Virei de costas e tentei soltar sua mão. Ele não me soltou. Numa força inacreditável, ele me puxou, fazendo com que eu virasse bruscamente e nossos corpos se chocassem num baque. Ele me abraçou com força e por um momento pensei que ele fosse a mulher da história. Tudo o que reprimira até aquele instante foi libertado em nosso abraço.
Me deu um beijo delicado e demorado na bochecha. Pegou meu rosto e inclinou-o, mantendo nosso olhar em contato. Por fim, suas palavras saíram trêmulas e doces:
- Você - ele disse mordendo o lábio inferior - foi a melhor coisa que apareceu em minha. A pessoa mais incrível que eu já conheci. Saiba que, depois de tudo o que passamos e fizemos, será totalmente impossível tirar você de minha cabeça. Quero que você encontre alguém que te faça feliz tanto quanto eu queria fazer. Alguém compreensivo, amigo e, principalmente, amor pra toda a eternidade. Espero te encontrar por aí sorrindo do mesmo jeito que você costumava sorrir para mim. E mesmo que não possamos ficar juntos, mesmo que não digamos o ‘sim’ no altar, eu sempre, eternamente, irei te amar.
Minha visão embaçada deixava o semblante de Nickolas borrado. Nunca, ninguém dissera coisas tão lindas e verdadeiras para mim. Sorri triste e ele retribuiu. O abracei apertado, com muito carinho e depois repeti seu gesto.
- Digo o mesmo.
E infelizmente era a mais pura verdade.
- A gente se vê por aí - disse me afastando.
- Algum dia - ele completou. - Adeus, .
- Adeus - disse com a voz rouca -, meu amor - sibilei e ele fechou os olhos, como se quisesse guardar meu rosto em memória.
Decidi que deveria fazer o mesmo. E assim, guardei aquela imagem encantadora de Nickolas: olhos fechados, lábios contraídos, pálpebras inchadas e algumas lágrimas secas no rosto.
Respirei fundo e tomei o rumo de volta à praça. Quem sabe, se desse tempo, ainda estaria lá, me esperando? Eu me dedicaria a ele.
- Brian! - exclamei feliz por ele ter arrancado uma risada de mim. - Como está?
- Vivo - ele disse e depois riu da própria idiotice. - E você?
- Morta. Por dentro - soltei uma risada sarcástica.
E todo esse meu masoquismo me deixava louca. Por que eu gostava tanto de sofrer calada? Já passara da hora de compartilhar com alguém. E ali, na linha, estava a pessoa certa para falar, falar e falar.
- Acabou, Bee - minha voz saiu manhosa e num tom totalmente infantil. Lá vinham as lágrimas de novo.
Ah, Bee foi um apelido carinhoso que a autora acéfala inventou eu inventei. Brian não se importava que eu o chamasse assim. Ele até gostava.
- Nós terminamos e - funguei - ele me disse tanta coisa.
- O QUE AQUELE SAFADO TE FALOU? EU JURO QUE CAPO ESSE IMBECIL. ME DIZ O QUE O ALCAIDE FEZ?
Ri com o ataque histérico de Brian. Ri mais quando ele falou alcaide.
- Calma, pai - ri novamente. Não, eu não conseguia controlar o riso. - Você está proibido de cometer esses delitos, entendeu?
- Não ia fazer nada mesmo - arqueei uma sobrancelha. - Tenho medo do CSI. - ele falou baixinho e nós dois rimos. - Mas então, o que ele fez, falou...
- As palavras que ele usou foram tão doces e encantadoras que eu fiquei com medo de não conseguir resistir - senti a garganta arder.
- Tão gay... - Brian suspirou, mas eu não consegui compreender o que ele tinha dito.
- O que? - perguntei confusa.
- Digo... - ele pigarreou. - Tão meloso...
- Eu diria perfeito, mas infelizmente nada dura para sempre.
- É - ele concordou. - Nem a nossa ligação. Senão, o que vai durar pra sempre é a sua conta telefônica.
- Realmente - sorri. - Então acho melhor desligarmos.
Ele murmurou um ‘aham’.
- Obrigada por me aturar e por me fazer rir.
- Que isso, meu anjo - ele disse. - Sempre que precisar, estou aqui.
- Sinto a sua falta - disse mirando o horizonte.
- Eu também. Sabe que pode vir me visitar, sua teimosa. - ele modificou o tom de voz fingindo um desapontado.
- É, eu sei - ri baixo. - Amo você.
- Também amo você - silêncio. - Tchau, se cuida.
- Tchau. Beijos.
- Beijos.
E eu desliguei.
Por todo o amor que fizemos
Just one thing stays the same
Apenas uma coisa continua a mesma
The lamp gets dusty
A lâmpada se empoeirou
The pipe gets rusty
O cano se enferrujou
But I don’t wanna wash my hands clean
Mas eu não quero lavar minhas mãos
Você diz que também me ama
Then why won’t you go through
Então porque você não continua
With the nightly kisses
Com os beijos noturnos
With the hits and the misses
Com os acertos e os erros
If you can make it on your own
Se você consegue sozinha
Então vá, se você quiser ir
But stay if you wanna know the way
Mas fique se quiser saber o caminho
Through the mess we’ve made
Através da bagunça que fizemos
Then lie in the bed you know or go
Então deite na cama que você conhece ou vá
Ouvi sua van se movendo
But I didn’t take a stand
Mas eu não fiz nada
You can’t leave with ‘em
Você não pode viver com elas
You can’t leave without ‘em
Você não pode viver sem elas
I never thought I’d want to let you
Nunca pensei que iria querer te deixar
Vá, se você quiser ir
But stay if you wanna know the way
Mas fique se quiser saber o caminho
Through the mess we’ve made
Através da bagunça que fizemos
Then lie in the bed you know or go
Então deite na cama que você conhece ou vá
Vá
Or go
Ou vá
Por todo o amor que fizemos
Just one thing stays the same
Apenas uma coisa continua a mesma
The lamp gets dusty
A lâmpada se empoeirou
The pipe gets rusty
O cano se enferrujou
But I don’t wanna wash my hands clean
Mas eu não quero lavar minhas mãos
Você diz que também me ama
Then why won’t you go through
Então porque você não continua
With the nightly kisses
Com os beijos noturnos
With the hits and the misses
Com os acertos e os erros
If you can make it on your own
Se você consegue sozinha
Então vá…
- Não fala nada, por favor.
Ele assentiu e lentamente aproximei nossas bocas. Iniciamos num selinho e depois aprofundamos o beijo. Nos soltamos apenas para respirar.
- Isso responde a sua pergunta? - perguntei sorrindo.
- Absolutamente - ele acariciou meu rosto e eu fechei os olhos. - Você não vai se arrepender.
Sorri e voltamos a nos beijar. Ainda havia a chance de eu ter o meu final feliz. Com , eu poderia acreditar em Felizes para sempre.
- Janta lá em casa? - perguntou com os olhar brilhando. Não teria como recusar.
- Claro. Aproveito para conhecer o resto da sua família - ele ficou feliz ao ver minha real empolgação.
Fomos até sua casa caminhando. Era tão grande quanto a de... Nota mental: enquanto estiver com não pensar em Nickolas. Droga, pensei de novo. Fui muito bem recepcionada. Frankie é como se chama seu irmão caçula. Derreti quando ele disse que tinha me aprovado. Já conhecia e convivia com e . Ganhei mais dois amigos - eternos, segundo eles. Eles tinham um cachorro amável: Elvis. Paul, o pai dos quatro garotos, a primeira impressão que me passou é que era um homem sério, mas vi que era totalmente ao contrário. Denise é a mãe deles. Disse que eu deveria considerá-la uma segunda mãe. Conversamos bastante e chamou-a de manipuladora egoísta.
O jantar ocorreu tranquilo. Despedi-me de todos. Porém, quando Denise foi me abraçar, ela disse algumas palavras em meu ouvido. Elas foram pronunciadas para que somente nós duas escutássemos.
- Eu sabia que você existia, não era ilusão.
- Não entendi - disse, me sentindo perdida.
- 1992, show do Guns N’ Roses.
De repente, um flashback me veio na cabeça.
- Eu disse que era do futuro.
- Seja bem-vinda à família Jonas. Não esperava ninguém melhor que você.
- Obrigada - beijei-lhe o rosto.
- O que você e minha mãe cochichavam tanto? - ele perguntou desconfiado.
- Ah, longa história.
- Vocês são estranhas - ele riu.
- O mundo é estranho e você não viu nada ainda.
- Wow - ele beijou minha mão e voltou sua atenção ao trânsito.
- Boa noite, amor - ele disse, com o carro estacionado, arriscando a última palavra.
- Boa noite, amor - dei ênfase ele pareceu adorar.
Beijei-o antes de abrir a porta do carro. Entrei em casa, com um sorriso estampado de orelha-a-orelha. Não o deixando morrer quando adormeci.
- O que foi, meu amor? - me abraçou por trás. - Todas as noites você fica assim. Se arrependeu de ter casado comigo?
- Não! - o repreendi. - Nunca mais repita isso. Eu amo você.
- Então?
- Não esquente a cabeça. Não é importante.
- Vou tomar banho e depois te espero na cama - ele mordeu meu pescoço.
Eu ri e virei para beijá-lo. Fiquei admirando-o enquanto ele saía do quarto. Olhei novamente para as estrelas, elas sempre pareciam me mandar alguma espécie de mensagem subliminar.
Fechei os olhos, deixando escorrer uma lágrima solitária. Respirei o ar puro e gelado, prometendo a mim mesma que aquela seria a última vez que derramaria lágrimas por Nickolas Gene Carter.